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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A Minha 8ª Maratona (Porto Alegre 2014)

Fiquei por três anos desejando correr a Maratona de Porto Alegre, até que finalmente chegou o momento de realizar aquele sonho.

Era 18 de maio de 2014.
Mas, apesar da vontade de estar ali, eu não chegava para a prova com aquela confiança toda.
Minha preparação havia sido curta: apenas 55 dias. E naquele período, corri pouco mais de 400 quilômetros e, quando segui para o Rio Grande do Sul, carregava comigo uma sensação difícil de ignorar: a impressão de que havia faltado alguma coisa na preparação.

Talvez mais quilômetros. Talvez mais tempo. Talvez simplesmente a segurança que uma preparação mais longa costuma trazer.
Mas agora não havia mais o que fazer.
Era largar e correr.




A organização da prova tinha seus pontos muito positivos. Houve translado do aeroporto e da rodoviária para a retirada dos kits e, depois, transporte até os hotéis. No dia da maratona, os atletas também contavam com transporte dos hotéis conveniados até a largada e, depois, de volta.
A hidratação ao longo do percurso também foi muito boa, com água e Gatorade.
O percurso, porém, não me pareceu exatamente aquilo que eu tinha ouvido falar.
Diziam que Porto Alegre era uma maratona bem plana.

E eu encontrei algumas “subidinhas”. rsrs
Nada muito íngreme. Nada muito longo. Mas eram várias.
E maratonista sabe: depois de alguns quilômetros, qualquer subida começa a ter opinião própria.

Na véspera, ainda fiz um pequeno pedal com um amigo que morava em Porto Alegre. Uma maneira de aproveitar um pouco a cidade antes de enfrentar os 42 quilômetros do dia seguinte.




Então chegou o domingo.

E dormi pouco. A ansiedade bateu forte e acordei por volta das 3 da manhã e a largada seria somente às 7h, então ainda havia bastante tempo para esperar, pensar e, principalmente, tentar não pensar demais. rsrs

Por volta das 6 horas, segui para o local da largada.
O clima estava praticamente perfeito para correr. Céu nublado, muitas nuvens e temperatura em torno dos 15 graus.
Não dava para reclamar.

Às 7 horas, pontualmente, começou a minha 8ª maratona.
E eu comecei com calma.
Calma até demais. rsrs
No km 2, meu tempo acumulado era de 8min40seg. Uma média de 4min20seg por quilômetro.

Eu tinha ido para Porto Alegre sem tanta confiança, mas também não pretendia deixar a prova escapar logo no começo. Então tratei de acelerar um pouco.
Depois do km 2, aumentei o ritmo. Não muito... mas aumentei.
Passei a correr entre 4min e 4min10seg por quilômetro.
Naquele momento, inclusive, havia um pequeno detalhe atrapalhando mais do que qualquer subida: uma vontade imensa de ir ao banheiro.
Mas fui levando.
Até que chegou uma hora em que eu simplesmente esqueci.
As dores musculares começaram a falar mais alto.

Por volta do km 5, encontrei o Dario, um amigo de Campo Grande, e seguimos juntos até aproximadamente o km 10, mantendo uma média próxima de 4min05seg por quilômetro.
Depois disso, ele ficou para trás e eu segui sozinho.
Mantive o ritmo.
Às vezes, até um pouco mais rápido.
E foi aí que comecei a perceber que, apesar da preparação curta, talvez aquela maratona pudesse ser melhor do que eu imaginava.

No km 15, meu tempo era inferior a uma hora.
E a estratégia que era tentar manter 4 minutos de média por quilômetro pelo menos até o km 25 estava funcionando.

E eu seguia.
Km após km.
Ritmo firme.
Cabeça no lugar.

Do km 10 ao km 20, fiz uma corrida muito boa.
Tão boa que comecei a fazer contas.
E quando um maratonista começa a fazer contas durante uma prova, normalmente é porque alguma esperança começou a aparecer. rsrs

Mantendo aquele ritmo eu imaginava que poderia terminar a prova perto de 2h50.
Aquele pensamento que, algumas horas antes, parecia distante, agora começava a ganhar forma.
Mas a maratona tem dessas coisas: Ela deixa você sonhar...E depois cobra a conta.

Depois do km 20, comecei a sentir uma pequena queda de produção.
O ritmo foi diminuindo gradativamente. Mas, ainda passei pela meia maratona muito bem. Com o tempo inferior a 1h24min.
Ainda era um bom tempo, mas eu já sabia que seria cada vez mais difícil sustentar aquele ritmo até o final.

Por volta do km 25, tentei tomar um gel para buscar um pouco de energia extra.
Era de chocolate. Ou pelo menos deveria ser. rsrs
Porque o gosto estava tão azedo que, depois de provar, pensei que talvez fosse mais seguro não arriscar.
Joguei quase todo fora.
Afinal, ainda faltavam 17 quilômetros e eu não queria transformar uma maratona difícil em uma maratona acompanhada de um problema estomacal.

E os quilômetros seguintes começaram a mostrar a verdadeira face da prova.
No km 27, minha média já havia passado novamente dos 4 minutos por quilômetro.
No km 30, o relógio marcava quase 2h02min.
No km 32, quase 2h10.
E a partir dali, eu já sabia que seria difícil.
Muito difícil.

As pernas estavam pesadas.
As dores aumentavam.
O corpo começava a cobrar cada um daqueles quilômetros corridos num ritmo forte.
Mas ainda havia uma coisa que eu tinha ao meu favor: eu sabia que conseguiria terminar abaixo das três horas.

E naquele momento a estratégia mudou.
Não precisava mais correr para 2h50.
Não precisava buscar um tempo extraordinário.
Era hora de sobreviver à maratona.
“É só trotar a 5 minutos por quilômetro nos 10 quilômetros que faltam. - pensei”
Foi fácil pensar.
Difícil foi fazer. rsrs

Do km 30 ao km 38, o ritmo caiu bem mais do que eu gostaria. É lógico que não chegou tão perto dos 5 minutos. Mas, e
m alguns momentos, cheguei à casa dos 4min30seg por quilômetro.
E ainda havia mais quatro quilômetros pela frente e tendência era do ritmo ainda mais.

Do km 38 ao 42, o ritmo passou dos 4min40seg.
Aquele 'sonho' das 2h50 já tinha ficado para trás.
A conta agora era outra.
Era olhar para o relógio, olhar para a distância restante e tentar encontrar dentro de mim o que ainda havia de força.

Pelos cálculos, com um pouco mais de esforço, eu poderia terminar em torno de 2h54.
Seria praticamente repetir o mesmo tempo das minhas duas maratonas anteriores: Rio de Janeiro, em 2012, e Brasília, em 2013.

Mas naquele momento eu já não tinha muito mais para entregar.
O corpo tinha chegado ao limite daquela preparação de apenas 55 dias.
E eu precisei aceitar que não dava para tirar mais alguns minutos na marra.

Mas, continuei.
Sem desistir.
Sem parar.
Até que finalmente os 42 quilômetros ficaram para trás.

Cruzei a linha de chegada em 2h55min22seg.
Não foi o 2h50 que, em determinado momento da prova, eu cheguei a imaginar.
Também não foi o 2h54 que minhas contas indicavam.
Mas foi ali, próximo. Bem próximo.




Agora o que menos impostava era o tempo.
O que importava é que eu havia concluído mais uma maratona.
Havia construído mais uma história.
Foi mais uma vez em que o corpo mostrou seus limites, mas a cabeça encontrou uma maneira de continuar.
E talvez essa seja uma das maiores verdades de uma maratona: 'nem sempre terminamos com o tempo que imaginamos na largada.
Mas sempre terminamos carregando aquilo que aprendemos durante os 42 quilômetros.'

Porto Alegre me ensinou que uma preparação curta pode até deixar dúvidas antes da largada, mas quando a prova começa, não adianta mais pensar no que faltou.
É preciso correr com aquilo que você tem.

Naquele dia, eu tinha pernas cansadas, dores, uma preparação que eu considerava insuficiente e um objetivo que foi mudando ao longo do caminho.
Mas tinha também vontade.
E foi ela que me levou até o fim.

E assim terminou a minha 8ª maratona.
2h55min22seg.
Mais uma maratona concluída.
Mais uma página escrita na minha história.
E ainda faltavam muitas páginas para completar esse livro.


📖
Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.














Leia também:

- A Maratona 1
- A Maratona 2
- A Maratona 3
- A Maratona 4
- A Maratona 5
- A Maratona 6
- A Maratona 7



terça-feira, 14 de julho de 2026

Corrida Nº 272 - Maratona Velho Oeste / Univel (12abr2026) - Cascavel-PR

 Às vezes, a linha de chegada não revela apenas um tempo — ela mostra tudo aquilo que você enfrentou para estar ali. E essa maratona, a número 45, foi exatamente isso: uma prova de resistência, não só física, mas principalmente mental.

Teve dor, teve dúvida, teve batalha interna…
Mas também teve coragem — e ela me trouxe até o pódio.
.


Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 272
Nome da prova: Maratona Velho Oeste & Univel
Cidade: Cascavel-PR
Data: Sábado, 12 de Abril de 2026
Distância: 42,2kms
Tempo: 3h00min05seg
Média por quilômetro: 4min16seg
Classificação geral: 4º lugar
Atletas no geral: 63 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 156 pódios
Pódios por classificação geral: 70 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 4022


Nem sempre a preparação é perfeita… mas existem dias em que a entrega compensa tudo. E a minha maratona número 45 foi exatamente isso: um confronto direto entre o que faltou nos treinos e o que sobrou na alma.

Até pode parecer repetitivo para quem acompanha meu blog, mas a verdade é que cada largada carrega uma história diferente. E dessa vez, de novo, eu não cheguei preparado como gostaria. O ano começou pesado… lesão, afastamento, dores… e, como se não bastasse, três semanas antes da prova, o velho incômodo no joelho esquerdo resolveu dar as caras novamente. Aquele mesmo joelho que já me testou outras vezes ao longo da caminhada.

Mas quem vive esse esporte sabe: nem sempre você está pronto… e mesmo assim, decide ir.

E foi assim que, no dia 11 de abril, segui rumo a Cascavel para encarar a minha 45ª maratona. Não fui sozinho. Levei comigo minha base, meu porto seguro — minha esposa e meu enteado. Porque correr é individual, mas chegar até ali… nunca é.

A viagem, a retirada de kit, os detalhes simples… tudo fazia parte do ritual. A ansiedade já dava sinais. A noite foi mal dormida — daquelas em que o corpo deita, mas a mente já está na largada. Cada ida ao banheiro, cada cochilo interrompido… era o coração avisando: “amanhã é dia de batalha”.
E quando o dia amanhece assim… você sente que não é só mais uma corrida.

Na largada, como de costume, poucos aquecimentos e muita concentração. Me posicionei à frente. A experiência ensina a confiar no instinto — e eu sabia que, mesmo sem a preparação ideal, ainda havia algo ali dentro capaz de me levar longe.

O tiro de largada ecoou… e junto com ele, aquela velha sensação de liberdade misturada com responsabilidade.

O plano era controlado: ritmo de 4:05/km. Mas o corpo decidiu responder diferente. Primeiro quilômetro: 3:48. E, surpreendentemente, eu estava bem. Leve. Solto. Presente.
E foi ali que a prova começou a mudar.

A cada quilômetro, a confiança crescia. O joelho, silencioso. O clima, perfeito. O percurso ajudava. E quando percebi, já estava disputando posições lá na frente.

O Anderson, de Umuarama, vinha muito próximo, praticamente no mesmo ritmo. E ali começou uma disputa silenciosa, daquelas que não precisam de muitas palavras. Corri à frente dele até próximo do km 10, sempre atento, controlando, sem deixar abrir espaço.

No primeiro retorno, ainda havia dúvida sobre posições, mas já dava para perceber que estávamos entre os 3 primeiros.

Na sequência, ele encostou. Trocamos algumas palavras rápidas — o suficiente para entender o cenário. Ele comentou que eu era o primeiro e ele o segundo. Aquilo deu ainda mais peso ao momento.
Mas, na verdade, éramos segundo e terceiro. Por conta da meia maratona ter largada simultânea aos 42kms, não vimos que havia um outro atleta na nossa frente. Mas, isso não tira o peso da responsabilidade que cada um de nós tinha ali naquele momento da prova.
 
Com o amigo Anderson de Umuarama.
Ele sentiu uma lesão e precisou reduzir e ainda assim completou a prova com 3h19min18seg em 11º geral e 3º em sua faixa etária.


Pouco depois desta troca de palavras, ele passou e assumiu a frente. Do km 11 ao 16, segui atrás, acompanhando de perto, sem deixar escapar. Não era desespero — era estratégia, leitura de prova, respeito ao momento.

E então, após o km 16, veio a resposta. Retomei a posição, ultrapassei novamente e reassumi o segundo lugar geral, mantendo o ritmo firme e constante.
Seguimos assim até o fechamento da primeira volta (21kms).

Passei a meia com 1h22.
Forte.
Muito acima do que qualquer previsão indicaria para alguém que vinha de poucos treinos.

Vídeo no momento em que completo a primeira volta com 1h22.


E naquele momento… eu ainda me sentia bem.
Mas maratona não perdoa. E eu sei muito bem disso.

Depois dos 25 km, ela começa a cobrar.

O cansaço chegou. Primeiro sutil… depois mais presente. O vento contra na avenida Tancredo Neves parecia testar não só as pernas, mas a mente. E ali, cada passo começou a exigir mais.

A partir dali, não era mais estratégia.
Era resistência.

Do km 30 em diante, cada quilômetro era uma conversa interna. O corpo pedia para diminuir… a mente insistia para continuar.

No km 36, o limite já era claro. A vontade de caminhar apareceu… mais de uma vez. Mas ali entra algo que não se constrói em um dia: disciplina, constância, mentalidade.

Eu sabia que não estava ali por acaso.
Mesmo com o ritmo caindo, eu seguia. Ainda entre em segundo lugar geral. Ainda lutando.

No km 40, o corpo pediu uma pausa. Caminhei. As cãibras começaram a aparecer… daquelas que travam e fazem você encarar seus próprios limites.

No km seguinte perdi uma posição. Perto do km 42 outra.
Mas não perdi a essência. Segui lutando.

Porque no fim… cair faz parte. Permanecer no chão, não.

Com incentivo de quem estava ali — staff, público, vozes que muitas vezes nem conhecemos — encontrei forças. Daquelas que não vêm do físico. Vêm de dentro.

Olhei para trás… estava sozinho.
E naquele momento, entendi: a verdadeira disputa sempre foi interna.
Ignorei a dor. Superei as cãibras. E corri. Devagar mas corri.

A verdadeira luta nunca foi contra os outros… foi contra mim mesmo — e eu não parei.


E cruzei a linha de chegada da minha 45ª maratona com o tempo de
3h00min05seg - 4º lugar geral.

E mais do que isso: a certeza de que, mesmo sem o cenário ideal, eu fui lá e fiz acontecer.

Depois da chegada, o corpo cobrou. Pressão caiu. Atendimento médico. Cãibras intensas. Mas tudo isso faz parte do preço de quem se entrega de verdade.

E no meio disso tudo… vieram os sorrisos, as conversas, o apoio da família, os amigos, o pódio e o retorno pra casa com o corpo cansado… mas com a mente em paz.

Porque cada maratona não é apenas uma prova. 
É parte de algo maior.

E essa reforçou algo que carrego comigo há muito tempo: "
não existem condições perfeitas — existe decisão." - e eu decidi estar ali.

No final, o que realmente importa não é como você chega… 
é não parar no meio do caminho.
Porque quem insiste, evolui. E quem evolui… chega.
E eu cheguei...


Segue abaixo algumas fotos:


Meu numeral.
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A essa altura o sofrimento era evidente.
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Apesar do sofrimento, nada se compara com a felicidade de cruzar a linha de chegada de mais de maratona.
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Já recuperado e ao lado dos amigos: Riki que completou sua segunda maratona com o tempo de 3h56min12seg e Fernando que foi prestigiar a prova.
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Mais um pódio geral em maratonas.
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Subir ao pódio geral é especial…
Mas, o verdadeiro mérito está em tudo que foi preciso suportar até chegar aqui.
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O troféu bem simples... a medalha show.
E 38 dias depois da prova, recebo a premiação em dinheiro para motivar ainda mais.
Foram 500 reais recebidos.
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Vídeo feito pelo amigo Fábio de Cascavel.
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Os 5 primeiros colocados no geral masculino dos 42kms.
Até a data da publicação deste texto a classificação completa poderia ser acessada no site da Foureventos.
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Vídeos da chegada.















sábado, 4 de julho de 2026

A Minha 2ª Maratona (Foz do Iguaçu 2008)

Depois de concluir minha primeira maratona em São Paulo, veio a certeza de que eu queria enfrentar novamente os 42 quilômetros. E foi assim que surgiu o desafio da minha segunda maratona: a tradicional Maratona Internacional de Foz do Iguaçu que foi realizada no dia 21 de setembro de 2008.




Como já faz muitos anos, algumas lembranças ficaram pelo caminho. Mas há coisas que o tempo não apaga. Lembro da excelente preparação sob a orientação do professor Luiz Carlos Smanhoto, dos treinos realizados com dedicação e, principalmente, da confiança que eu carregava comigo rumo à largada.

Naquela época, a Maratona de Foz do Iguaçu era considerada por muitos a mais difícil do Brasil. O percurso exigia coragem. A largada acontecia em frente a barragem na Usina Hidrelétrica de Itaipu, passava por várias ruas do centro da cidade e terminava dentro do Parque Nacional do Iguaçu, próximo às Cataratas. Um trajeto repleto de subidas e desafios que colocavam à prova a resistência física e mental dos corredores.

Mas eu não estava ali para ter medo.

Desde os primeiros quilômetros procurei manter meu ritmo e encarar cada obstáculo com determinação. As subidas pareciam intermináveis, mas eu as enfrentava uma a uma, sempre acreditando que podia ir além. Aos poucos fui ganhando posições, ultrapassando corredores muito mais experientes e percebendo que aquele dia poderia ser especial.

O momento mais difícil veio na última subida. Um topo bem íngreme antes da descida final. Ali o corpo finalmente começou a cobrar o preço de todo o esforço acumulado ao longo da prova. As pernas pesavam, a respiração já não era a mesma e, por alguns instantes, caminhar pareceu uma alternativa tentadora.

Mas resisti.
Não caminhei um único minuto durante toda a maratona.

Quando finalmente alcancei o topo, senti que a vitória já era minha. Restava apenas poucos metros a frente. Então veio a descida final, e como um mergulho em direção ao sonho que estava prestes a se concretizar - eu me lancei sem medo até cruzar 
a linha de chegada em um extraordinário tempo de 2h39min43s, conquistando o 17º lugar na classificação geral de uma das maratonas mais difíceis do país e estabelecendo um recorde pessoal que perduraria anos até ser quebrado.




E o melhor ainda estava por vir.
Além do excelente resultado geral, subi ao pódio com o 3º lugar na fortíssima categoria de 30 a 34 anos e ainda recebi R$ 400,00 em premiação. Quase um salário mínimo na época. 
Até quis dividir o valor com o treinador, mas ele recusou receber, alegando que eu mereci aquele prêmio por todo esforço e dedicação que eu tinha nos treinos.




E aquela prova me ensinou algo que levaria para toda a vida: os maiores desafios não existem para nos parar, mas para revelar a força que ainda não sabemos que temos.

Minha segunda maratona não foi apenas mais uma corrida. Foi a confirmação de que eu podia sonhar mais alto.


Smanhoto, Tutta e Magaiver
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Leia também:

A Minha 1ª Maratona




domingo, 28 de junho de 2026

A Minha 1ª Maratona (São Paulo 2008)

Toda grande história tem um começo. A minha começou em 1994, quando tive meu primeiro contato com o atletismo. Naquela época eu não imaginava onde aqueles primeiros passos poderiam me levar. Os anos passaram e somente no ano 2.000 é que comecei a treinar depois de incentivado por um amigo.
Em 2004 veio a primeira participação na São Silvestre. Em 2007, comecei a me dedicar de forma mais dedicada e veio o primeiro pódio. E em 2008 nasceu um sonho ainda maior: correr uma maratona.



A prova foi escolhida a dedo. Não poderia ser qualquer uma. Seria a Maratona Internacional de São Paulo, disputada no dia 1º de junho, justamente no dia do meu aniversário. Que presente poderia ser maior do que desafiar os lendários 42.195 metros?




Naquele período eu treinava sob a orientação do professor Luiz Carlos Smanhoto. Porém, inicialmente, não contei a ele sobre meu desejo de encarar a maratona. Ele me passava os treinos normalmente, e eu, ao final de cada sessão, acrescentava alguns quilômetros extras. Era a minha forma silenciosa de construir a resistência necessária para enfrentar o maior desafio da minha vida esportiva até aquele momento.




Quando ele descobriu meus planos, cerca de 45 dias antes da prova, passou a direcionar minha preparação com treinos específicos. A evolução foi rápida. Vieram longões, sessões exigentes e muita confiança. A cada semana eu acreditava um pouco mais que aquele sonho seria possível.

Chegou então o momento de viajar para São Paulo.

Para um atleta do interior, tudo era novidade. A cidade enorme, o movimento intenso, os lugares famosos que eu só conhecia pela televisão. E naquele momento tive um apoio fundamental da minha tia Maria, hoje em memória. Foi ela quem me ajudou na logística da prova, levando-me até a Ponte Estaiada, em frente à Rede Globo, local da largada. Depois, seguiu para o Parque Ibirapuera para me esperar na chegada. Um apoio fundamental.
Talvez ela nem imaginasse que estava participando de um dos capítulos mais importantes da minha história.




Acessei minha baia de largada e aguardei o sinal de partida. Naquele instante, sem perceber, eu estava iniciando uma jornada que transformaria minha vida para sempre.

Confesso que não me lembro de muitos detalhes da prova. Afinal, já se passaram muitos anos. Mas algumas lembranças permanecem vivas.

Lembro que não caminhei um único metro sequer.
Lembro também que, em determinado momento, eu e mais três atletas erramos o percurso por conta de uma falha de sinalização. Felizmente foram poucos metros. Conseguimos nos localizar rapidamente e retornar ao trajeto oficial sem maiores prejuízos.

Mas existe uma recordação que guardo com carinho até hoje - o
s túneis.

Muitos corredores reclamavam do calor, do ambiente abafado e da dificuldade de correr por eles. Eu pensava exatamente o contrário. Garoto do interior, acostumado a uma realidade completamente diferente, achava aquilo extraordinário.
Passar correndo por dentro daqueles enormes túneis era algo fascinante. Eu me sentia vivendo uma experiência única.

Os quilômetros foram passando. 
A empolgação do início deu lugar ao cansaço. O cansaço deu lugar à dor. E a dor começou a testar tudo aquilo que eu havia construído durante meses de preparação.

Os quilômetros finais foram extremamente difíceis. 
Mas eu resisti.
Resisti com honra.
Resisti porque o sonho era maior do que qualquer sofrimento.

E então veio o momento que todo maratonista jamais esquece: a linha de chegada.
Abri os braços e cruzei aquele portal após 42.195 metros em impressionantes 2h47min53s. Um tempo fantástico para uma estreia e que confirmou que todo o esforço havia valido a pena.




Naquele dia eu me tornei maratonista.
Curiosamente, logo após a prova, fiz uma promessa que não durou muito tempo.
Disse que nunca mais correria uma maratona.




As dores dos quilômetros finais haviam sido tão intensas que parecia impossível querer repetir aquela experiência.
Mas bastou voltar para Ubiratã.
Bastou conversar com meu treinador.

Quando ele comentou que em Foz do Iguaçu haveria uma maratona com premiação em dinheiro e que eu teria chances de conquistar um grande resultado, toda aquela conversa de "nunca mais" desapareceu rapidamente.

Não pensei duas vezes.

Poucos dias depois eu já estava treinando novamente.

E foi assim que começou uma história que atravessaria décadas, levaria o nome de Ubiratã para inúmeras cidades, estados e grandes competições, e transformaria aquele garoto sonhador no atleta que muitos hoje conhecem como Tutta Maratonista.

Mas essa é uma história para o próximo capítulo.

Até lá...





Tia Maria ...

sábado, 13 de dezembro de 2025

Corrida Nº 265 - Maratona de Jurerê (Jurerê-SC) 02nov2025

CINCO SEMANAS.

Esse foi o tempo entre cruzar a linha de chegada da Maratona de Criciúma — a minha 43ª, completada em 2h49 sob muito esforço — e embarcar novamente rumo a mais um desafio de 42 quilômetros.
Cinco semanas apenas… e lá estava eu, com a mala na mão, a fé no peito e o coração pulsando pela 44ª maratona da minha vida.
E, mais uma vez, Santa Catarina seria o palco.
O mesmo estado onde no ano passado conquistei o 5º geral em Jurerê e ainda registrei meu recorde pessoal.
Mas desta vez a história seria outra.

"Sou o reflexo de cada quilômetro que não abandonei."



Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 265
Nome da prova: Maratona de Jurerê
Cidade: Jurerê-SC
Data: Domingo, 02 de Novembro de 2025
Distância: 42,2kms
Tempo: 2h56min49seg
Média por quilômetro: 4min11seg
Classificação geral: 23º lugar
Atletas no geral: 488 atletas concluintes
Classificação na categoria por faixa etária 45/49 anos: 2º lugar
Atletas na faixa etária: 62 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 150 pódios
Pódios por classificação geral: 67 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 75 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 454



Um atleta cansado, mas nunca derrotado 

O plano para 2025 em Jurerê não era voar.
O corpo já vinha pedindo descanso: meses seguidos de trabalho pesado, finais de semana sem pausa, treinos exaustivos, acúmulo de provas e a recente maratona em Criciúma ainda ecoando em cada fibra muscular.
Ainda assim, existia dentro de mim um objetivo silencioso, quase teimoso: correr abaixo das 3 horas novamente.
Se viesse algo abaixo das 2h50, melhor ainda. Mas o foco era honrar minha trajetória e fechar o ciclo de maratonas do ano em grande estilo. Mas, não buscar um novo recorde.

E assim começou a jornada rumo a Jurerê.

Na sexta-feira, dia 31 de outubro, às 15h15, deixei Ubiratã juntamente com minha esposa e enteado.
Ônibus para Campo Mourão. Depois, às 20:00 horas, o ônibus que nos levaria para Florianópolis.
Chegamos por volta das 8h30 da manhã do sábado.

Enquanto esperava um amigo chegar de São Bernardo do Campo, tomamos café ali mesmo, na rodoviária. Depois pegamos um outro ônibus e seguimos para Jurerê e fomos direto para a retirada do kit — e logo em seguida para a pousada Central Mar em Canasvieiras, onde felizmente o proprietário liberou o quarto antes do horário.

O kit da prova.


O dia seguiu leve: almoço, descanso, um tempo na beira-mar com a família e até a visita surpresa do irmão da minha esposa, que veio de Itajaí só para nos ver.
À noite, pizza… e cama depois das 22h.
Aquela era a calmaria antes da tempestade.

Acordei às 4h da manhã.
Um café rápido.
Mensagem para o Douglas e logo depois, o Marcos — que faria sua estreia em maratonas — passou para nos buscar.
Chegamos cerca de 40 minutos de antecedência.
Clima perfeito: friozinho leve, garoa fina, atmosfera de filme.

Nem levei a GoPro. A regra da Cbat era clara: acessório eletrônico poderia causar desclassificação. E eu não estava ali para correr riscos — estava ali para correr uma maratona. rsrs

Pronto para mais uma batalha.


Quando liberaram o acesso ao local de largada, procurei me posicionar perto do pórtico.
Na hora da largada, o pelotão de elite (que só tinha 7 atletas) largou cerca 20 segundos antes.
Achei desnecessário. Se eles são bons, tem que disputar de igual pra igual com nós amadores.
Mas, enfim ...

E, quando chegou a minha vez de largar…
Eu sabia: meu corpo não estava no nível do ano anterior, quando fiz 2h37 ali mesmo em Jurerê.
E sabendo disso, ajustei o Garmin para me avisar caso passasse de 3min50/km, mas o plano era controlar: correr perto de 4min/km na primeira metade e depois ajustar para algo como 4min15.

Km 1:
3:38
Km 2: 3:40

Sim, mais rápido que o planejado — mas fluía fácil, natural, sem esforço excessivo.
Logo no km 4 forma-se um grupo de aproximadamente seis atletas. No km 5 já estávamos fechados como um pelotão. Turnos espontâneos de liderança, incentivo mútuo, sincronia — parecia até que havíamos treinado juntos.

Não é só talento. É também muita garra.
Não é sorte. É muito treino e dedicação.
Não é pressa. É foco e determinação.


No km 10 passo com
38:30.
No km 15, perto de 57 minutos.
Um ritmo sólido, firme, esperançoso.
Mas maratona é uma prova que sempre cobra seu preço.

Depois do km 20, o grupo começou a se desfazer.
Alguns aceleraram, outros ficaram.

E eu comecei a sentir o cansaço chegar em ondas silenciosas.
Passei a meia com 1h21 — uma marca excelente, mas meu corpo já mostrava sinais de desgaste. Logo depois, meus quilômetros começaram a ultrapassar a barreira dos 4 minutos.

Km 26, 27, 28…
Vários trechos acima de 4min10.
Chego ao km 30 ainda num ótimo tempo total, mas com as reservas se acabando.
E então, como diria o Chico da Tiana: Dali pra frente foi só pra trás. kkkk

O corpo pediu socorro.
A mente lutou.
O coração não deixou eu parar.

Km 34: pace de 4:45.
Caminhei por uns 50 metros para tomar uma Coca-Cola.
O mundo girou, mas eu segui.

Km 38: mais uma caminhada curta e logo passei
 em frente à chegada — mas ainda precisava fazer o retorno final.
Doía a alma ver a linha de chegada tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe. rsrs

Km 40: quase passando mal.
Relógio marcando algo entre 2h44 e 2h45.
Eu estava “aéreo”, lutando comigo mesmo.

Um atleta me ultrapassa, vê meu sofrimento e me incentiva.
Era justamente o campeão da minha categoria.
No último retorno, vi o Edu Garcia do outro lado — que seria o terceiro da categoria - um incentiva o outro. 

E esse encontro, as palavras, aquela troca de energia
 reacendeu a chama e eu não caminhei mais.
Corri. Devagar, mas corri. kkkk
Com orgulho.
Com vontade.
Com a certeza de que desistir jamais seria uma opção.

Vinha exausto, quase no limite.
Fiz uma última curva a esquerda e entrei nos 200 metros finais e cruzei a linha de chegada com
2h56min49s.
Meu pior tempo em Jurerê.
Meu pior tempo em maratonas em Santa Catarina.
E, ainda assim … Uma das chegadas das quais mais me orgulhei.

Não por apenas ter completado mais uma maratona. Mas, por ver minha esposa ali, torcendo por mim.
E também por saber que naquele dia não venceu quem correu mais rápido.
Venceu quem não desistiu.
Venceu quem honrou o próprio limite.
Venceu quem, mesmo cansado e esgotado, correu com o coração.

E assim fui eu...

Sub-3 novamente.
Maratona nº 44 concluída.
2º lugar na categoria.

Nada — absolutamente nada — para reclamar.
Só agradecer.

"Cada passo foi muito difícil. Mas, o sorriso no rosto explica o final.
Batalha vencida."


Ao final, precisei de assistência médica. Minha pressão baixou.
Mas, logo já estava bem novamente e já pude continuar a hidratação. Jurerê dá show de hidratação.
Tem de tudo que um atleta possa imaginar.
Depois ainda, fiz um tratamento com uma "botas" que inflam - não sei o nome - mas foi super relaxante.

Por fim, fui aguardar a chegada dos novos maratonistas de Ubiratã.

O primeiro a chegar foi o Marcos que fez uma excelente estreia (3h51min55seg).
Depois a Natalie com 4h4min26seg e já estreou conquistando pódio. Ela foi a 2ª colocada em sua categoria.
Depois veio o Lucas com 4h49min14seg e por fim, Heliton que fez uma excelente preparação, mas acabou sentindo câimbras durante o percurso e acabou só administrando sua estreia até cruzar linha de chegada com 4h50min53seg.
Teve também o ultramaratonista, Vitor, de Ubiratã que fez os 21kms o sábado e fechou a prova em 1h56min51.

Orgulho demais dessa turma que leva nossa cidade cada vez mais longe.


Depois da batalha, o merecido descanso

Após a prova e a premiação, voltei ao hotel e aproveitei dois dias incríveis com a família nas praias de Canasvieiras.
Voltamos no dia 4 de novembro, levando na bagagem não só medalhas — mas memórias, aprendizados, superação e uma certeza: A maratona 44 não foi sobre tempo. Foi sobre caráter. Foi sobre resiliência. Foi sobre continuar.

E que venham as próximas, porque eu já nasci pronto.


Segue abaixo algumas fotos:

A bela camiseta e o meu numeral da prova.
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Completando minha 44ª maratona.
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Completada mais uma maratona.
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Os 30 primeiros colocados nos 42kms masculino.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser vista no site Runking.com.br.
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Pódio da categoria 45/49.
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"A dedicação aos treinos se transforma em desempenho - e o prazer da conquista completa tudo."
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Os 10 primeiros colocados da faixa etária 45/49.
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"Cada maratona completada carrega uma emoção diferente, muito orgulho e uma felicidade que não se explica."
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Com o amigo ubiratanense Marcos. Estreante em maratonas.
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Com o amigo Douglas de São Bernardo do Campo.
Ele completou a maratona com 4h59min01seg.
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Galera de Ubiratã em Jurerê.
Rafaela, Lucas, Leide, Tutta, Heliton, Lucas, Natalie, Matheus e Vitor.
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A medalha da prova.
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O troféu.