Nem toda largada acontece em linha reta.
Algumas começam muito antes do tiro inicial, entre dores, dúvidas, noites mal dormidas e decisões difíceis. Esta é a história de uma corrida que não foi apenas contra o cronômetro, mas contra o próprio corpo, contra os imprevistos e contra a tentação de desistir. Uma prova construída com resiliência, inteligência e coragem — daquelas que não se medem apenas em quilômetros, mas em força mental. Entre lesões, mudanças de planos e um percurso desafiador, Bituruna foi palco de mais uma demonstração de que experiência, determinação e paixão pela corrida fazem a diferença quando tudo parece jogar contra.
Segue os dados gerais da prova:
Corrida número: 270
Nome da prova: 11º Desafio Rota do Vinho
Cidade: Bituruna-PR
Data: Domingo, 1º de Fevereiro de 2026
Distância: 5,2kms
Tempo: 20min22seg
Média por quilômetro: 3min55seg
Classificação geral: 9º lugar
Atletas no geral: 186 atletas
Classificação na categoria por faixa etária 45/49 anos: 1º lugar
Atletas na categoria: 45 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 155 pódios
Pódios por classificação geral: 69 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 403
2026 definitivamente não começou do jeito que eu imaginava. Logo na primeira semana do ano, uma lesão na coluna, causada no trabalho, já acendeu o sinal de alerta. Consulta médica, injeção, medicamentos… e quando tudo parecia finalmente sob controle, veio mais um golpe: às vésperas da viagem para Bituruna, durante um simples pedal, senti o nervo ciático acusar presença. Para completar o cenário, na noite anterior à prova surgiu uma tosse inesperada que simplesmente não me deixou dormir sequer um minuto.
Mesmo assim, segui viagem. Mas, com a consciência de que talvez fosse preciso rever os planos. Os 16 km originais da prova, somados aos quase 350 metros de elevação acumulada nos morros de Bituruna, pareciam exigir mais do que meu corpo poderia oferecer naquele momento. A decisão de trocar a distância não foi sinal de fraqueza, mas de maturidade. Às vezes, seguir em frente também é saber ajustar a rota.
Saímos de Ubiratã às 3h42 da manhã — eu e minha esposa — de carona com o amigo Fernando, que também iria correr. A primeira parada foi em Cascavel, na casa do Carlos, onde deixamos o carro. De lá, seguimos até o ginásio Ciro Nardi, ponto de encontro do grupo Força Runners Viagens. Atrasamos um pouco na saída, mas às 7h30 partimos direto para Bituruna, sem paradas, com destino certo e expectativa renovada.
Já na cidade, almoçamos no restaurante Empório e, em seguida, fomos retirar o kit ao lado do Hotel Avenida, onde ficaríamos hospedados. Na retirada, conversei com a organização, expliquei minha situação física e consegui realizar a troca da distância: dos 16 km para os 5 km, mediante uma taxa de 30 reais. Decisão tomada, missão redefinida.
Com o kit em mãos, nem passamos pelo hotel. As bolsas ficaram no ônibus e, às 15h30, seguimos para um passeio especial: a visita às vinícolas parceiras da prova. Degustações de vinhos, espumantes, sucos de uva e aquela imersão única no clima da região. Pela medicação e pela corrida no dia seguinte, praticamente não bebi nada — mas garanti várias garrafas para levar para casa (afinal, ninguém é de ferro… kkkkk).
Passamos pela Vinícola Dionísio, depois pela Sanber, conhecida pelos vinhos mais refinados. O ponto alto foi na Vinícola Di Sandi, onde pudemos comer uva à vontade diretamente dos parreirais. Encerramos o roteiro na Vinícola Bertolette, que literalmente abre suas portas no dia da corrida, permitindo que a prova passe por dentro da fábrica, entre os grandes tonéis de vinho. Uma experiência única.
Só então fomos ao hotel, fizemos o check-in, jantamos e, por volta das 22h, já estávamos tentando descansar. Mesmo com a troca de distância, a preocupação com as condições físicas ainda era grande. Subir os degraus do ônibus provocava fisgadas no nervo ciático, aumentando o drama.
Antes de dormir, mais um medicamento. Ao acordar, outro. Tudo para tentar alinhar o corpo para o momento decisivo.
Apesar de tudo, dormi como uma pedra. Acordei às 6h15, um pouco atrasado, mas tranquilo. A largada seria praticamente em frente ao hotel. Café da manhã leve — afinal, eram “apenas” 5 km, e nem sabia se conseguiria correr o tempo todo.
Troquei de roupa, desci para um breve aquecimento… e nenhuma dor apareceu. Um ótimo sinal. Me posicionei mais à frente possível e, às 7h05, larguei. Forte, mas consciente. Qualquer sinal mais intenso de dor significaria reduzir ou até abandonar. Mas as dores simplesmente não vieram.
O primeiro quilômetro passou em 3min28s. No segundo, já com uma leve subida, o ritmo ficou próximo de 3min50s. Em seguida, entramos na Vinícola Bertolette e logo depois no famoso parreiral. Ali veio o maior receio: correr cerca de 300 metros abaixado, com medo de esticar o nervo ciático e tudo desandar. Fui cuidadoso, ajustei a postura e passei ileso. Apenas perdi algumas posições — provavelmente para atletas dos 16 km, já que a largada foi simultânea.
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Depois do parreiral, uma trilha em descida no meio da mata. A partir dali, o ciático deixou de ser preocupação. O foco passou a ser o terreno escorregadio e a manutenção do ritmo. Ao chegar no asfalto, os atletas dos 5 km viraram à esquerda… e encararam o “Monte Everest” de Bituruna.
Exagero? Talvez. Mas a subida era realmente dura.
Por ali, fechamos os 3 km.
A falta de treino começou a pesar, e foi nesse momento que o Marciano, de Corbélia, me alcançou e tentou a ultrapassagem. Não deixei. Subimos juntos, completamos os 4 km com um ritmo respeitável de 4min16s, mesmo com a subida intensa.
Na sequência, uma subida mais leve. Marciano seguiu à frente, mas nos reencontramos no Garrafão — monumento símbolo do vinho em Bituruna. Ali puxei o ritmo, ele veio junto. Acelerei mais um pouco e percebi que ele começou a ficar para trás. Eu já estava extremamente ofegante, mas a experiência falou mais alto. Precisava chegar à frente. Não sabia ao certo a categoria dele — e isso fazia toda a diferença.
Segui forte. Já nem lembrava mais do ciático. Nos metros finais, ainda consegui acelerar e fechei o último quilômetro em 3min37s. Cruzei a linha de chegada em 20min22s, rompendo a faixa final com uma satisfação difícil de descrever.
Peguei a medalha e logo ouvi do Sidney, de Cascavel: “Você foi sétimo geral”. Nem acreditei. Achei que tinha chegado bem mais atrás. Quando saiu a classificação oficial, a confirmação de um resultado espetacular: 9º lugar na classificação geral e vice-campeão da categoria 40–49 anos.
E sim, o Marciano era da minha categoria. Ele ficou em terceiro. Ainda bem que resisti firme. rsrs
Diante de tantos contratempos no início do ano, essa conquista teve um sabor ainda mais especial. O pódio veio para coroar um fim de semana vivido intensamente em Bituruna. Depois, muita conversa boa, risadas e planos para voltar — agora, em 2017, para encarar os 16 km. Será? rsrs
Depois de tudo já encerrado, saímos do hotel às 13h, almoçamos e, às 14h30, deixamos Bituruna com o coração cheio de boas energias, mais uma conquista para a carreira e a certeza de que nem sempre o maior prêmio vem em forma de troféu. A viagem com esse grupo fantástico do Força Runners, especialmente com a presença da minha esposa, foi o verdadeiro ouro desse fim de semana. A presença dela valorizou ainda mais cada passo dado.
A nossa viagem foi tranquila e chegamos em Cascavel às 21h40 e imediatamente já seguimos viagem para Ubiratã onde chegamos próximo das 23:00hs para finalizar em definitivo mais esta aventura.
Agora é tratar bem do ciático… porque 2026 só está começando. 😄🏃♂️
Agradecimentos especiais ao Carlos, pela cortesia na inscrição; ao Fernando Matiussi, pela carona de ida e volta entre Ubiratã e Cascavel; e, principalmente, à minha esposa, por estar presente. Sua presença faz toda a diferença.
Segue abaixo mais algumas fotos:
A classificação geral até a data desta postagem poderia ser acessada no site da ChipTiming.















































