sexta-feira, 17 de julho de 2026

A Minha 4ª Maratona (Foz do Iguaçu 2010)

No dia 26 de setembro de 2010 - um ano depois da minha terceira maratona, eu voltava a Foz do Iguaçu para correr a 4ª maratona da carreira. O cenário era o mesmo… mas eu já não era o mesmo atleta.

Assim como na edição anterior, fui sem planejamento. Cheguei, retirei meu kit, participei do tradicional jantar de massas e só depois fui procurar um lugar para dormir. A ansiedade, como sempre, não deu trégua. Dormi pouco. Quase nada. Mas, dessa vez, havia algo diferente: confiança. A preparação tinha sido melhor. O corpo estava mais pronto… e a mente, mais forte.

Eu tinha um plano.
Buscar algo próximo de 2h48. Mas, acima de tudo, havia um objetivo muito claro: terminar abaixo das 3 horas. Esse era o compromisso. Esse era o limite que eu não estava disposto a ultrapassar.

O dia amanheceu nublado, com temperatura perfeita. Um convite para sonhar alto. Mas ali estava também um velho conhecido desafio: o percurso mais duro do Brasil. E maratona não aceita excesso de confiança.




A largada veio.

Tentei sair com cautela. Mas a adrenalina falou mais alto. Quando percebi, já estava mais rápido do que o planejado. Ajustei o ritmo. Respirei. Me reencontrei dentro da prova.

Os quilômetros iniciais foram de controle e confiança. O corpo respondia bem, o ritmo encaixava, e tudo parecia sob controle. Passei pela metade praticamente dentro do planejado. Era como se a prova estivesse desenhada.

Após o km 25… tudo começou a mudar.

E ali, ela - a maratona - cobrou.

As pernas começaram a reclamar do esforço, o ritmo foi caindo aos poucos… e cada quilômetro passou a exigir mais do que preparo físico — exigia decisão.

Vieram sequências duras com subidas que pareciam intermináveis. Trechos que pediam mais da mente do que do corpo. E quando entrei no Parque Nacional… entendi que ali não vencia quem estava mais forte. Vencia quem resistisse mais.

Era subida atrás de subida.
Praticamente sem trégua alguma.

A essa altura, o objetivo de 2h48 já escapava. Mas o sub 3… ainda estava vivo. E enquanto estivesse vivo, eu também estaria.

No km 36, parei por um minuto. Água. Coca-cola. Respiração.
Não era fraqueza. Era estratégia. Era decisão de continuar.

Voltei.

E ali, no limite, encontrei mais um pouco de força. O corpo respondeu. A mente sustentou. Cada passo passou a ser uma escolha consciente de não desistir.

No km 41, o relógio apertava… mas ainda dava.
Faltava pouco.

E então… aquele momento.

As Cataratas do Iguaçu surgiram ao lado. Grandiosas. Imponentes. Como se lembrassem que aquilo tudo era maior do que dor, maior do que tempo… maior do que qualquer limite.

Ali, o cansaço virou emoção.
Vieram as últimas curvas. A última subida. E então… a descida final.

A linha de chegada.
O nome sendo anunciado.
E a confirmação de tudo aquilo que foi sustentado até ali… 2h58min36seg.

Abaixo de 3 horas.
Não foi o tempo dos sonhos.
Mas foi uma conquista gigante.

Cruzei a linha exausto, com dores… mas com a certeza de que entreguei tudo. Porque ali não estava apenas um resultado. Estava a prova de que disciplina, constância e coragem constroem algo muito maior do que números.

Cada maratona faz parte de uma história maior. E essa me ensinou algo que levo pra vida: 
não importa o quanto o caminho aperte… quem aprende a resistir sempre encontra uma forma de chegar.


Com o atleta Frank Caldeira.
Senão estou enganado, ele foi vice campeão da prova.
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Leia também:

- A Minha 1ª Maratona
- A Minha 2ª Maratona
- A Minha 3ª Maratona

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