sábado, 11 de julho de 2026

A Minha 3ª Maratona (Foz do Iguaçu 2009)

Eu estava a caminho da minha terceira maratona.

Foz do Iguaçu mais uma vez no destino… o mesmo cenário onde, um ano antes, eu havia concluído a minha segunda prova de 42kms. Mas dessa vez, tudo era diferente. A preparação não tinha sido a ideal, já não contava com a orientação do treinador. Vinha em um acúmulo de três lesões no joelho esquerdo no período e, lá no fundo, eu sabia que aquela prova exigiria mais de mim do que qualquer planilha poderia prever.

Cheguei na cidade sem roteiro, sem planejamento. Retirei o kit já no fim da tarde e, enquanto a noite caía, ainda procurava um lugar para dormir. Aquela madrugada foi longa… não pelo descanso, mas pela falta dele. A ansiedade tomou conta. A mente não desacelerava. O corpo até tentava, mas o coração já estava na largada.

Pouco depois das quatro da manhã, eu já estava de pé, seguindo rumo à Usina Hidrelétrica. O céu ainda escuro contrastava com o turbilhão que eu carregava por dentro.



Às 7 horas, a largada foi dada. Um pouco tarde para uma maratona. O sol já brilhava forte no céu.

Saí tentando encaixar o ritmo planejado. Mas logo nos primeiros quilômetros, percebi que estava um pouco mais rápido.
Km 2, relativamente forte. Km 3, ainda mais forte. E o mais curioso: parecia fácil. Mesmo com a noite mal dormida, o corpo respondia bem… bom demais para ser verdade.

Mas como toda maratona ensina, o preço sempre chega.

Após o km 4 vieram as primeiras subidas — e com elas, o primeiro choque de realidade. No km 5, senti o peso do dia. O calor, o desgaste acumulado, a preparação abaixo do ideal… tudo começou a cobrar seu espaço. Pela primeira vez, pensei em desistir. Sim, já início pensei em abandonar.

Mas seguir em frente sempre foi maior do que qualquer dúvida. Então segui.

Passei os 10 km em 39 minutos. Até rápido, apesar das circunstâncias.
Mas, sabia que precisava justar o ritmo para não quebrar mais pra frente.
Busquei constância, tentei administrar.
No km 15, cheguei com 59 minutos e 20 segundos. O corpo já dava sinais claros, mas a mente ainda sustentava.

No km 16, algo especial aconteceu.
As arquibancadas cheias, provas infantis acontecendo, o locutor chamando os atletas… e, de repente, ouvi o meu nome. Aquela energia atravessou o cansaço. Por alguns instantes, parecia que tudo tinha sido renovado. Foi um daqueles momentos que só quem vive entende.

Mas a maratona não permite ilusões por muito tempo.

No km 19, mais uma subida, mais desgaste… e dessa vez precisei caminhar. Poucos metros, mas necessários. Logo voltei a correr, porque ali, cada atitude fazia diferença.

A meia maratona veio em 1h26min. Peguei melancia, banana, água… e enquanto caminhava, tentava reorganizar o corpo e a mente. Dali em diante, o desafio mudou de forma. Já não se tratava mais de manter ritmo, mas de continuar avançando, da forma que fosse possível.

Corrida e caminhada começaram a se alternar. Cada quilômetro exigia mais. A subida antes da entrada do Parque Nacional foi pesada, desgastante, daquelas que testam tudo. Ali eu entendi mais do que nunca, que aquele dia não seria de desempenho, mas de resistência.

Entrei no parque com mais de 2h15 de prova e ainda restavam mais de 11 quilômetros. O corpo sentia. E muito.

No km 37, surgiu um novo sinal de alerta: uma dor no lado esquerdo do peito. Mesmo com os exames médicos tudo em dia, aquilo exigia respeito. Reduzi o ritmo, caminhei, tentei trotar leve. Segui com cautela.

Naquele momento, não havia mais espaço para provar nada a ninguém. O foco era respeitar meus limites e valorizar cada quilômetro que já tinha sido conquistado.

E então, ao longe, avistei o pórtico de chegada.

Não era apenas o fim da prova. Era o resultado de cada escolha feita até ali. De cada erro, de cada insistência, de cada momento em que eu decidi continuar.

Mesmo em ritmo lento, fiz questão de correr. Cruzei a linha com 3h39min20seg. Quase uma hora acima do ano anterior.

Mas, naquele dia, o relógio era apenas um detalhe.

Porque aquela foi, até então, a maratona mais difícil da minha vida. Talvez pela falta de preparação ideal. Talvez pela ausência de orientação. Talvez pelo calor. Ou talvez porque eu precisava passar por tudo aquilo para evoluir.

A maratona não revela só o quanto você treinou. Ela mostra o quanto você é capaz de suportar, adaptar e seguir em frente quando as coisas saem do controle.

E foi ali que eu entendi: cada prova faz parte de algo muito maior. Cada dificuldade fortalece. Cada chegada transforma.

Essa não foi apenas a minha terceira maratona.
Foi um divisor de águas.

Porque, no fim das contas, não são os 42 quilômetros que te definem… mas sim, a forma como você decide percorrê-los.

E enquanto houver uma linha de largada, haverá também uma nova oportunidade de ser mais forte do que ontem.






sábado, 4 de julho de 2026

A Minha 2ª Maratona (Foz do Iguaçu 2008)

Depois de concluir minha primeira maratona em São Paulo, veio a certeza de que eu queria enfrentar novamente os 42 quilômetros. E foi assim que surgiu o desafio da minha segunda maratona: a tradicional Maratona Internacional de Foz do Iguaçu que foi realizada no dia 21 de setembro de 2008.




Como já faz muitos anos, algumas lembranças ficaram pelo caminho. Mas há coisas que o tempo não apaga. Lembro da excelente preparação sob a orientação do professor Luiz Carlos Smanhoto, dos treinos realizados com dedicação e, principalmente, da confiança que eu carregava comigo rumo à largada.

Naquela época, a Maratona de Foz do Iguaçu era considerada por muitos a mais difícil do Brasil. O percurso exigia coragem. A largada acontecia em frente a barragem na Usina Hidrelétrica de Itaipu, passava por várias ruas do centro da cidade e terminava dentro do Parque Nacional do Iguaçu, próximo às Cataratas. Um trajeto repleto de subidas e desafios que colocavam à prova a resistência física e mental dos corredores.

Mas eu não estava ali para ter medo.

Desde os primeiros quilômetros procurei manter meu ritmo e encarar cada obstáculo com determinação. As subidas pareciam intermináveis, mas eu as enfrentava uma a uma, sempre acreditando que podia ir além. Aos poucos fui ganhando posições, ultrapassando corredores muito mais experientes e percebendo que aquele dia poderia ser especial.

O momento mais difícil veio na última subida. Um topo bem íngreme antes da descida final. Ali o corpo finalmente começou a cobrar o preço de todo o esforço acumulado ao longo da prova. As pernas pesavam, a respiração já não era a mesma e, por alguns instantes, caminhar pareceu uma alternativa tentadora.

Mas resisti.
Não caminhei um único minuto durante toda a maratona.

Quando finalmente alcancei o topo, senti que a vitória já era minha. Restava apenas poucos metros a frente. Então veio a descida final, e como um mergulho em direção ao sonho que estava prestes a se concretizar - eu me lancei sem medo até cruzar 
a linha de chegada em um extraordinário tempo de 2h39min43s, conquistando o 17º lugar na classificação geral de uma das maratonas mais difíceis do país e estabelecendo um recorde pessoal que perduraria anos até ser quebrado.




E o melhor ainda estava por vir.
Além do excelente resultado geral, subi ao pódio com o 3º lugar na fortíssima categoria de 30 a 34 anos e ainda recebi R$ 400,00 em premiação. Quase um salário mínimo na época. 
Até quis dividir o valor com o treinador, mas ele recusou receber, alegando que eu mereci aquele prêmio por todo esforço e dedicação que eu tinha nos treinos.




E aquela prova me ensinou algo que levaria para toda a vida: os maiores desafios não existem para nos parar, mas para revelar a força que ainda não sabemos que temos.

Minha segunda maratona não foi apenas mais uma corrida. Foi a confirmação de que eu podia sonhar mais alto.


Smanhoto, Tutta e Magaiver
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A Minha 1ª Maratona

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Corrida Nº 271 - 2ª Corrida Night Run - Ubiratã-PR (21mar2026)

"Nem sempre a gente chega pronto. Mas, mesmo com o corpo limitado e a preparação longe do ideal, encontrei na raça, na energia da minha cidade e na força da mente o caminho para superar mais um desafio e provar, mais uma vez, que desistir nunca foi uma opção."

"Entre dores, dúvidas e cansaço… foi a alma que me trouxe até aqui."


Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 271
Nome da prova: 2ª Ubiratã Night Run
Cidade: Ubiratã-PR
Data: Sábado, 21 de Março de 2026
Distância: 9,9kms
Tempo: 35min58seg
Média por quilômetro: 3min37seg
Classificação geral: 6º lugar
Atletas no geral: 52 concluintes
Classificação na categoria por faixa etária 40/49 anos: 1º lugar
Atletas na categoria: 11 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 155 pódios
Pódios por classificação geral: 69 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 112


Na corrida, nem sempre a gente chega pronto… mas, às vezes, é justamente quando não está, que mais se descobre do que é capaz.

O ano de 2026 não começou como eu gostaria. Lesões, afastamento dos treinos, incertezas… e uma preparação longe do ideal tanto para provas longas, como principalmente para provas curtas. Ainda assim, havia algo dentro de mim que não aceitava ficar de fora. E foi assim que encarei a 2ª Corrida Ubiratã Night Run — não como alguém no auge da forma, mas como alguém disposto a lutar.

No sábado, o cansaço já vinha comigo desde cedo. Um dia inteiro de trabalho e, junto com ele, aquela sensação silenciosa de desmotivação. Os números também não animavam: meu melhor treino no percurso tinha sido 39 minutos — bem distante dos pouco mais de 36 que eu havia feito no ano anterior. Mas corrida nunca foi feita só de números… e eu sabia disso.

À medida em que me aproximava da Praça Horácio José Ribeiro, algo começou a mudar. A energia da minha cidade, o carinho das pessoas, os gritos de incentivo… aquilo reacendeu algo que nenhum treino consegue medir. Ali, lembrei do porquê eu corro. E mesmo sem a preparação ideal, eu sabia: ia dar o meu máximo. Como sempre faço independente das circunstâncias.

Alinhei na largada com o coração acelerado — não só pela prova, mas por tudo que ela representava.
Correr em casa. No olhar de tantas pessoas conhecidas. Eu não podia decepcionar.

O tiro de largada veio, e com ele a responsabilidade de escolher o ritmo certo. Sabendo do “cotovelo” logo no início, optei por largar na cautela. Mas bastou entrar na reta da Avenida Nilza para começar a construir minha prova. As ultrapassagens vieram, uma a uma, no tempo certo.

O plano era correr para 3:40/km. Mas o corpo respondeu diferente: primeiro km em 3:23. Forte. Talvez até ousado demais. No retorno, contei 12 atletas à frente, mas como as largadas dos 5 e 10kms foram simultâneas, a leitura não era exata. Ainda assim, eu sentia… estava competitivo.

No km 2, uma leve subida fez o ritmo cair um pouco. Mas no km 3, voltei a pressionar — 3:22 — e, ao passar novamente pelo ponto de largada, a vibração da galera foi ainda mais intensa e isso foi como um combustível à parte. Cada grito parecia empurrar mais um pouco. Cada incentivo ajudava a calar qualquer dúvida que eu tinha.

Descemos na Avenida Brasil, rumo a Coagru, e no retorno veio a subida mais forte do percurso.  A subida da Vencedora. Ali o ritmo estourou: 3:53. Mas, ali não era pra correr bonito ou fazer um pace fabuloso. Ali era só resistir.

Já na sequência fechei a primeira volta com uns 18 minutos de prova, aproximadamente. Ainda inteiro… mas já sentindo o peso da falta de preparação.

A segunda volta foi um verdadeiro teste mental.
O ritmo já não obedecia como antes. Os quilômetros passaram a exigir mais do que o corpo queria entregar.

No retorno da Avenida dos Pioneiros, fiz a contagem: cinco atletas à minha frente. Eu era o sexto. Estava bem colocado…Porém, longe do atleta que seguia na 5ª colocação... mas segui lutando, não em buscar uma ultrapassagem ou uma colocação melhor. Segui lutando contra algo muito mais forte que os adversários — a minha própria limitação.

Ainda consegui um km forte no oitavo, abaixo de 3:30. Mas no km 9, novamente na subida da Vencedora, a realidade bateu de vez. O ritmo encostou nos 4 minutos. As pernas pesadas, a respiração mais curta… e a mente tendo que assumir o controle.

Ali, já não era ritmo. Era resistência.
Venci a subida como deu. Sem pensar em pace, em colocação… só em seguir. Passei pela prefeitura, virei à direita na rua Brasília e cheguei de braços abertos para cruzar a linha de chegada da 2ª Ubiratã Night Run com o tempo de 35min58seg para os 9,9kms do percurso. Pace médio de 3min37s.

Talvez, em outro momento, eu olharia para esse tempo com outros olhos. Mas naquele dia… ele tinha um valor enorme. Porque não era só um tempo no cronômetro. Era tudo o que eu precisei superar para estar ali.

Peguei minha medalha, Dei um beijo na minha esposa e junto com ela fui celebrar e comemorar com outros amigos mais este desafio superado.
Veio fruta, coca-cola, pizza… e aquele sentimento simples, mas poderoso: do dever cumprido.

Depois, o chopp com os amigos, o pódio… e a certeza de que cada prova é mais do que uma disputa. É um capítulo escrito na base da raça e da superação.

Correr, pra mim, nunca foi apenas estar pronto.
É sempre estar disposto — mesmo quando tudo diz que não.
Porque no fim… não é o melhor dia que define um atleta.
É a coragem de não desistir nos dias difíceis.


Segue abaixo algumas fotos:

Meu numeral fixado na camiseta da Ubira Run.
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Com o Édelson Ávila que foi o campeão dos 10kms com o tempo de 29min29s e o amigo Osmir que fez o 5kms com 21min35s.
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Na descida da Vencedora - subida após o retorno lá na Avenida Valdir D'Alécio.
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“Nem sempre é a melhor preparação que te leva mais longe… às vezes é a coragem de alinhar na linha de largada, mesmo em dúvida, porque é só assim que vamos descobrir do que somos capazes. 
E confesso: Não foi fácil chegar até aqui.
Mas correr em casa, e em alto nível, faz cada dificuldade valer a pena."
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Completando os 9,9kms do percurso com o tempo líquido oficial de 35min58s.
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Com minha esposa após a prova.
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Com os amigos Fábio e Solange de Cascavel, minha esposa e o Fernando.
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Com Fernando, Enzo - o Ultra Maratonista e a Lenda Magaiwer.
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Com Cafezito - vice campeão geral dos 5km.
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Pódio da Categoria 40/49 anos.
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Subir no pódio já é especial…
Agora, fazer isso em casa, em uma prova de alto nível, tem um significado ainda maior.
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Os 10 primeiros colocados dos 10kms masculino.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser acessada no site da Four Eventos.
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O troféu e a medalha da prova.
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Equipe Ubira Run.
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Vídeo da minha chegada...

“Nem sempre é a melhor preparação que te leva mais longe… às vezes é a coragem de alinhar, mesmo em dúvida, e descobrir do que você ainda é capaz.”