terça-feira, 14 de julho de 2026

Corrida Nº 272 - Maratona Velho Oeste / Univel (12abr2026) - Cascavel-PR

 Às vezes, a linha de chegada não revela apenas um tempo — ela mostra tudo aquilo que você enfrentou para estar ali. E essa maratona, a número 45, foi exatamente isso: uma prova de resistência, não só física, mas principalmente mental.

Teve dor, teve dúvida, teve batalha interna…
Mas também teve coragem — e ela me trouxe até o pódio.
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Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 272
Nome da prova: Maratona Velho Oeste & Univel
Cidade: Cascavel-PR
Data: Sábado, 12 de Abril de 2026
Distância: 42,2kms
Tempo: 3h00min05seg
Média por quilômetro: 4min16seg
Classificação geral: 4º lugar
Atletas no geral: 63 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 156 pódios
Pódios por classificação geral: 70 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 4022


Nem sempre a preparação é perfeita… mas existem dias em que a entrega compensa tudo. E a minha maratona número 45 foi exatamente isso: um confronto direto entre o que faltou nos treinos e o que sobrou na alma.

Até pode parecer repetitivo para quem acompanha meu blog, mas a verdade é que cada largada carrega uma história diferente. E dessa vez, de novo, eu não cheguei preparado como gostaria. O ano começou pesado… lesão, afastamento, dores… e, como se não bastasse, três semanas antes da prova, o velho incômodo no joelho esquerdo resolveu dar as caras novamente. Aquele mesmo joelho que já me testou outras vezes ao longo da caminhada.

Mas quem vive esse esporte sabe: nem sempre você está pronto… e mesmo assim, decide ir.

E foi assim que, no dia 11 de abril, segui rumo a Cascavel para encarar a minha 45ª maratona. Não fui sozinho. Levei comigo minha base, meu porto seguro — minha esposa e meu enteado. Porque correr é individual, mas chegar até ali… nunca é.

A viagem, a retirada de kit, os detalhes simples… tudo fazia parte do ritual. A ansiedade já dava sinais. A noite foi mal dormida — daquelas em que o corpo deita, mas a mente já está na largada. Cada ida ao banheiro, cada cochilo interrompido… era o coração avisando: “amanhã é dia de batalha”.
E quando o dia amanhece assim… você sente que não é só mais uma corrida.

Na largada, como de costume, poucos aquecimentos e muita concentração. Me posicionei à frente. A experiência ensina a confiar no instinto — e eu sabia que, mesmo sem a preparação ideal, ainda havia algo ali dentro capaz de me levar longe.

O tiro de largada ecoou… e junto com ele, aquela velha sensação de liberdade misturada com responsabilidade.

O plano era controlado: ritmo de 4:05/km. Mas o corpo decidiu responder diferente. Primeiro quilômetro: 3:48. E, surpreendentemente, eu estava bem. Leve. Solto. Presente.
E foi ali que a prova começou a mudar.

A cada quilômetro, a confiança crescia. O joelho, silencioso. O clima, perfeito. O percurso ajudava. E quando percebi, já estava disputando posições lá na frente.

O Anderson, de Umuarama, vinha muito próximo, praticamente no mesmo ritmo. E ali começou uma disputa silenciosa, daquelas que não precisam de muitas palavras. Corri à frente dele até próximo do km 10, sempre atento, controlando, sem deixar abrir espaço.

No primeiro retorno, ainda havia dúvida sobre posições, mas já dava para perceber que estávamos entre os 3 primeiros.

Na sequência, ele encostou. Trocamos algumas palavras rápidas — o suficiente para entender o cenário. Ele comentou que eu era o primeiro e ele o segundo. Aquilo deu ainda mais peso ao momento.
Mas, na verdade, éramos segundo e terceiro. Por conta da meia maratona ter largada simultânea aos 42kms, não vimos que havia um outro atleta na nossa frente. Mas, isso não tira o peso da responsabilidade que cada um de nós tinha ali naquele momento da prova.
 
Com o amigo Anderson de Umuarama.
Ele sentiu uma lesão e precisou reduzir e ainda assim completou a prova com 3h19min18seg em 11º geral e 3º em sua faixa etária.


Pouco depois desta troca de palavras, ele passou e assumiu a frente. Do km 11 ao 16, segui atrás, acompanhando de perto, sem deixar escapar. Não era desespero — era estratégia, leitura de prova, respeito ao momento.

E então, após o km 16, veio a resposta. Retomei a posição, ultrapassei novamente e reassumi o segundo lugar geral, mantendo o ritmo firme e constante.
Seguimos assim até o fechamento da primeira volta (21kms).

Passei a meia com 1h22.
Forte.
Muito acima do que qualquer previsão indicaria para alguém que vinha de poucos treinos.

Vídeo no momento em que completo a primeira volta com 1h22.


E naquele momento… eu ainda me sentia bem.
Mas maratona não perdoa. E eu sei muito bem disso.

Depois dos 25 km, ela começa a cobrar.

O cansaço chegou. Primeiro sutil… depois mais presente. O vento contra na avenida Tancredo Neves parecia testar não só as pernas, mas a mente. E ali, cada passo começou a exigir mais.

A partir dali, não era mais estratégia.
Era resistência.

Do km 30 em diante, cada quilômetro era uma conversa interna. O corpo pedia para diminuir… a mente insistia para continuar.

No km 36, o limite já era claro. A vontade de caminhar apareceu… mais de uma vez. Mas ali entra algo que não se constrói em um dia: disciplina, constância, mentalidade.

Eu sabia que não estava ali por acaso.
Mesmo com o ritmo caindo, eu seguia. Ainda entre em segundo lugar geral. Ainda lutando.

No km 40, o corpo pediu uma pausa. Caminhei. As cãibras começaram a aparecer… daquelas que travam e fazem você encarar seus próprios limites.

No km seguinte perdi uma posição. Perto do km 42 outra.
Mas não perdi a essência. Segui lutando.

Porque no fim… cair faz parte. Permanecer no chão, não.

Com incentivo de quem estava ali — staff, público, vozes que muitas vezes nem conhecemos — encontrei forças. Daquelas que não vêm do físico. Vêm de dentro.

Olhei para trás… estava sozinho.
E naquele momento, entendi: a verdadeira disputa sempre foi interna.
Ignorei a dor. Superei as cãibras. E corri. Devagar mas corri.

A verdadeira luta nunca foi contra os outros… foi contra mim mesmo — e eu não parei.


E cruzei a linha de chegada da minha 45ª maratona com o tempo de
3h00min05seg - 4º lugar geral.

E mais do que isso: a certeza de que, mesmo sem o cenário ideal, eu fui lá e fiz acontecer.

Depois da chegada, o corpo cobrou. Pressão caiu. Atendimento médico. Cãibras intensas. Mas tudo isso faz parte do preço de quem se entrega de verdade.

E no meio disso tudo… vieram os sorrisos, as conversas, o apoio da família, os amigos, o pódio e o retorno pra casa com o corpo cansado… mas com a mente em paz.

Porque cada maratona não é apenas uma prova. 
É parte de algo maior.

E essa reforçou algo que carrego comigo há muito tempo: "
não existem condições perfeitas — existe decisão." - e eu decidi estar ali.

No final, o que realmente importa não é como você chega… 
é não parar no meio do caminho.
Porque quem insiste, evolui. E quem evolui… chega.
E eu cheguei...


Segue abaixo algumas fotos:


Meu numeral.
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A essa altura o sofrimento era evidente.
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Apesar do sofrimento, nada se compara com a felicidade de cruzar a linha de chegada de mais de maratona.
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Já recuperado e ao lado dos amigos: Riki que completou sua segunda maratona com o tempo de 3h56min12seg e Fernando que foi prestigiar a prova.
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Mais um pódio geral em maratonas.
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Subir ao pódio geral é especial…
Mas, o verdadeiro mérito está em tudo que foi preciso suportar até chegar aqui.
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O troféu bem simples... a medalha show.
E 38 dias depois da prova, recebo a premiação em dinheiro para motivar ainda mais.
Foram 500 reais recebidos.
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Vídeo feito pelo amigo Fábio de Cascavel.
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Os 5 primeiros colocados no geral masculino dos 42kms.
Até a data da publicação deste texto a classificação completa poderia ser acessada no site da Foureventos.
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Vídeos da chegada.















sábado, 11 de julho de 2026

A Minha 3ª Maratona (Foz do Iguaçu 2009)

Eu estava a caminho da minha terceira maratona.

Foz do Iguaçu mais uma vez no destino… o mesmo cenário onde, um ano antes, eu havia concluído a minha segunda prova de 42kms. Mas dessa vez, tudo era diferente. A preparação não tinha sido a ideal, já não contava com a orientação do treinador. Vinha em um acúmulo de três lesões no joelho esquerdo no período e, lá no fundo, eu sabia que aquela prova exigiria mais de mim do que qualquer planilha poderia prever.

Cheguei na cidade sem roteiro, sem planejamento. Retirei o kit já no fim da tarde e, enquanto a noite caía, ainda procurava um lugar para dormir. Aquela madrugada foi longa… não pelo descanso, mas pela falta dele. A ansiedade tomou conta. A mente não desacelerava. O corpo até tentava, mas o coração já estava na largada.

Pouco depois das quatro da manhã, eu já estava de pé, seguindo rumo à Usina Hidrelétrica. O céu ainda escuro contrastava com o turbilhão que eu carregava por dentro.



Às 7 horas, a largada foi dada. Um pouco tarde para uma maratona. O sol já brilhava forte no céu.

Saí tentando encaixar o ritmo planejado. Mas logo nos primeiros quilômetros, percebi que estava um pouco mais rápido.
Km 2, relativamente forte. Km 3, ainda mais forte. E o mais curioso: parecia fácil. Mesmo com a noite mal dormida, o corpo respondia bem… bom demais para ser verdade.

Mas como toda maratona ensina, o preço sempre chega.

Após o km 4 vieram as primeiras subidas — e com elas, o primeiro choque de realidade. No km 5, senti o peso do dia. O calor, o desgaste acumulado, a preparação abaixo do ideal… tudo começou a cobrar seu espaço. Pela primeira vez, pensei em desistir. Sim, já início pensei em abandonar.

Mas seguir em frente sempre foi maior do que qualquer dúvida. Então segui.

Passei os 10 km em 39 minutos. Até rápido, apesar das circunstâncias.
Mas, sabia que precisava justar o ritmo para não quebrar mais pra frente.
Busquei constância, tentei administrar.
No km 15, cheguei com 59 minutos e 20 segundos. O corpo já dava sinais claros, mas a mente ainda sustentava.

No km 16, algo especial aconteceu.
As arquibancadas cheias, provas infantis acontecendo, o locutor chamando os atletas… e, de repente, ouvi o meu nome. Aquela energia atravessou o cansaço. Por alguns instantes, parecia que tudo tinha sido renovado. Foi um daqueles momentos que só quem vive entende.

Mas a maratona não permite ilusões por muito tempo.

No km 19, mais uma subida, mais desgaste… e dessa vez precisei caminhar. Poucos metros, mas necessários. Logo voltei a correr, porque ali, cada atitude fazia diferença.

A meia maratona veio em 1h26min. Peguei melancia, banana, água… e enquanto caminhava, tentava reorganizar o corpo e a mente. Dali em diante, o desafio mudou de forma. Já não se tratava mais de manter ritmo, mas de continuar avançando, da forma que fosse possível.

Corrida e caminhada começaram a se alternar. Cada quilômetro exigia mais. A subida antes da entrada do Parque Nacional foi pesada, desgastante, daquelas que testam tudo. Ali eu entendi mais do que nunca, que aquele dia não seria de desempenho, mas de resistência.

Entrei no parque com mais de 2h15 de prova e ainda restavam mais de 11 quilômetros. O corpo sentia. E muito.

No km 37, surgiu um novo sinal de alerta: uma dor no lado esquerdo do peito. Mesmo com os exames médicos tudo em dia, aquilo exigia respeito. Reduzi o ritmo, caminhei, tentei trotar leve. Segui com cautela.

Naquele momento, não havia mais espaço para provar nada a ninguém. O foco era respeitar meus limites e valorizar cada quilômetro que já tinha sido conquistado.

E então, ao longe, avistei o pórtico de chegada.

Não era apenas o fim da prova. Era o resultado de cada escolha feita até ali. De cada erro, de cada insistência, de cada momento em que eu decidi continuar.

Mesmo em ritmo lento, fiz questão de correr. Cruzei a linha com 3h39min20seg. Quase uma hora acima do ano anterior.

Mas, naquele dia, o relógio era apenas um detalhe.

Porque aquela foi, até então, a maratona mais difícil da minha vida. Talvez pela falta de preparação ideal. Talvez pela ausência de orientação. Talvez pelo calor. Ou talvez porque eu precisava passar por tudo aquilo para evoluir.

A maratona não revela só o quanto você treinou. Ela mostra o quanto você é capaz de suportar, adaptar e seguir em frente quando as coisas saem do controle.

E foi ali que eu entendi: cada prova faz parte de algo muito maior. Cada dificuldade fortalece. Cada chegada transforma.

Essa não foi apenas a minha terceira maratona.
Foi um divisor de águas.

Porque, no fim das contas, não são os 42 quilômetros que te definem… mas sim, a forma como você decide percorrê-los.

E enquanto houver uma linha de largada, haverá também uma nova oportunidade de ser mais forte do que ontem.






sábado, 4 de julho de 2026

A Minha 2ª Maratona (Foz do Iguaçu 2008)

Depois de concluir minha primeira maratona em São Paulo, veio a certeza de que eu queria enfrentar novamente os 42 quilômetros. E foi assim que surgiu o desafio da minha segunda maratona: a tradicional Maratona Internacional de Foz do Iguaçu que foi realizada no dia 21 de setembro de 2008.




Como já faz muitos anos, algumas lembranças ficaram pelo caminho. Mas há coisas que o tempo não apaga. Lembro da excelente preparação sob a orientação do professor Luiz Carlos Smanhoto, dos treinos realizados com dedicação e, principalmente, da confiança que eu carregava comigo rumo à largada.

Naquela época, a Maratona de Foz do Iguaçu era considerada por muitos a mais difícil do Brasil. O percurso exigia coragem. A largada acontecia em frente a barragem na Usina Hidrelétrica de Itaipu, passava por várias ruas do centro da cidade e terminava dentro do Parque Nacional do Iguaçu, próximo às Cataratas. Um trajeto repleto de subidas e desafios que colocavam à prova a resistência física e mental dos corredores.

Mas eu não estava ali para ter medo.

Desde os primeiros quilômetros procurei manter meu ritmo e encarar cada obstáculo com determinação. As subidas pareciam intermináveis, mas eu as enfrentava uma a uma, sempre acreditando que podia ir além. Aos poucos fui ganhando posições, ultrapassando corredores muito mais experientes e percebendo que aquele dia poderia ser especial.

O momento mais difícil veio na última subida. Um topo bem íngreme antes da descida final. Ali o corpo finalmente começou a cobrar o preço de todo o esforço acumulado ao longo da prova. As pernas pesavam, a respiração já não era a mesma e, por alguns instantes, caminhar pareceu uma alternativa tentadora.

Mas resisti.
Não caminhei um único minuto durante toda a maratona.

Quando finalmente alcancei o topo, senti que a vitória já era minha. Restava apenas poucos metros a frente. Então veio a descida final, e como um mergulho em direção ao sonho que estava prestes a se concretizar - eu me lancei sem medo até cruzar 
a linha de chegada em um extraordinário tempo de 2h39min43s, conquistando o 17º lugar na classificação geral de uma das maratonas mais difíceis do país e estabelecendo um recorde pessoal que perduraria anos até ser quebrado.




E o melhor ainda estava por vir.
Além do excelente resultado geral, subi ao pódio com o 3º lugar na fortíssima categoria de 30 a 34 anos e ainda recebi R$ 400,00 em premiação. Quase um salário mínimo na época. 
Até quis dividir o valor com o treinador, mas ele recusou receber, alegando que eu mereci aquele prêmio por todo esforço e dedicação que eu tinha nos treinos.




E aquela prova me ensinou algo que levaria para toda a vida: os maiores desafios não existem para nos parar, mas para revelar a força que ainda não sabemos que temos.

Minha segunda maratona não foi apenas mais uma corrida. Foi a confirmação de que eu podia sonhar mais alto.


Smanhoto, Tutta e Magaiver
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A Minha 1ª Maratona