Hoje foi dia de colocar à prova a preparação, a resistência
e a vontade de seguir brigando por um objetivo. Corbélia recebeu a 3ª edição da
Corrida da Academia Max Fit, válida pela segunda etapa do Circuito de Corridas
de Corbélia, e eu cheguei sabendo que tinha uma disputa importante pela frente.
Segue os dados gerais da prova:
Corrida número: 277
Nome da prova: 3ª Corrida da Academia Max Fit
Cidade: Corbélia-PR
Data: Domingo, 30 de Agosto de 2026
Distância: 10kms
Tempo: 36min31seg
Média por quilômetro: 3min39seg
Classificação geral: 2º lugar
Atletas no geral: 56 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 160 pódios
Pódios por classificação geral: 73 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 9 pódios
Número de peito: 330
Depois do vice-campeonato na primeira etapa do circuito, dois objetivos estavam na minha cabeça: tentar correr na casa dos 35 minutos baixo e vencer o Luiz Antônio, de Nova Aurora, para igualar a pontuação e deixar a decisão do circuito completamente aberta para a última etapa, em dezembro.
Mas a preparação não foi como eu gostaria. Principalmente nas últimas duas semanas os treinos não renderam bem, e eu sabia que precisaria encontrar forças durante a prova para compensar o que não havia conseguido construir nos treinos. Em uma disputa assim, não basta querer. É preciso saber sofrer, insistir e aproveitar cada oportunidade que aparece pelo caminho.
Saí de Ubiratã por volta das 5h30, com minha esposa e com parte da galera da equipe Ubira Run, em uma van alugada para a viagem. Chegamos com bastante antecedência em Corbélia, e minha primeira missão foi procurar o amigo Valmir Marasca, o Tite, que havia retirado o meu kit no dia anterior.
Com tudo organizado, era hora de deixar as conversas de lado, concentrar a cabeça e me preparar para mais uma batalha.
Me posicionei entre os primeiros do pelotão e, assim que a largada foi dada, saí forte. O primeiro quilômetro veio em 3min23s. Luiz Antônio emparelhou comigo, e seguimos lado a lado até o km 4, quando ele começou a abrir uma pequena vantagem. Mas, continuei na cola, tentando administrar o esforço sem deixar a disputa escapar.
Mas a corrida ganhou um novo ingrediente: Matheus, que não havia participado da primeira etapa e chegou para tornar a briga ainda mais acirrada. Ele assumiu a liderança, Luiz vinha em segundo e eu ocupava a terceira colocação. A disputa estava longe de ser apenas uma corrida contra o relógio. Cada posição tinha um peso na classificação do circuito.
Passei pelos 5 km em 18min09s. Naquele momento, comecei a perceber que chegar nos 35 minutos seria uma tarefa muito mais difícil do que eu gostaria. Ainda faltava metade da prova, e o corpo já dava os primeiros sinais de cansaço. Eu sabia que precisaria administrar o desgaste e encontrar forças para sustentar o ritmo, porque a segunda metade ainda prometia exigir bastante de mim.
No km 7, mesmo registrando um ritmo próximo dos quatro minutos, consegui me aproximar novamente do Luiz. Percebi que ele também começava a sentir o desgaste.
Em meio àquela disputa direta pelo título, aconteceu uma situação que mostra o respeito que existe entre nós: ele me incentivou a seguir em frente. Respondi que também estava no limite e que ele poderia continuar. Mas nenhum dos dois estava disposto a entregar a posição facilmente e seguimos um do lado do outro por alguns preciosos segundos.
Pouco depois, quase vencendo uma subida mais leve para entrar em um retão, percebi que seu ritmo havia caído bastante. Era a oportunidade que eu precisava. Fiz a ultrapassagem e comecei a construir uma pequena vantagem.
No último retorno, faltando pouco mais de dois quilômetros, eu já havia aberto cerca de 50 metros. Naquele momento a segunda colocação estava nas minhas mãos, mas ainda não era hora de relaxar. Tentei acelerar para aumentar a distância, só que as pernas pareciam travadas. O corpo já cobrava o preço do esforço, e cada passada exigia mais vontade do que conforto.
Mesmo assim, consegui fechar aquele quilômetro 9 em 3min39s.
O Matheus seguia bem à frente, e naquele momento a possibilidade de alcançá-lo parecia distante. Precisava ser inteligente: se não dava para buscar a vitória, era fundamental defender o segundo lugar e garantir os 15 pontos necessários para continuar na briga pelo título.
Então veio o último quilômetro.
A distância minha para o Luiz era grande. Mas não podia relaxar. Era hora de buscar o que ainda restava. Mesmo com as pernas pesadas, reuni as forças que tinha e parti pra cima. Não queria apenas administrar a vantagem. Queria terminar forte, honrando o esforço de cada quilômetro percorrido até ali.
Forcei e fechei o km 10 em 3min24s e cruzei a linha de chegada na segunda colocação geral, com o tempo de 36min31s.
Não foi o tempo que eu havia planejado. O objetivo era baixar para os 35 minutos, só que dessa vez não consegui. Mas, uma corrida não se deve resumir apenas ao número que aparece no relógio. E sim, em toda dedicação e esforço que foi enfrentado até cruzar a linha de chegada.
O percurso não era difícil mas, depois de algumas semanas de treinos abaixo do esperado, consegui reagir nos momentos decisivos, ultrapassar um adversário direto e terminar com um ritmo forte. E, principalmente, alcancei o resultado de que precisava para manter vivo o sonho do título.
Com esse segundo lugar, empatei a pontuação com Luiz Antônio (30 a 30) e levei a decisão para a última etapa, em dezembro. Matheus, vencedor da prova, conquistou seus primeiros 20 pontos e também entrou na disputa.
Agora, a matemática do circuito me deixa em uma situação favorável: se eu terminar à frente do Luiz e apenas uma colocação atrás do Matheus, conquisto o título mesmo sem ter vencido nenhuma das etapas. Mas não vou para a última corrida pensando apenas em fazer contas. Vou tentar vencer. Sei que estarei vindo de uma maratona disputada duas semanas antes, e isso pode pesar nas pernas. Ainda assim, enquanto houver chance, vou competir para buscar o melhor resultado possível.
Porque quem conhece a rotina de um atleta sabe que nem sempre os treinos encaixam, nem sempre o corpo responde como gostaríamos e nem sempre o resultado aparece exatamente como planejamos. A diferença está na capacidade de continuar trabalhando, aprender com cada experiência e chegar à largada disposto a dar o melhor que tem naquele dia.
Depois da prova, vieram a resenha, o pódio e a viagem de volta para casa. Momentos que também fazem parte do esporte e que tornam cada competição especial.
Meu agradecimento ao amigo Valmir Marasca, o Tite, pela retirada do meu kit; à Layla, por toda a correria e por conseguir a van para nosso transporte; à Clínica Bem Estar, pelo trabalho de fortalecimento e recuperação; à minha esposa, aos amigos e amigas que estão sempre na torcida, incentivando e acreditando junto comigo.
Agora é voltar à rotina, seguir na preparação e ajustar o que precisa ser ajustado. Dezembro vai exigir cabeça forte, estratégia e disposição para lutar até o último quilômetro.
**A disputa está empatada. O título continua em aberto. E eu sigo na luta.**
Porque a trajetória de um atleta não é construída apenas nas vitórias ou nos dias em que tudo dá certo. Ela também se fortalece nas provas em que as pernas pesam, os planos mudam e é preciso encontrar forças para continuar.
E é assim que sigo escrevendo a minha história: um treino de cada vez, uma corrida de cada vez, sem deixar que as dificuldades decidam até onde posso chegar.
Segue abaixo mais algumas fotos:
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser acessada no site Rodrigo Cirilo.
































