Tem dias em que o corpo não responde como a gente gostaria…
Mas ainda assim, a decisão de alinhar na largada fala mais alto.
Segue os dados gerais da prova:
Corrida número: 274
Nome da prova: 1ª Etapa Circuito Corbélia em Movimento - Corrida da Soja
Cidade: Corbélia-PR
Data: Sexta-feira, 1º de Maio de 2026
Distância: 10kms
Tempo: 36min42seg
Média por quilômetro: 3min40seg
Classificação geral: 2º lugar
Atletas no geral: 71 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 158 pódios
Pódios por classificação geral: 72 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 367
No dia 1º de maio foi mais ou menos assim:
Desmotivado, com pouca preparação e carregando o cansaço de dias intensos de trabalho.
Não era o cenário ideal… mas era o que tinha. E eu fui.
Larguei consciente, dentro do que dava, mas sem me entregar.
Ritmo firme, controlado… e mesmo sem estar no melhor dia, completei os primeiros 5 km na casa dos 18 minutos.
A partir da metade da prova, o corpo começou a cobrar.
Foi preciso reduzir. Não por vontade — mas por respeito ao momento e inteligência pra seguir competitivo até o fim.
Desde o km 2 na vice-liderança, mantive o foco, a constância e o controle.
Sem exagerar, sem quebrar… apenas seguindo, passo após passo, fazendo o melhor possível dentro da realidade do dia.
Já na parte final, depois do km 8, veio aquele momento que reacende tudo por dentro…
Percebi que o líder começou a cair de rendimento. A diferença, que antes era maior, começou a diminuir.
Tentei reagir. Busquei forças onde dava…
mas a distância ainda era significativa, e o corpo já bastante desgastado não permitiu uma aproximação suficiente pra brigar pela ultrapassagem.
Segui até o fim com o que tinha.
No final, os quase 10 km (faltando cerca de 30 metros) vieram com o tempo líquido de 36:42.
Bem acima do que já fiz ali naquele percurso, é verdade… mas existem marcas que o relógio não mede.
Mesmo sem estar nos melhores dias, mesmo tendo piorando o tempo de conclusão em relação ao ano anterior, cruzei o pórtico de chegada feliz… de braços abertos, comemorando não só o resultado, mas o fato de não ter desistido em nenhum momento.
E no pódio, como sempre, aquela emoção única…
a sensação boa de ouvir o nome sendo chamado e saber que, mesmo sem estar em um dia perfeito, valeu a pena.
Porque mais do que números, essa prova deixou uma certeza: coragem também é competir mesmo quando as coisas não estão a favor.
Agora é olhar pra frente.
Seguir trabalhando, ajustar o que precisa e voltar mais forte na segunda etapa, em agosto — em busca dos pontos que mantêm vivo o objetivo de chegar na final, em dezembro, com chances reais de ser campeão do circuito.
Quero deixar registrado o meu agradecimento ao amigo de Corbélia, Gilmar Carvalho pela cortesia na inscrição e também ao Hélder de Ubiratã pelo apoio no transporte de ida e volta.
Seguimos… porque desistir nunca foi uma opção.
Segue abaixo algumas fotos:
terça-feira, 28 de julho de 2026
Corrida Nº 274 - Corrida da Soja (01mai2026) Corbélia-PR
terça-feira, 21 de julho de 2026
Corrida Nº 273 - Desafio APAE Tuicial Run (26abr2026) Cascavel-PR
Duas semanas após cruzar a linha de chegada da minha 45ª
maratona, lá estava eu novamente diante de uma linha de largada. Dessa vez, não
eram 42 quilômetros… eram “apenas” 10. Mas quem vive a corrida de verdade sabe:
não existe prova fácil quando você carrega o desgaste no corpo e a vontade
gigante no coração.
Segue os dados gerais da prova:
Corrida número: 273
Nome da prova: Desafio APAE Tuicial Run 2026
Cidade: Cascavel-PR
Data: Domingo, 26 de Abril de 2026
Distância: 10kms
Tempo: 36min49seg
Média por quilômetro: 3min40seg
Classificação geral: 1º lugar
Atletas no geral: 340 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 157 pódios
Pódios por classificação geral: 71 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 1635
Eu sabia. A preparação para provas curtas não tinha sido como deveria. A recuperação da maratona ainda estava longe do ideal. Qualquer previsão de desempenho naquele Desafio APAE Tuicial Run 2026 era, no mínimo, incerta.
Mas existe algo que não depende de planilha, de treino perfeito ou de descanso ideal.
A vontade de se superar.
E quando o tiro de largada soa… eu deixo de ser apenas um mero corredor qualquer. E me transformo em alguém que não aceita se entregar.
Naquele dia 26 de abril de 2026, saímos de Ubiratã ainda de madrugada. 5h da manhã. Céu fechado, carregado, anunciando chuva, muita chuva — daquelas que vêm para lavar mais do que o asfalto.
No carro, minha esposa, a Ester que nos deu carona e a Dayane, que também enfrentaria o desafio. Silêncio, atenção na estrada, expectativa e aquele frio na barriga que só quem vive isso entende.
Chegamos em Cascavel, no Centro de Eventos. Mais de 2 mil atletas inscritos. A maior corrida de rua da cidade.
Peguei meu kit, fiz um aquecimento breve, troquei algumas palavras rápidas com meu primo João e minha prima Clara… mas, por dentro, eu já estava em outro lugar. Na linha de largada.
Focado. Presente. Pronto.
Me posicionei bem na frente. Olhei ao redor. Sabia que tinha gente forte ali. Sabia também que, mesmo sem estar 100%, eu podia brigar.
E então… largamos.
Saí forte. Talvez até mais do que deveria. O relógio marcava um ritmo agressivo — 3:35 no primeiro quilômetro. Corpo ainda pesado, mas respondendo bem. Mente firme.
Segundo km: 3:41.
Terceiro: 3:37.
Quarto: 3:31.
Muito além do que eu poderia imaginar.
Quando os atletas dos 5km fizeram o retorno e seguimos apenas nós dos 10km… foi ali que a corrida realmente começou.
Eu era o terceiro geral.
E não só isso — eu estava colado. A poucos metros do segundo colocado que seguia quase lado a lado com o líder da prova.
Aquela distância que não assusta… mas provoca.
Ali começou o diálogo interno dentro de mim:
“Dá pra buscar.”
“Mas será que o corpo aguenta?”
“Não interessa… vai.” - e fui...
No km 5, fiz o movimento. Acelerei o passo. Ultrapassei e assumi a liderança.
Por um instante, pensei: “Pode ser momentâneo.”
Mas passo após passo… aquilo começou a se tornar real.
Até o km 7, ainda sentia a presença de um dos atletas logo atrás. O som das passadas… aquele eco constante que não deixa você relaxar.
Mas então… o som começou a desaparecer.
E ali, eu entendi: a vantagem estava crescendo.
No último ponto de hidratação, a confirmação: mais de 200 metros à frente.
Aquilo não foi apenas informação.
Foi combustível.
Mas, ao invés de aliviar… eu acelerei.
Km 9: 3:24.
Era hora de garantir. Era hora de fechar a conta.
Mas corrida nenhuma se entrega fácil.
Veio a última subida. Dura. Cruel. Daquelas que fazem o corpo cobrar tudo que você já fez até ali.
O ritmo caiu. As pernas pesaram. A respiração apertou.
Mas a mente… A mente já tinha decidido.
Não olhei pra trás.
Venci a subida. Virei à direita. Depois à esquerda. Entrei novamente no Centro de Eventos.
E ali… cruzei a linha de chegada. - Campeão Geral.
Sem nome no alto-falante. Sem aquele anúncio que muitos esperam. No meio de centenas de atletas dos 5km, a chegada foi silenciosa… quase anônima.
Mas dentro de mim?
Foi ensurdecedor.
O tempo não foi dos melhores (36:49)… mas só o fato de voltar a vencer uma prova no geral — não tem preço. Não existe tempo no relógio capaz de diminuir o valor dessa conquista.
Porque, no fundo, eu sabia exatamente o que aquela vitória representava.
Quase 50 anos de idade. Um ano difícil. Preparação longe do ideal. O corpo ainda sentindo a maratona.
E mesmo assim… vencer no geral.
E ainda por cima, na maior corrida de rua de Cascavel.
Isso é muito mais do que um grande resultado.
Uma vitória que não vinha desde 2022.
Depois de comemorar, quase anonimamente, teve o pódio — ajustado, corrigido, esperado. Dois atletas haviam cortado caminho. A classificação foi revista. E então, finalmente, subi ao lugar que a corrida já tinha me dado lá atrás: o topo.
Ali, não era só mais um troféu.
Era a soma de tudo.
Disciplina. Constância. Persistência. Amor pelo que eu faço a quase 27 anos no atletismo.
Por fim, voltamos para casa debaixo de muita chuva. Daquelas que lavam a alma.
E no silêncio da volta, uma certeza muito clara: "Nem sempre a gente está no melhor momento. Mas desistir nunca foi, e jamais será uma opção para o Tutta Maratonista."
Porque no final… a corrida sempre devolve.
E devolve para quem insiste.
E enquanto houver uma linha de largada, haverá sempre uma nova chance de provar — principalmente para si mesmo — do que você é capaz.
Segue abaixo algumas fotos:
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mas só eu sei o que precisei vencer para chegar até aqui.
Dayane, 2ª na faixa etária dos 10kms;
Vitor, 1º na faixa etária dos 10kms.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser acessada no site Rodrigocirilo.com.br
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Corrida Nº 271 - 2ª Corrida Night Run - Ubiratã-PR (21mar2026)
"Nem sempre a gente chega pronto. Mas, mesmo com o corpo limitado e a preparação longe do ideal, encontrei na raça, na energia da minha cidade e na força da mente o caminho para superar mais um desafio e provar, mais uma vez, que desistir nunca foi uma opção."
Segue os dados gerais da prova:
Corrida número: 271
Nome da prova: 2ª Ubiratã Night Run
Cidade: Ubiratã-PR
Data: Sábado, 21 de Março de 2026
Distância: 9,9kms
Tempo: 35min58seg
Média por quilômetro: 3min37seg
Classificação geral: 6º lugar
Atletas no geral: 52 concluintes
Classificação na categoria por faixa etária 40/49 anos: 1º
lugar
Atletas na categoria: 11 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 155 pódios
Pódios por classificação geral: 69 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 112
Na corrida, nem sempre a gente chega pronto… mas, às vezes, é justamente quando não está, que mais se descobre do que é capaz.
O ano de 2026 não começou como eu gostaria. Lesões, afastamento dos treinos, incertezas… e uma preparação longe do ideal tanto para provas longas, como principalmente para provas curtas. Ainda assim, havia algo dentro de mim que não aceitava ficar de fora. E foi assim que encarei a 2ª Corrida Ubiratã Night Run — não como alguém no auge da forma, mas como alguém disposto a lutar.
No sábado, o cansaço já vinha comigo desde cedo. Um dia inteiro de trabalho e, junto com ele, aquela sensação silenciosa de desmotivação. Os números também não animavam: meu melhor treino no percurso tinha sido 39 minutos — bem distante dos pouco mais de 36 que eu havia feito no ano anterior. Mas corrida nunca foi feita só de números… e eu sabia disso.
À medida em que me aproximava da Praça Horácio José Ribeiro, algo começou a mudar. A energia da minha cidade, o carinho das pessoas, os gritos de incentivo… aquilo reacendeu algo que nenhum treino consegue medir. Ali, lembrei do porquê eu corro. E mesmo sem a preparação ideal, eu sabia: ia dar o meu máximo. Como sempre faço independente das circunstâncias.
Alinhei na largada com o coração acelerado — não só pela prova, mas por tudo que ela representava.
Correr em casa. No olhar de tantas pessoas conhecidas. Eu não podia decepcionar.
O tiro de largada veio, e com ele a responsabilidade de escolher o ritmo certo. Sabendo do “cotovelo” logo no início, optei por largar na cautela. Mas bastou entrar na reta da Avenida Nilza para começar a construir minha prova. As ultrapassagens vieram, uma a uma, no tempo certo.
O plano era correr para 3:40/km. Mas o corpo respondeu diferente: primeiro km em 3:23. Forte. Talvez até ousado demais. No retorno, contei 12 atletas à frente, mas como as largadas dos 5 e 10kms foram simultâneas, a leitura não era exata. Ainda assim, eu sentia… estava competitivo.
No km 2, uma leve subida fez o ritmo cair um pouco. Mas no km 3, voltei a pressionar — 3:22 — e, ao passar novamente pelo ponto de largada, a vibração da galera foi ainda mais intensa e isso foi como um combustível à parte. Cada grito parecia empurrar mais um pouco. Cada incentivo ajudava a calar qualquer dúvida que eu tinha.
Descemos na Avenida Brasil, rumo a Coagru, e no retorno veio a subida mais forte do percurso. A subida da Vencedora. Ali o ritmo estourou: 3:53. Mas, ali não era pra correr bonito ou fazer um pace fabuloso. Ali era só resistir.
Já na sequência fechei a primeira volta com uns 18 minutos de prova, aproximadamente. Ainda inteiro… mas já sentindo o peso da falta de preparação.
A segunda volta foi um verdadeiro teste mental.
O ritmo já não obedecia como antes. Os quilômetros passaram a exigir mais do que o corpo queria entregar.
No retorno da Avenida dos Pioneiros, fiz a contagem: cinco atletas à minha frente. Eu era o sexto. Estava bem colocado…Porém, longe do atleta que seguia na 5ª colocação... mas segui lutando, não em buscar uma ultrapassagem ou uma colocação melhor. Segui lutando contra algo muito mais forte que os adversários — a minha própria limitação.
Ainda consegui um km forte no oitavo, abaixo de 3:30. Mas no km 9, novamente na subida da Vencedora, a realidade bateu de vez. O ritmo encostou nos 4 minutos. As pernas pesadas, a respiração mais curta… e a mente tendo que assumir o controle.
Ali, já não era ritmo. Era resistência.
Venci a subida como deu. Sem pensar em pace, em colocação… só em seguir. Passei pela prefeitura, virei à direita na rua Brasília e cheguei de braços abertos para cruzar a linha de chegada da 2ª Ubiratã Night Run com o tempo de 35min58seg para os 9,9kms do percurso. Pace médio de 3min37s.
Talvez, em outro momento, eu olharia para esse tempo com outros olhos. Mas naquele dia… ele tinha um valor enorme. Porque não era só um tempo no cronômetro. Era tudo o que eu precisei superar para estar ali.
Peguei minha medalha, Dei um beijo na minha esposa e junto com ela fui celebrar e comemorar com outros amigos mais este desafio superado.
Veio fruta, coca-cola, pizza… e aquele sentimento simples, mas poderoso: do dever cumprido.
Depois, o chopp com os amigos, o pódio… e a certeza de que cada prova é mais do que uma disputa. É um capítulo escrito na base da raça e da superação.
Correr, pra mim, nunca foi apenas estar pronto.
É sempre estar disposto — mesmo quando tudo diz que não.
Porque no fim… não é o melhor dia que define um atleta.
É a coragem de não desistir nos dias difíceis.
Segue abaixo algumas fotos:
Com o Édelson Ávila que foi o campeão dos 10kms com o tempo de 29min29s e o amigo Osmir que fez o 5kms com 21min35s.
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E confesso: Não foi fácil chegar até aqui.
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Subir no pódio já é especial…
Agora, fazer isso em casa, em uma prova de alto nível, tem um significado ainda maior.
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Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser acessada no site da Four Eventos.
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“Nem sempre é a melhor preparação que te leva mais longe… às vezes é a coragem de alinhar, mesmo em dúvida, e descobrir do que você ainda é capaz.”
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
Corrida Nº 266 - 1ª Cafelândia Run - Cafelândia-PR (23nov2025)
Três semanas depois de uma participação que ficou aquém do esperado na Maratona de Jurerê, resolvi encarar mais um desafio. Era a 15ª corrida do ano, e desta vez o destino foi a cidade de Cafelândia, palco da 1ª Cafelândia Run. Mesmo sabendo que não estava no meu melhor momento físico, fui para a prova de 10 km — que acabou sendo, sem dúvidas, uma das participações mais duras do ano nessa distância.
Segue os dados gerais da prova:
Corrida número: 266
Nome da prova: 1ª Cafelândia Run
Cidade: Cafelândia-PR
Data: Domingo, 23 de Novembro de 2025
Distância: 10kms
Tempo: 36min40seg
Média por quilômetro: 3min40seg
Classificação geral: 7º lugar
Atletas no geral: 46 atletas concluintes
Classificação na categoria por faixa etária 45/49 anos: 1º lugar
Atletas na faixa etária: 4 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 151 pódios
Pódios por classificação geral: 67 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 76 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 286
Na manhã de domingo, 23 de novembro de 2025, segui rumo a Cafelândia ao lado da Ester e da Dayane, com o objetivo de prestigiar a primeira corrida de rua da cidade. Eu vinha de uma maratona poucas semanas antes, com pouquíssimos treinos desde então. O cansaço acumulado, principalmente por conta do trabalho, não me permitiu a recuperação adequada após os sofridos 42 km em Jurerê.
E para completar, no sábado, véspera da prova, passei o dia inteiro trabalhando agachado e ajoelhado, lixando pisos de madeira ao redor de uma piscina. O resultado foi formigamento na perna esquerda, dores musculares intensas e uma noite em que nem o tradicional banho de gelo conseguiu fazer milagre.
Diante desse cenário, segui para Cafelândia sem qualquer expectativa de desempenho. Ainda assim, ajustei o Garmin para um pace de 3min40/km, mais como um desafio pessoal do que como uma meta realista.
Chegamos ao local cerca de 50 minutos antes da largada, marcada para as 7h30, sob um clima que já indicava um dia quente.
Peguei o kit, me preparei e fiz um breve aquecimento apenas para “sentir” o corpo. O desconforto era evidente. Mesmo assim, alinhei-me na largada. Abortar não era uma opção. Eu estava ali representando meus apoiadores, os Postos BCA, e precisava entregar o meu melhor — mesmo sabendo que aquele “melhor” estaria longe do ideal.
A prova prometia ser duríssima. Conversando com outros atletas antes da largada, ficou claro: os 10 km estavam repletos de corredores de alto nível. Só feras mesmo.
Os 5 km pareciam um pouco mais acessíveis, mas não havia tempo — nem vontade — de mudar. Afinal, nada melhor do que se testar onde estão os melhores.
Com o sinal da largada, saí forte. O primeiro quilômetro veio em 3min33, o segundo em 3min37. No terceiro, uma subida fez o ritmo subir para 3min42. Após um retorno no percurso, contei cerca de 12 atletas à minha frente, sem conseguir distinguir quem fazia 5 ou 10 km, já que os numerais eram iguais. Sabendo que o pódio geral era improvável, segui focado apenas em concluir bem a primeira volta, que fechei ao cruzar o pórtico em aproximadamente 17min55s.
Se tivesse optado pelos 5 km, aquele ritmo me renderia um 5º lugar geral. Mas a escolha foi pelos 10 km — e isso significava sofrer mais um pouco. rsrs
A temperatura girava em torno dos 25°C, mas a sensação térmica, para quem corria sob o sol, certamente beirava os 30°C.
Na segunda volta, o corpo começou a cobrar a conta. O ritmo caiu. Calor, cansaço, dores, o sol forte e novamente a subida mais exigente antes do primeiro retorno tornaram tudo ainda mais pesado. Mesmo assim, consegui uma ultrapassagem antes desse retorno. E contando os atletas do outro lado, eram seis à frente — ou seja, eu era o 7º colocado geral.
E não tinha o que fazer. Alcançar o quinto colocado para subir no pódio geral não dava mais. Os atletas estavam muito longe. Buscar o sexto colocado não adiantava, pois, nas categorias não haviam premiação em dinheiro e tanto fazia pra mim ficar em primeiro, segundo, terceiro ou nem subir no pódio e então mantive essa posição até o final.
Cruzei a linha de chegada com 36min32s, mas como faltou alguns metros para dar a distância oficial, segui até completar, finalizando em 36min40s, com pace médio de 3min40/km. Dentro do que era possível naquele dia.
Foi o meu pior tempo em provas de 10 km no ano, mas também um dos resultados mais valiosos pelo contexto. Mesmo assim, terminei em 7º geral e fui campeão da minha categoria por faixa etária.
Depois da prova, teve o que toda corrida boa proporciona: resenha, fotos, pódio e aquela sensação de missão cumprida. Mais uma corrida de rua concluída, mesmo quando tudo parecia conspirar contra.
Sobre a prova: organização muito boa, inscrição acessível (R$ 75,00 + 1 kg de alimento), três pontos de hidratação no percurso de 5 km, com uma subida um pouco mais forte, mas nada que comprometesse o desempenho de quem estivesse bem treinado — o que, definitivamente, não era o meu caso. rsrs
Elevação acumulada de 74 metros, e no pós-prova teve banana, maçã, barra de cereal e mini refrigerantes. Medalha simples, porém bonita. O troféu, sinceramente, deixou a desejar na minha opinião.
E é isso. Bora para as próximas. rsrs
Agradecimento especial aos Postos BCA de Ubiratã, pelo apoio de sempre e a Ester, pela carona.
E assim seguimos, porque correr não é só sobre tempo e pódio — é sobre resistir, insistir e continuar, mesmo nos dias mais difíceis.
Segue abaixo algumas fotos:
2º - Rogério Weyn 39min51seg
3º - Sidinei Lemos 45min06seg.
Até a data desta postagem os resultados completos poderiam ser visualizados no site da Four Eventos.
Marluce, 2ª na categoria nos 10kms.
Tutta, 1º na categoria nos 10kms.
Carla, 1ª na categoria nos 10kms.
Camila, 5ª geral nos 10kms.
Rosana, 1ª na categoria nos 5kms.
Débora correu os 10kms e
Dayane, vice-campeã nos 5kms.
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domingo, 14 de setembro de 2025
Corrida Nº 262 - 2ª Corrida Max Fit Academia - Corbélia-PR (31ago2025)
A corrida sempre foi, pra mim, mais do que apenas cruzar a linha de chegada. É um desafio interno, uma conversa intensa entre o corpo e a mente — e nesse domingo, em Corbélia, eu escrevi mais um capítulo marcante da minha história como corredor.
Esse dia, foi mais do que uma corrida. Foi um duelo entre o que eu achava que não conseguiria fazer... e o que de fato eu fui lá e fiz.
Segue os dados gerais da prova:
Corrida número: 262
Nome da prova: 2ª Corrida Max Fit Academia
Cidade: Corbélia-PR
Data: Domingo, 31 de Agosto de 2025
Distância: 10kms
Tempo: 35min57seg
Média por quilômetro: 3min35seg
Classificação geral: 3º lugar
Atletas no geral: 36 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 147 pódios
Pódios por classificação geral: 66 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 73 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 230
As semanas que antecederam a prova foi difícil.
Vinha me recuperando de uma gripe forte e os treinos não estavam encaixando como deveriam. O corpo não respondia como eu gostaria. A vontade de competir oscilava. Cheguei a pensar em não ir. Mas a paixão por competir falou mais alto — e ainda bem que falou. Porque mesmo sem estar 100% preparado, eu fui lá e fiz acontecer. Não só corri… mas corri e conquistei mais um pódio no geral, mostrando que a garra, o coração e a experiência fazem toda a diferença quando a largada é dada.
E na verdade, quem carrega o espírito da corrida no peito não precisa de motivos, só de coragem.
E assim eu fui.
Fui mesmo sem a confiança de semanas perfeitas de treino. Fui com o que eu tinha — e mais ainda, com o que eu sou.
Acordei às 4h45 da manhã. A cidade ainda dormia, o céu ainda escuro, e eu ali, tomando o meu café (que foi apenas um pão francês com mussarela e um energil C) e preparando coração. Às 5h45, com um pequeno atraso, a Layla passou em casa já com o carro cheio de atletas e partimos rumo a Corbélia. O clima estava relativamente frio e o vento aumentava essa sensação gelada. Mas lá dentro de mim... já começava a nascer o fogo de quem estava pronto para lutar.
Chegamos com cerca de 40 minutos de antecedência para a largada. Mas, eu já fui quase pronto. Apenas troquei o tênis (peguei o adzero adios pro 3) deixei a mochila no carro do Tite, aqueci com leveza, troquei algumas palavras com os amigos — os mesmos que, como eu, vivem por essa emoção única que é o momento da largada.
Faltando poucos minutos, me alinhei perto do pórtico. Respirei fundo. Deixei o Garmin preparado, marquei mentalmente o ritmo-alvo: 3min40/km. Mas algo dentro de mim dizia: “Hoje, você vai além.”
Dada a largada - acelerei.
O corpo respondeu com uma intensidade surpreendente. Saí forte, leve, como se a falta de treinos tivesse sido apagada naqueles primeiros metros. O ritmo era ousado, mas eu deixei fluir. Hoje, o instinto ia me guiar.
Completei o primeiro km com 3min27seg.
Antes do km 2 passamos pela subida da Praça Paraguaia. E com ela, o teste. As pernas sentiram, o fôlego oscilou, mas mantive a cabeça no lugar. Eu sabia que não seria fácil. Mas também sabia que seria possível. O tempo se elevou um pouco. Fechei o km 2 com 3min45. Mas tava bem. Era o 5º geral naquele momento.
Na sequência recuperei o ritmo. Meus olhos focaram nos atletas à frente. E a diferença era pequena para os próximos dois atletas. A caça havia começado. rsrs
Pouco antes de completar o quarto quilômetro passo o quarto colocado. Poucos metros depois, assumi a terceira colocação. Mas ele veio junto. Senti sua respiração no 'cangote' (no sentido figurado, é claro. kkkk) suas passadas ecoando atrás de mim. Ele não queria me deixar escapar e a disputa foi intensa.
Passamos praticamente juntos em baixo do pórtico completando a primeira volta e aquele km foi fechado com 3min31seg e os primeiros 5kms com 18min06s e seguimos quase lado a lado por mais de um km. Mas, decidi: não deixaria aquela posição escapar por nada.
Acelerei. Forcei o ritmo, mesmo sentindo o peso da primeira metade. Mas cada dor ali era um lembrete: é isso que faz um corredor grande. A dor é o ingresso para grandes conquistas.
Fechei o sexto km com 3min25s e novamente chega a subida da Praça Paraguaia, o percurso exigia foco, e as pernas já pediam um pouco de trégua. Mas o coração dizia: “Agora é a hora de mostrar do que você é feito.”
Ali, comecei a perceber que a terceira colocação era minha e eu ia defender — com unhas, pernas e coração. O atleta que vinha atrás já não respirava tão próximo. Cada passada minha era uma afirmação: "Eu estou aqui. Eu mereço esse lugar."
As passadas atrás começaram a sumir… o quarto colocado começou a ficar. E eu segui.
Agora, praticamente sozinho, e com boa vantagem para o quarto colocado, apenas mantive o foco e o ritmo. Sabia que o segundo colocado estava fora de alcance, mas a terceira colocação era minha.
Apenas procurei segurar o ritmo e mantive a firmeza. Não havia mais ameaças diretas, mas também não havia espaços para relaxar. Em corrida, um segundo de descuido vira uma vida inteira de arrependimento.
No último retorno, olhei o relógio e contei mentalmente: 25 segundos de vantagem. Cerca de 200 metros, aproximadamente. Mas ainda precisava selar. A cabeça firme. O foco inabalável.
Veio o km final e ali tive a certeza de que não mais perderia aquela colocação.
Mantive a concentração, resisti ao cansaço e após a última curva, ao avistar o pórtico de chegada, conferir o tempo e vi que se forçasse um pouquinho fecharia a prova abaixo dos 36 minutos.
E foi o que eu fiz - acelerei e cruzei a linha de chegada com tudo o que tinha direito. Sorriso no rosto, braços abertos, o coração explodindo de alegria no peito e aquele sentimento de que só quem corre entende: eu venci a mim mesmo. Mesmo sem os treinos ideais, mesmo com dúvidas, eu fui, me entreguei e fiz o meu melhor.
Prova completada com 35min57seg e o último km a 3min27s.
Trotei uns 200 metros para retomar o fôlego, mas a alma já estava em festa. Voltei e recebei minha medalha.
Logo mais, uma premiação também: R$400 reais pelo 3º lugar geral. Mas nada disso se compara à sensação de saber que mesmo sem estar no auge, eu fui gigante.
A resenha com os amigos veio, como sempre, saborosa. Risos, histórias, detalhes da prova. O pódio chegou. E com ele, mais que troféu: o reconhecimento de quem não desiste. De quem corre com coragem, não com desculpas.
Na volta, a gratidão à Erica, pela carona na volta. Também à Layla, pela carona na ida. E a todos que, de alguma forma, compartilham essa jornada comigo.
Porque ser um grande corredor não é só esperar pelo momento perfeito — é saber fazer do agora a sua melhor versão.
E naquele dia, 31 de agosto de 2025, eu escrevi mais um capítulo da minha história como atleta amador.
Na dúvida, vá. Corra. Acredite. O pódio pode estar te esperando — mesmo quando você acha que não está pronto.
Segue abaixo mais algumas fotos:
Meu número...
A camiseta da prova.
Aparentemente muito bonita, mas o material não é dos melhores.
Porém, pelo valor de 70 reais - tá de bom tamanho...
Em mais um pódio...
"Conquistas não caem do céu. Elas exigem muita luta, esforço e força de vontade."
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Os 5 primeiros colocados no geral do 10kms.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser encontrada no site do Rodrigo Cirilo.
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Aparentemente muito bonita, mas o material não é dos melhores.
Porém, pelo valor de 70 reais - tá de bom tamanho.
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Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser encontrada no site do Rodrigo Cirilo.
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