terça-feira, 20 de outubro de 2026

Corrida Nº 276 - 19º Desafio de Equipes - Cascavel-PR (19jul2026)

Uma semana inteira lutando contra uma gripe forte. Sete dias sem treinar, noites mal dormidas, dor de garganta, tosse e uma quantidade de medicamentos que parecia não ter fim. Definitivamente, não era o cenário que eu imaginava para chegar a Cascavel e encarar mais uma edição do Desafio de Equipes. Mas a paixão pelo atletismo tem dessas coisas: nem sempre encontramos as condições ideais, e é justamente nesses momentos que descobrimos a força que ainda existe dentro de nós.

“Nem sempre estaremos nas melhores condições, mas precisamos estar sempre dispostos a dar o nosso melhor e lutar até o fim.”



Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 276
Nome da prova: 19º Desafio de Equipes
Cidade: Cascavel-PR
Data: Domingo, 19 de Julho de 2026
Distância: 7kms
Tempo: 25min33seg
Média por quilômetro: 3min39seg
Classificação geral entre todos os atletas: 23º lugar
Atletas no geral: 202 corredores
Classificação geral entre os atletas das equipes mista: 4º lugar
Atletas masculinos nas equipes mistas: 111 corredores
Colocação dentro da equipe: 3º lugar
Atletas masculinos na equipe: 3 atletas
Classificação geral da equipe: 1º lugar
Total de equipes mistas: 37 equipes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 159 pódios
Pódios por classificação geral: 72 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 9 pódios
Número de peito: 306


Mais uma vez, fui representar a equipe Edu Antunes no Desafio de Equipes em Cascavel, agora vivendo uma experiência inédita na minha trajetória dentro da competição: pela primeira vez, integrando uma equipe mista. Ou seja, equipe com 3 homens e 3 mulheres.

A expectativa quanto ao meu desempenho era pequena. Eu sabia que estava longe da minha melhor condição física e não tinha como prever a resposta do corpo depois de uma semana tão complicada. Conversei com o Edu, expliquei a situação e, mesmo diante das incertezas, ele confiou em mim e me deu a oportunidade de fazer parte do time. Aquela confiança tinha um peso especial. Eu precisava honrá-la da melhor maneira possível.

Às 2h20 da madrugada, saí de casa com minha esposa, que iria prestigiar a prova. Seguimos para a rodoviária de Ubiratã e, às 3h05, embarcamos no ônibus da empresa Penha rumo a Cascavel. Chegamos por volta das 5h30 e fomos direto para o Lago Municipal, palco deste desafio.

A temperatura estava excelente para correr, mas o vento forte já dava sinais de que os sete quilômetros não seriam tão simples. Naquele momento, eu não fazia ideia do que conseguiria entregar. Depois de tantos anos no atletismo, aprendi que experiência não significa ter todas as respostas. Significa saber lidar com as incertezas, respeitar as condições do momento e estar preparado para lutar com aquilo que temos à disposição.

Então veio a largada...

E, como acontece tantas vezes, bastaram os primeiros passos para que a cabeça mudasse de lugar. A gripe, os medicamentos, as noites mal dormidas e os dias sem treinamento ficaram momentaneamente para trás. Minha concentração estava na corrida, no ritmo e em cada metro do percurso.

O primeiro quilômetro saiu em 3min30s. Forte, muito forte para quem havia passado por uma semana daquelas. Tentei controlar o entusiasmo e encontrar um ritmo mais adequado à minha condição, mas o segundo quilômetro veio ainda mais rápido: 3min28s.

O corpo parecia responder melhor do que eu esperava, e isso renovava minha confiança. Porém, a corrida sempre cobra atenção. No quilômetro seguinte, encontrei uma combinação difícil: vento contra e subida. O ritmo despencou para perto dos 3min50s, e ali foi preciso aceitar o desafio, ajustar a passada e continuar brigando. Nem todo quilômetro será bonito no relógio. Alguns exigem mais força mental do que velocidade, e são justamente esses que colocam à prova a nossa capacidade de seguir em frente.

“O corpo não estava nas melhores condições, mas as passadas mostravam que a vontade de competir continuava intacta.”


Quando entrei na pista do Lago Municipal, consegui estabilizar o ritmo e segui na casa dos 3min40s a 3min45s. Não era uma média tão boa como eu gostaria, mas para o momento foi o que fui capaz de fazer e mesmo assim fui recuperando posições e com isso a linha de chegada ia ficando cada vez mais perto. Sei que não havia espaço para lamentar a semana perdida ou pensar no que poderia ter sido diferente. Restava aproveitar cada força disponível e entregar o melhor que aquele dia permitia.

Ainda encontrei forças no último quilômetro para acelerar e fechar em 3min37s e cheguei para cruzar a linha de chegada com o tempo de 
25min33s nos sete quilômetros, mantendo um pace médio de 3min39s/km.

“Nem mesmo a última subidinha do percurso foi capaz de diminuir o ritmo. A passada continuou forte, porque, mesmo longe das condições ideais, eu não tinha ido até ali para brincar!”


Um resultado excelente diante das circunstâncias!
Eu havia chegado à prova sem saber como o organismo reagiria e terminei mostrando que, mesmo longe da condição ideal, ainda era possível competir em alto nível. Não foi uma corrida construída em uma semana perfeita de preparação. Foi uma resposta de quem carrega anos de experiência, disciplina, constância e uma vontade enorme de continuar evoluindo.

Entre todos os atletas classificados, terminei na
23ª colocação geral. Já entre os atletas que integravam as equipes mistas, conquistei o 4º lugar individual. E, dentro da própria equipe Edu Antunes, fui o terceiro homem mais bem colocado. Ou seja, fui o último entre os três homens da nossa equipe! rsrs.

Mas, brincadeiras à parte, esse resultado também tem seu valor. Eu sabia das condições em que havia chegado àquela prova e do quanto precisei superar para entregar aquele desempenho. Não estava na minha melhor forma, mas fiz a minha parte e contribuí para o objetivo que nos unia.

E é justamente aí que o esporte coletivo mostra uma de suas maiores belezas: nem sempre precisamos ser o destaque individual para fazer parte de algo grandioso. Cada atleta tem sua importância, cada resultado conta e cada integrante precisa cumprir seu papel para que o objetivo comum se torne realidade.

Meu nome não estava no topo da classificação individual, mas estava entre aqueles que ajudaram a construir uma conquista histórica.
E isso também tem muito valor.

E, se pra mim o desempenho individual já havia sido motivo de satisfação, o que veio depois tornou aquele dia ainda mais especial.
A equipe Edu Antunes conquistou o título geral na categoria mista, da qual fiz parte, e protagonizou um feito histórico nas 19 edições do Desafio de Equipes: campeã geral nas três modalidades disponíveis — masculina, feminina e mista!

Uma conquista extraordinária, construída pela união, pela dedicação e pelo comprometimento de cada integrante. Quando o resultado coletivo alcança uma dimensão dessas, a alegria vai muito além do troféu. É a satisfação de saber que cada um contribuiu com aquilo que tinha de melhor para colocar o nome da equipe no lugar mais alto do pódio.

Equipes: Masculina, Mista e Feminina - campeões gerais.


Foi festa, comemoração e a sensação de ter vivido algo realmente marcante!

No encerramento, veio o troféu, simples, como costuma acontecer nos desafios de equipes, mas carregando um significado que vai muito além do valor material.
Também houve uma pequena premiação em dinheiro: R$200 que já ajudou em parte das despesas.

Para mim, aquele pódio representava uma vitória contra as dúvidas que levei de casa, contra as limitações daquela semana e contra a incerteza de não saber como seria capaz de competir.

Eu não estava 100%. Não tinha a preparação que gostaria, tampouco as condições ideais para correr. Mas não usei isso como desculpa para desistir. Fui, encarei o desafio e entreguei o que estava ao meu alcance. E saí de Cascavel com um excelente resultado individual e fazendo parte de uma equipe campeã.

É assim que venho construindo minha trajetória no atletismo: uma prova de cada vez, aprendendo com os dias bons e, principalmente, com aqueles dias em que tudo parece mais difícil. Quem corre há tantos anos sabe que a evolução não acontece apenas nos treinos perfeitos ou nas competições em que tudo dá certo. Ela também nasce nos momentos de incerteza, quando precisamos adaptar os planos, controlar as expectativas e encontrar forças para continuar.

Meu agradecimento especial ao Edu Antunes, pelo convite, pela confiança e pela oportunidade de integrar essa equipe extraordinária. Minha gratidão também a todos os companheiros de equipe, pela garra, pela determinação e pelo espírito de união que fizeram dessa conquista um momento inesquecível. Parabéns a todos por esse resultado histórico!

Voltei para casa com a satisfação de quem fez o que precisava ser feito, mesmo sem estar nas melhores condições. Mais uma experiência para guardar na memória e mais um capítulo de uma caminhada que continua sendo escrita com suor, persistência e paixão pelo esporte.

Porque a verdade é que nem sempre estaremos bem. Haverá semanas difíceis, dores, imprevistos e momentos em que a confiança parecerá menor do que os desafios à nossa frente. Nessas horas, precisamos ter sabedoria para respeitar nossos limites, mas também coragem para não permitir que as dificuldades decidam tudo por nós.

Nem sempre podemos escolher as condições em que vamos lutar, mas podemos escolher a atitude com que enfrentaremos cada desafio.

Naquela manhã, em Cascavel, eu não cheguei à largada na minha melhor forma. Cheguei com dúvidas, limitações e uma semana difícil nas costas. Mas cruzei a linha de chegada com um excelente resultado e a alegria de fazer parte de uma conquista histórica.

E é isso que levo comigo: não precisamos estar sempre no nosso melhor para dar o nosso melhor.

Às vezes, a maior vitória não é correr como gostaríamos. É encontrar forças para continuar, confiar na nossa trajetória e descobrir que ainda somos capazes de surpreender a nós mesmos.

Enquanto houver vontade de lutar, haverá uma oportunidade de superar limites.
E enquanto houver paixão pelo que fazemos, sempre existirá um motivo para seguir em frente!


Segue abaixo mais algumas fotos:
 
Antes da prova.
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Depois da prova.
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Equipe Mista Campeã com o treinador Edu Antunes.
Matheus: 24min59s
Marcelo: 24min35s
Tutta: 25min33s
Clarice: 31min14s
Camila: 31min04s
Hikari: 33min47s
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Equipe Edu Antunes.
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Troféu e medalha da prova.
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Os 10 primeiros colocados gerais dentre os atletas das equipes mistas.
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Até a data desta publicação a classificação completa do evento poderia ser visualizada no site rodrigocirilo.com.br


terça-feira, 6 de outubro de 2026

Corrida Nº 275 - 2ª Maratona Internacional de Praia Grande - Praia Grande-SP (21jun2026)

Dessa vez, viajei sem avisar ninguém. Queria um momento só meu: eu e a maratona, sem alarde, sem expectativas criadas por ninguém, apenas a vontade de viver aquela experiência.
E cheguei em Praia Grande com uma expectativa, uma previsão de tempo e a esperança de fazer uma boa maratona. Mas, às vezes, a realidade consegue ser ainda melhor do que aquilo que a gente imagina. E foi exatamente isso que aconteceu nos 42 quilômetros da minha 46ª maratona.

“Cada quilômetro foi respondendo uma pergunta que eu carregava antes da largada: até onde eu conseguiria ir?”



Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 275
Nome da prova: Maratona de Praia Grande
Cidade: Praia Grande-SP
Data: Sexta-feira, 21 de Junho de 2026
Distância: 42,195kms
Tempo: 2h43min24seg
Média por quilômetro: 3min43seg
Classificação geral: 16º lugar
Atletas no geral: 1.043 concluintes
Classificação na faixa etária 40/49: 6º lugar
Atletas na faixa etária: 422 corredores
Número de pódios (fora de Ubiratã): 158 pódios
Pódios por classificação geral: 72 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 43459


O início de 2026 não foi exatamente como eu gostaria. Os treinos foram turbulentos, com dificuldades para encaixar uma sequência consistente. Mas quem corre há tantos anos aprende uma coisa: nem sempre o processo acontece no ritmo que planejamos. O importante é não parar.

A partir de maio, consegui finalmente encaixar boas rodagens, com ritmos que começaram a devolver confiança. Aos poucos, aquela sensação de que o corpo estava respondendo foi aparecendo novamente. Nas duas últimas semanas, reduzi a carga, fiz treinos mais leves e alguns pedais para complementar a preparação. Foram cerca de 50 dias construindo, passo a passo, a preparação para a segunda maratona do ano e a 46ª da carreira.

Na sexta-feira, 19 de junho, começou outra parte da história.
Depois de uma hora de atraso, embarquei no ônibus da Brasil Sul rumo a São Paulo. De lá, segui de metrô até a estação Jabaquara, onde encontrei meu amigo Douglas.
Às 8h30, pegamos o ônibus da Viação Cometa com destino a Praia Grande, cidade que seria o palco da minha 46ª maratona.
Cerca de uma hora e meia depois, estávamos em Praia Grande. O tempo estava nublado e a temperatura, excelente para correr.

Segui a pé com o Douglas e o Marlon, atleta que conheci no ônibus. Fomos primeiro até o local da entrega dos kits e, depois, novamente caminhando, seguimos até o apartamento que eu havia reservado na Vila Nova Mirim.
Depois do check-in, veio o almoço e um pouco de descanso.

Na entrega dos kits.


Às 18h, eu e Douglas saímos novamente a pé, dessa vez para conhecer o caminho até a largada e calcular o tempo de deslocamento. Era aproximadamente 1 km, algo em torno de 10 minutos de caminhada.
Antes de voltar, jantamos e compramos alguns itens para o café da manhã.
Por volta das 21h30, fomos dormir. Ou pelo menos tentar.

Às 3h45 precisava acordar. A largada seria às 5h da manhã.
Até caiu uma chuvinha depois das 20h, mas a previsão não indicava chuva durante a prova. A temperatura deveria ficar entre 15 e 23 graus.
O problema foi outro: a ansiedade.

Não sei se era a expectativa, a responsabilidade ou simplesmente aquela velha sensação que antecede uma maratona, mas praticamente não consegui dormir. Levantei três vezes durante a noite para ir ao banheiro e às 3h30, desisti de tentar dormir e levantei de vez.

Preparei-me, tomei o café da manhã e saí.
Estava friozinho. Mas era aquele frio suportável, quase perfeito para quem vai encarar 42,195 km.
Cheguei ao local da prova, procurei o guarda-volumes e, faltando aproximadamente meia hora para a largada, tirei o agasalho e deixei meus pertences com a organização. Então caminhei até o pórtico.
Era hora de esperar.

5h.
Pontualmente, a largada aconteceu.
E naquele instante tudo aquilo que havia ficado para trás — os treinos difíceis, a preparação, a viagem, a ansiedade, a noite mal dormida — ficou para trás também.

Meu objetivo era claro: terminar abaixo de 2h48. Para isso, ajustei o Garmin para um ritmo de 3min55s/km.

Talvez por isso eu tenha preferido não avisar ninguém. Queria viver aquela maratona do meu jeito, sem precisar explicar expectativas, sem criar cobranças e sem transformar a prova em algo que precisasse ser contado antes mesmo de acontecer. Era apenas eu, a estrada e aquilo que eu tinha ido buscar em Praia Grande.

Mas a adrenalina falou mais alto.
Assim que larguei, saí um pouco mais forte.
O percurso era extremamente favorável, praticamente todo plano, e o corpo respondeu bem. Na maior parte da prova, corri abaixo do ritmo planejado, mantendo geralmente entre 5 e 10 segundos de vantagem por quilômetro. Em alguns momentos, até mais.

Pouco depois do km 9, fizemos um retorno. Olhei do outro lado da avenida e contei os atletas que estavam à minha frente.
Eram 22.
Pouco depois, completei os 10 km com o tempo próximo dos 38 minutos.

O batidão continuava.
Eu estava dentro da prova. Correndo em um ritmo mais rápido que o previsto. Mas, sentia-me muito confortável.

Quando me aproximei novamente da região da largada, a vibração do público serviu como combustível. Aquele barulho, aquelas pessoas, aquela energia... tudo ajudava a manter a concentração e a passada firme.

Completei a meia maratona em aproximadamente 1h19.
Era um ritmo muito forte.
Mas eu estava bem.
A estratégia passou a ser simples: continuar daquele jeito enquanto o corpo permitisse.

Cheguei ao km 30 em 1h53.
E o mais impressionante é que ainda não havia aquele cansaço brutal que normalmente começa a aparecer nessa altura de uma maratona.
Talvez porque eu estivesse bem preparado.
Talvez porque o percurso ajudasse.
Talvez porque, depois de tantos anos correndo, eu tenha aprendido a respeitar o sofrimento sem deixar que ele tome conta da cabeça.

Mas, havia um detalhe importante: eu tinha passado por uma viagem de quase 15 horas e, no dia anterior, caminhado mais de 10 km entre rodoviária, entrega de kit e apartamento e isso poderia pesar no final.
Mas naquele momento nada disso parecia importar.
Eu estava correndo.
E estava correndo bem.

Antes do segundo e último retorno, comecei a alcançar os atletas da meia maratona, que haviam largado um pouco depois.
E aí veio uma das partes mais complicadas da prova.
Depois do retorno, o fluxo de corredores ficou intenso. Muitos atletas fechavam a passagem e eu precisei gritar várias vezes para que deixassem o lado esquerdo livre.

Alguns ouviam e abriam espaço.
Outros estavam de fones de ouvido e simplesmente não escutavam.
Era preciso encontrar brechas, mudar a linha, acelerar, desacelerar e continuar avançando.

Só que a maratona começava a cobrar.
No km 36, pela primeira vez, meu ritmo passou dos 4 minutos por quilômetro.
No quilômetro seguinte, senti uma fisgada na panturrilha.
Foi aquele momento em que o corredor precisa conversar consigo mesmo.

Forçar? 
Parar? Ou diminuir?

A vontade de continuar forte estava ali, mas eu sabia que uma câimbra poderia transformar uma excelente maratona em um problema sério.
Então fiz o que a experiência ensina: reduzi um pouco o risco.
A essa altura, eu já estava extremamente satisfeito com o que havia construído.
Não precisava provar mais nada.
Era hora de administrar.

Os últimos quilômetros já não eram mais de buscar velocidade, mas de correr com inteligência.
Cada passo precisava ser controlado.
Cada sensação precisava ser respeitada.
E então veio a chegada.

Cruzar aquela linha depois de 42,195 km nunca é apenas terminar uma prova.
É olhar para trás e perceber quantas vezes foi preciso continuar quando seria mais fácil parar.

Parei o relógio em 2h43min24s.
Meu quinto melhor tempo em maratonas.
Minha 27ª maratona abaixo das 3 horas.
E a 46ª maratona da carreira.

Foi uma chegada que me trouxe uma alegria enorme. Mais do que o tempo, fiquei satisfeito por sentir que tudo havia encaixado perfeitamente e que eu tinha conseguido entregar uma maratona da maneira que esperava.

Depois da experiência difícil da Maratona de Cascavel, em abril, quando passei mal no final, terminar dessa maneira teve um significado ainda maior. Dessa vez, o corpo respondeu, a preparação encaixou e consegui chegar inteiro.

Como comentei no início, foram cerca de 50 dias de preparação. Pouco tempo na verdade, mas foram 50 dias dedicados e que fizeram diferença.

E fica aquela sensação de que, com mais um mês de treinos, talvez fosse possível buscar algo ainda maior, quem sabe até brigar pelo recorde pessoal.

O percurso ajudou muito. Foram apenas 25 metros de elevação acumulada, tornando essa a maratona mais plana que já corri.

Faltou apenas o pódio. Mas, ele não veio.
Terminei em 16º lugar na classificação geral e 6º na categoria estendida de 40 a 49 anos
Mas, já viajei para Praia Grande sabendo que não daria pódio.
Claro que seria especial se viesse. Seria uma maneira de coroar ainda mais essa participação e tudo aquilo que venho construindo ao longo dos anos.

Mas pódio nenhum consegue medir o tamanho de uma jornada.
E essa jornada foi grande.

A medalha, por sinal, foi espetacular: uma estrela-do-mar que se abre e revela os 42,195 km da prova. Um símbolo bonito para guardar mais uma história.

Como pontos negativos, ficam apenas a falta de banheiros químicos ao longo do percurso e a ausência de premiação de cinco em cinco anos nas categorias por faixa etária já que elas foram subdivididas de 10 em 10 anos. De resto, considero a prova espetacular.

Depois da chegada, fiquei aguardando o Douglas. Seguimos para o apartamento, fizemos o check-out e, ao meio-dia, eu já estava na rodoviária pegando o ônibus de volta para São Paulo.

De São Paulo, peguei um voo rumo a Maringá.
Depois, mais um ônibus com destino final em Ubiratã.
Cheguei em casa às 3h40 da manhã.
Quase 24 horas depois de acordar para correr, a viagem finalmente terminava.
Mas a história, não.

Porque cada maratona deixa uma marca. Algumas ficam pelo tempo. Outras pelo pódio. Outras pela dificuldade. 
E algumas ficam simplesmente porque nos lembram do que somos capazes quando decidimos continuar.

A 46ª maratona foi mais um capítulo dessa construção.
Não foi apenas uma corrida de 42,195km.
Foi mais um passo rumo ao sonho maior.
Maratona 50 segue viva.

E enquanto houver estrada, haverá sempre um próximo quilômetro.
O tempo pode mudar, os desafios podem mudar, mas uma coisa continua igual: eu ainda quero seguir em frente até a maratona 50, e além ....


Segue abaixo algumas fotos:


Meu numeral.
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“Não foi apenas mais uma maratona. Foi a prova de que ainda havia muito para buscar.”
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Após a prova.
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Com o amigo Douglas.
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Certificado.



Os 16 primeiros colocados nos 42km masculino.
Até a data desta publicação os resultados completos poderiam ser acessados através do site Global Cronometragem.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A Minha 8ª Maratona (Porto Alegre 2014)

Fiquei por três anos desejando correr a Maratona de Porto Alegre, até que finalmente chegou o momento de realizar aquele sonho.

Era 18 de maio de 2014.
Mas, apesar da vontade de estar ali, eu não chegava para a prova com aquela confiança toda.
Minha preparação havia sido curta: apenas 55 dias. E naquele período, corri pouco mais de 400 quilômetros e, quando segui para o Rio Grande do Sul, carregava comigo uma sensação difícil de ignorar: a impressão de que havia faltado alguma coisa na preparação.

Talvez mais quilômetros. Talvez mais tempo. Talvez simplesmente a segurança que uma preparação mais longa costuma trazer.
Mas agora não havia mais o que fazer.
Era largar e correr.




A organização da prova tinha seus pontos muito positivos. Houve translado do aeroporto e da rodoviária para a retirada dos kits e, depois, transporte até os hotéis. No dia da maratona, os atletas também contavam com transporte dos hotéis conveniados até a largada e, depois, de volta.
A hidratação ao longo do percurso também foi muito boa, com água e Gatorade.
O percurso, porém, não me pareceu exatamente aquilo que eu tinha ouvido falar.
Diziam que Porto Alegre era uma maratona bem plana.

E eu encontrei algumas “subidinhas”. rsrs
Nada muito íngreme. Nada muito longo. Mas eram várias.
E maratonista sabe: depois de alguns quilômetros, qualquer subida começa a ter opinião própria.

Na véspera, ainda fiz um pequeno pedal com um amigo que morava em Porto Alegre. Uma maneira de aproveitar um pouco a cidade antes de enfrentar os 42 quilômetros do dia seguinte.




Então chegou o domingo.

E dormi pouco. A ansiedade bateu forte e acordei por volta das 3 da manhã e a largada seria somente às 7h, então ainda havia bastante tempo para esperar, pensar e, principalmente, tentar não pensar demais. rsrs

Por volta das 6 horas, segui para o local da largada.
O clima estava praticamente perfeito para correr. Céu nublado, muitas nuvens e temperatura em torno dos 15 graus.
Não dava para reclamar.

Às 7 horas, pontualmente, começou a minha 8ª maratona.
E eu comecei com calma.
Calma até demais. rsrs
No km 2, meu tempo acumulado era de 8min40seg. Uma média de 4min20seg por quilômetro.

Eu tinha ido para Porto Alegre sem tanta confiança, mas também não pretendia deixar a prova escapar logo no começo. Então tratei de acelerar um pouco.
Depois do km 2, aumentei o ritmo. Não muito... mas aumentei.
Passei a correr entre 4min e 4min10seg por quilômetro.
Naquele momento, inclusive, havia um pequeno detalhe atrapalhando mais do que qualquer subida: uma vontade imensa de ir ao banheiro.
Mas fui levando.
Até que chegou uma hora em que eu simplesmente esqueci.
As dores musculares começaram a falar mais alto.

Por volta do km 5, encontrei o Dario, um amigo de Campo Grande, e seguimos juntos até aproximadamente o km 10, mantendo uma média próxima de 4min05seg por quilômetro.
Depois disso, ele ficou para trás e eu segui sozinho.
Mantive o ritmo.
Às vezes, até um pouco mais rápido.
E foi aí que comecei a perceber que, apesar da preparação curta, talvez aquela maratona pudesse ser melhor do que eu imaginava.

No km 15, meu tempo era inferior a uma hora.
E a estratégia que era tentar manter 4 minutos de média por quilômetro pelo menos até o km 25 estava funcionando.

E eu seguia.
Km após km.
Ritmo firme.
Cabeça no lugar.

Do km 10 ao km 20, fiz uma corrida muito boa.
Tão boa que comecei a fazer contas.
E quando um maratonista começa a fazer contas durante uma prova, normalmente é porque alguma esperança começou a aparecer. rsrs

Mantendo aquele ritmo eu imaginava que poderia terminar a prova perto de 2h50.
Aquele pensamento que, algumas horas antes, parecia distante, agora começava a ganhar forma.
Mas a maratona tem dessas coisas: Ela deixa você sonhar...E depois cobra a conta.

Depois do km 20, comecei a sentir uma pequena queda de produção.
O ritmo foi diminuindo gradativamente. Mas, ainda passei pela meia maratona muito bem. Com o tempo inferior a 1h24min.
Ainda era um bom tempo, mas eu já sabia que seria cada vez mais difícil sustentar aquele ritmo até o final.

Por volta do km 25, tentei tomar um gel para buscar um pouco de energia extra.
Era de chocolate. Ou pelo menos deveria ser. rsrs
Porque o gosto estava tão azedo que, depois de provar, pensei que talvez fosse mais seguro não arriscar.
Joguei quase todo fora.
Afinal, ainda faltavam 17 quilômetros e eu não queria transformar uma maratona difícil em uma maratona acompanhada de um problema estomacal.

E os quilômetros seguintes começaram a mostrar a verdadeira face da prova.
No km 27, minha média já havia passado novamente dos 4 minutos por quilômetro.
No km 30, o relógio marcava quase 2h02min.
No km 32, quase 2h10.
E a partir dali, eu já sabia que seria difícil.
Muito difícil.

As pernas estavam pesadas.
As dores aumentavam.
O corpo começava a cobrar cada um daqueles quilômetros corridos num ritmo forte.
Mas ainda havia uma coisa que eu tinha ao meu favor: eu sabia que conseguiria terminar abaixo das três horas.

E naquele momento a estratégia mudou.
Não precisava mais correr para 2h50.
Não precisava buscar um tempo extraordinário.
Era hora de sobreviver à maratona.
“É só trotar a 5 minutos por quilômetro nos 10 quilômetros que faltam. - pensei”
Foi fácil pensar.
Difícil foi fazer. rsrs

Do km 30 ao km 38, o ritmo caiu bem mais do que eu gostaria. É lógico que não chegou tão perto dos 5 minutos. Mas, e
m alguns momentos, cheguei à casa dos 4min30seg por quilômetro.
E ainda havia mais quatro quilômetros pela frente e tendência era do ritmo ainda mais.

Do km 38 ao 42, o ritmo passou dos 4min40seg.
Aquele 'sonho' das 2h50 já tinha ficado para trás.
A conta agora era outra.
Era olhar para o relógio, olhar para a distância restante e tentar encontrar dentro de mim o que ainda havia de força.

Pelos cálculos, com um pouco mais de esforço, eu poderia terminar em torno de 2h54.
Seria praticamente repetir o mesmo tempo das minhas duas maratonas anteriores: Rio de Janeiro, em 2012, e Brasília, em 2013.

Mas naquele momento eu já não tinha muito mais para entregar.
O corpo tinha chegado ao limite daquela preparação de apenas 55 dias.
E eu precisei aceitar que não dava para tirar mais alguns minutos na marra.

Mas, continuei.
Sem desistir.
Sem parar.
Até que finalmente os 42 quilômetros ficaram para trás.

Cruzei a linha de chegada em 2h55min22seg.
Não foi o 2h50 que, em determinado momento da prova, eu cheguei a imaginar.
Também não foi o 2h54 que minhas contas indicavam.
Mas foi ali, próximo. Bem próximo.




Agora o que menos impostava era o tempo.
O que importava é que eu havia concluído mais uma maratona.
Havia construído mais uma história.
Foi mais uma vez em que o corpo mostrou seus limites, mas a cabeça encontrou uma maneira de continuar.
E talvez essa seja uma das maiores verdades de uma maratona: 'nem sempre terminamos com o tempo que imaginamos na largada.
Mas sempre terminamos carregando aquilo que aprendemos durante os 42 quilômetros.'

Porto Alegre me ensinou que uma preparação curta pode até deixar dúvidas antes da largada, mas quando a prova começa, não adianta mais pensar no que faltou.
É preciso correr com aquilo que você tem.

Naquele dia, eu tinha pernas cansadas, dores, uma preparação que eu considerava insuficiente e um objetivo que foi mudando ao longo do caminho.
Mas tinha também vontade.
E foi ela que me levou até o fim.

E assim terminou a minha 8ª maratona.
2h55min22seg.
Mais uma maratona concluída.
Mais uma página escrita na minha história.
E ainda faltavam muitas páginas para completar esse livro.


📖
Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.














Leia também:

- A Maratona 1
- A Maratona 2
- A Maratona 3
- A Maratona 4
- A Maratona 5
- A Maratona 6
- A Maratona 7