terça-feira, 11 de agosto de 2026

A Minha 7ª Maratona

Algumas maratonas começam muito antes do dia da largada.

A minha 7ª foi em Brasília no dia 5 de maio de 2013 mas ela começou ainda no ano anterior, quando olhei a classificação geral e percebi que, com o tempo que eu costumava fazer nas maratonas, poderia terminar entre os dez primeiros colocados.
Aquilo ficou na minha cabeça.
E quando uma ideia entra na cabeça de um maratonista, ela costuma virar objetivo.

E para tentar transformar aquela possibilidade em realidade, fiz uma preparação de apenas oito semanas.
Treinava, em média, quatro dias por semana e, nesse período, percorri quase 450 quilômetros.
Não era uma preparação longa, mas era o que eu tinha e foi o suficiente para ganhar confiança.

Mas, na última semana, quase coloquei tudo a perder.
Após um simples treino na grama fiquei com a camiseta molhada de suor por mais tempo do que deveria e isso acabou me rendendo um resfriado.
A garganta inflamou. E ficou assim até o dia da maratona.
Felizmente, não chegou a atrapalhar meu desempenho.

Viajei para Brasília dois dias antes da prova e fiquei hospedado na casa dos amigos e companheiros de equipe, João e Izabel.

No domingo, acordei às 5h15.
Às 7 horas, pontualmente, foi dada a largada.

Eu tinha uma estratégia bem definida: tentar manter um ritmo próximo de 4 minutos por quilômetro até o km 30 e, depois disso, administrar até 4min30seg por quilômetro para buscar uma chegada por volta de 2h54.

Larguei cauteloso, sem sequer fazer aquecimento.
No km 1, 4min08seg. Depois encaixei o ritmo.
Quando completei o km 10, meu cronômetro marcava 38min48seg.
Eu estava abaixo da média que havia planejado. E isso era ótimo.

Já havia encaixado o ritmo e os quilômetros saíam entre 3min50seg e 4min05seg.
A corrida fluía muito bem, as pernas respondiam e, naquele momento, tudo parecia caminhar exatamente como eu havia imaginado.
Passei pela metade da prova, no km 21, com 1h22min.
O ritmo estava tranquilo.
O percurso também.
E um gel tomado pouco antes da meia maratona ajudava a manter as forças renovadas.

Mas uma maratona começa a mostrar quem realmente está preparado quando os quilômetros vão se acumulando.
E, conforme o km 30 se aproximava, o ritmo começou a diminuir.
Ainda conseguia correr próximo dos 4 minutos por quilômetro, exatamente como havia planejado.
Quando completei o km 30, o relógio marcava aproximadamente 1h58min.
Eu estava dentro da estratégia.
Só que, dali para frente, a história começou a mudar.

Até o km 32 ainda conseguia manter uma média próxima dos 4 minutos.
Depois disso, o ritmo foi caindo.
Cheguei, em determinado momento, perto dos 4min40seg por quilômetro.
Tentei outro gel.
Mas nem ele foi suficiente para devolver a energia que eu precisava para enfrentar os 10 quilômetros restantes.

E ainda havia um detalhe importante: 
o percurso começava a subir.
A cada subida, eu perdia tempo.
E quando finalmente aparecia uma descida, o corpo já não tinha forças para recuperar o que havia perdido.
Os últimos cinco quilômetros foram uma verdadeira pedreira.
E, se a memória não me trai, eram praticamente todos em subida.

Nos km 37 e 38, fui ultrapassado por dois corredores. O segundo era da minha categoria e terminou três minutos à minha frente. Tentar acompanhá-lo naquele momento poderia significar quebrar mais adiante. Então preferi administrar e garantir mais um sub-3h
.
Sabia que aquela era hora de administrar e mesmo se eu corresse a 5 minutos por quilômetro naquele final de prova, eu ainda conseguiria terminar abaixo das três horas.

E foi exatamente o que eu fiz.
Continuei no meu ritmo.
Sem tentar buscar aquilo que o corpo já não tinha.
Até que, faltando aproximadamente 500 metros para a chegada, apareceu o último desafio.
Uma rampa de cerca de uns 70 a 100 metros, ao lado do Congresso Nacional.
E que rampa!
Era muito íngreme.
Subi correndo. Mas, sinceramente, eu estava mais lento correndo do que estaria se tivesse alguém caminhando ao meu lado. rsrs

Só que, depois da rampa, veio aquilo que todo maratonista espera.
O pórtico de chegada apareceu. E, quando a gente avista a linha final, parece que o corpo encontra forças de algum lugar que a gente nem sabe explicar.
Consegui acelerar um pouco e cruzei a linha de chegada em 2h54min27seg.
Um tempo que, curiosamente, já havia aparecido para mim em um sonho alguns dias antes.




Mas a história daquele dia ainda não havia terminado.
Eu tinha um objetivo além do tempo.
No ano anterior, aquele resultado teria me colocado entre os dez primeiros da classificação geral e provavelmente me daria o primeiro lugar na faixa etária. E naquele ano (2013), eu acreditava que poderia brigar pelo pódio.
Só que, quando anunciaram os três primeiros colocados da categoria de 35 a 39 anos, meu nome não estava entre eles.
Fiquei frustrado. Mas, de certa forma, aceitei.

Até que o corredor que havia me ultrapassado no km 38 percebeu que havia alguma coisa errada e foi questionar a organização.
Outros atletas também começaram a conferir os resultados. E então fomos atrás.

Depois de alguns minutos de conversa, conferências de nomes, números e tempos registrados nos próprios cronômetros dos atletas, a organização refez a verificação e
 veio a confirmação: havia um erro na classificação.
O resultado foi corrigido.
E os verdadeiros merecedores do pódio foram chamados.
Dessa vez, meu nome estava lá: 3º colocado na categoria de 35 a 39 anos.




Aquele pódio teve um sabor diferente.
Não apenas pelo resultado.

Mas porque, depois de 42 quilômetros de esforço, quando parecia que a história já estava encerrada, ainda foi preciso lutar por aquilo que eu havia conquistado dentro da pista.
E assim subi ao pódio para celebrar uma das conquistas mais importantes daquele primeiro semestre de 2013.
Uma maratona de 2h54min27seg.
Um terceiro lugar.
E uma certeza que ficaria marcada comigo: "algumas conquistas não terminam quando cruzamos a linha de chegada. Às vezes, é preciso continuar lutando até que o resultado faça justiça a tudo aquilo que você foi capaz de conquistar."


📖
Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.

















sexta-feira, 31 de julho de 2026

A Minha 6ª Maratona (Rio de Janeiro 2012)

A minha sexta maratona aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 8 de julho de 2012.
Eu já cheguei com uma vantagem importante: meu irmão morava lá, o que facilitou muito ter onde ficar e não precisar me preocupar com isso.

Mas o dia da prova já começou daquele jeito.
Acordamos com o tempo fechado, céu carregado, e ainda caiu uma chuva pouco antes de sair. Até aí, nada demais. O problema foi o caminho até a largada. Foram três ônibus, cada um com mais dúvida do que certeza se realmente chegaria ao Recreio dos Bandeirantes. O tempo passando, a ansiedade aumentando… até que não teve jeito: pegamos um táxi e fomos praticamente correndo contra o relógio. Chegamos quase na hora. Aquela correria que já te deixa com o coração acelerado antes mesmo da largada.
E como se não bastasse, a chuva voltou exatamente na hora da largada. E não foi embora mais.

Eu também não estava no melhor momento. Tinha vindo de uma gripe e praticamente não treinei direito nas semanas anteriores. Corri pouco, e quando corri, foi num ritmo abaixo do que eu fazia antes. Comparando com a preparação que tive pra maratona de Curitiba no ano anterior, a diferença era grande. Por isso, larguei com a cabeça no lugar. Sem inventar moda.

O objetivo era claro: tentar manter um ritmo que me levasse a menos de 3 horas, mas sem forçar demais no começo pra não quebrar depois.
Só que a largada estava congestionada. O primeiro quilômetro saiu em 4:40. O segundo já melhorou um pouco, 4:20. No km 5 eu estava perto de 21 minutos, e no km 10 passei com 41 minutos cravados. Era um tempo bom, dentro do que eu precisava, então segui controlando.

Lá pelo km 15 começaram os problemas.
Primeiro veio uma dor na virilha. Depois a coxa direita começou a incomodar. E não parou por aí. A sola do pé também entrou na conta, principalmente na parte da frente e no dedão. Teve hora que parecia que estava queimando. Literalmente.
 




E aí veio uma mudança curiosa. No início eu desviava de todas as poças d'água para não molhar o tênis. Depois comecei a fazer o contrário. Passava dentro delas de propósito, tentando aliviar aquela sensação de calor no pé. Era o jeito que dava pra continuar.

Na meia maratona passei com pouco menos de 1h26. Ainda estava dentro da meta, mas já lidando com desconforto em vários pontos. A partir dali, cada quilômetro virou um cálculo. Eu ficava o tempo todo fazendo conta na cabeça, tentando garantir que o sub 3 ainda era possível.

Do km 32 em diante, a briga ficou mais mental do que física. A dor na virilha até sumiu, mas o pé e a coxa continuavam ali, lembrando a cada passo que nada seria fácil.

Quando cheguei no km 39, percebi que tinha uma pequena margem de tempo. Não era grande coisa, mas era suficiente pra tomar uma decisão. Em vez de apertar mais, preferi aliviar um pouco o ritmo. Passei a correr entre 4:45 e 5:00 por quilômetro. Não valia a pena arriscar piorar tudo naquele ponto.

E então veio aquele momento que todo maratonista espera.
Eu avistei o pórtico de chegada.
Ali eu tive certeza. Não precisava mais calcular nada, não precisava mais segurar nada. Era só chegar.

Cruzei a linha de chegada com o tempo líquido oficial de
2h54min36seg, confirmando mais uma vez o sub 3.

Minha chegada.


O corpo estava cansado, sentindo cada dor que apareceu no caminho. Mas por dentro, a sensação era outra. Era felicidade pura. Aquela satisfação de saber que, mesmo sem estar no melhor preparo, mesmo com todos os problemas, eu consegui.
Sexta maratona concluída. Quinta abaixo das 3 horas.

Recebi a medalha, e o staff que me entregou ainda confirmou com um sorriso: - 
“É sub3.”
Eu só agradeci e segui.

Depois encontrei a galera dos Baleias, conversamos bastante, demos risada, tiramos fotos no Bar Belmonte… aquele clima que só quem corre sabe como é.

E no fim do dia, voltei pra casa do meu irmão em Jacarepaguá andando todo travado, parecendo um robocop. 
Mas feliz. rsrs
Porque mais uma maratona tinha entrado pra conta. Mesmo sem saber, naquele momento, que aquilo era só o começo de uma grande jornada.


📖 Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.









terça-feira, 28 de julho de 2026

Corrida Nº 274 - Corrida da Soja (01mai2026) Corbélia-PR

Tem dias em que o corpo não responde como a gente gostaria…
Mas ainda assim, a decisão de alinhar na largada fala mais alto.


Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 274
Nome da prova: 1ª Etapa Circuito Corbélia em Movimento - Corrida da Soja
Cidade: Corbélia-PR
Data: Sexta-feira, 1º de Maio de 2026
Distância: 10kms
Tempo: 36min42seg
Média por quilômetro: 3min40seg
Classificação geral: 2º lugar
Atletas no geral: 71 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 158 pódios
Pódios por classificação geral: 72 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 367


No dia 1º de maio foi mais ou menos assim:
Desmotivado, com pouca preparação e carregando o cansaço de dias intensos de trabalho.
Não era o cenário ideal… mas era o que tinha. E eu fui.

Larguei consciente, dentro do que dava, mas sem me entregar.
Ritmo firme, controlado… e mesmo sem estar no melhor dia, completei os primeiros 5 km na casa dos 18 minutos.

A partir da metade da prova, o corpo começou a cobrar.
Foi preciso reduzir. Não por vontade — mas por respeito ao momento e inteligência pra seguir competitivo até o fim.

Desde o km 2 na vice-liderança, mantive o foco, a constância e o controle.
Sem exagerar, sem quebrar… apenas seguindo, passo após passo, fazendo o melhor possível dentro da realidade do dia.

Já na parte final, depois do km 8, veio aquele momento que reacende tudo por dentro…
Percebi que o líder começou a cair de rendimento. A diferença, que antes era maior, começou a diminuir.

Tentei reagir. Busquei forças onde dava…
mas a distância ainda era significativa, e o corpo já bastante desgastado não permitiu uma aproximação suficiente pra brigar pela ultrapassagem.

Segui até o fim com o que tinha.
No final, os quase 10 km (faltando cerca de 30 metros) vieram com o tempo líquido de 36:42.
Bem acima do que já fiz ali naquele percurso, é verdade… mas existem marcas que o relógio não mede.

Mesmo sem estar nos melhores dias, mesmo tendo piorando o tempo de conclusão em relação ao ano anterior, cruzei o pórtico de chegada feliz… de braços abertos, comemorando não só o resultado, mas o fato de não ter desistido em nenhum momento.

E no pódio, como sempre, aquela emoção única…
a sensação boa de ouvir o nome sendo chamado e saber que, mesmo sem estar em um dia perfeito, valeu a pena.
Porque mais do que números, essa prova deixou uma certeza: coragem também é competir mesmo quando as coisas não estão a favor.

Agora é olhar pra frente.
Seguir trabalhando, ajustar o que precisa e voltar mais forte na segunda etapa, em agosto — em busca dos pontos que mantêm vivo o objetivo de chegar na final, em dezembro, com chances reais de ser campeão do circuito.

Quero deixar registrado o meu agradecimento ao amigo de Corbélia, Gilmar Carvalho pela cortesia na inscrição e também ao Hélder de Ubiratã 
pelo apoio no transporte de ida e volta.

Seguimos… porque desistir nunca foi uma opção.



Segue abaixo algumas fotos:

Meu numeral.
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Com os amigos Magaiver, Hélder e Marco.
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Disputa pela liderança no início da prova.
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Completando a prova.
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Em mais um pódio geral na carreira.
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"Não foi sorte. Foi treinamento. Foi disciplina. Foi não desistir."
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Os 15 primeiros colocados dos 10kms masculino.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser acessada no site rodrigocirilo.com.br
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Com as amigas 'gêmeas' Camila 3ª geral nos 10kms e Carla campeã geral nos 5kms.