domingo, 10 de maio de 2026

Corrida Nº 270 - 11º Desafio Rota do Vinho - Bituruna-PR (01fev2026)

Nem toda largada acontece em linha reta.
Algumas começam muito antes do tiro inicial, entre dores, dúvidas, noites mal dormidas e decisões difíceis. Esta é a história de uma corrida que não foi apenas contra o cronômetro, mas contra o próprio corpo, contra os imprevistos e contra a tentação de desistir. Uma prova construída com resiliência, inteligência e coragem — daquelas que não se medem apenas em quilômetros, mas em força mental. Entre lesões, mudanças de planos e um percurso desafiador, Bituruna foi palco de mais uma demonstração de que experiência, determinação e paixão pela corrida fazem a diferença quando tudo parece jogar contra.


“Nem sempre se trata do percurso planejado… às vezes é preciso ter coragem para traçar novas metas, recomeçar e ainda assim seguir firme para cruzar a linha de chegada rumo a vitória.”



Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 270
Nome da prova: 11º Desafio Rota do Vinho
Cidade: Bituruna-PR
Data: Domingo, 1º de Fevereiro de 2026
Distância: 5,2kms
Tempo: 20min22seg
Média por quilômetro: 3min55seg
Classificação geral: 9º lugar
Atletas no geral: 186 atletas
Classificação na categoria por faixa etária 45/49 anos: 1º lugar
Atletas na categoria: 45 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 155 pódios
Pódios por classificação geral: 69 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 403


2026 definitivamente não começou do jeito que eu imaginava. Logo na primeira semana do ano, uma lesão na coluna, causada no trabalho, já acendeu o sinal de alerta. Consulta médica, injeção, medicamentos… e quando tudo parecia finalmente sob controle, veio mais um golpe: às vésperas da viagem para Bituruna, durante um simples pedal, senti o nervo ciático acusar presença. Para completar o cenário, na noite anterior à prova surgiu uma tosse inesperada que simplesmente não me deixou dormir sequer um minuto.

Mesmo assim, segui viagem. Mas, com a consciência de que talvez fosse preciso rever os planos. Os 16 km originais da prova, somados aos quase 350 metros de elevação acumulada nos morros de Bituruna, pareciam exigir mais do que meu corpo poderia oferecer naquele momento. A decisão de trocar a distância não foi sinal de fraqueza, mas de maturidade. Às vezes, seguir em frente também é saber ajustar a rota.

Saímos de Ubiratã às 3h42 da manhã — eu e minha esposa — de carona com o amigo Fernando, que também iria correr. A primeira parada foi em Cascavel, na casa do Carlos, onde deixamos o carro. De lá, seguimos até o ginásio Ciro Nardi, ponto de encontro do grupo Força Runners Viagens. Atrasamos um pouco na saída, mas às 7h30 partimos direto para Bituruna, sem paradas, com destino certo e expectativa renovada.

Já na cidade, almoçamos no restaurante Empório e, em seguida, fomos retirar o kit ao lado do Hotel Avenida, onde ficaríamos hospedados. Na retirada, conversei com a organização, expliquei minha situação física e consegui realizar a troca da distância: dos 16 km para os 5 km, mediante uma taxa de 30 reais. Decisão tomada, missão redefinida.

Com o kit em mãos, nem passamos pelo hotel. As bolsas ficaram no ônibus e, às 15h30, seguimos para um passeio especial: a visita às vinícolas parceiras da prova. Degustações de vinhos, espumantes, sucos de uva e aquela imersão única no clima da região. Pela medicação e pela corrida no dia seguinte, praticamente não bebi nada — mas garanti várias garrafas para levar para casa (afinal, ninguém é de ferro… kkkkk).

Passamos pela Vinícola Dionísio, depois pela Sanber, conhecida pelos vinhos mais refinados. O ponto alto foi na Vinícola Di Sandi, onde pudemos comer uva à vontade diretamente dos parreirais. Encerramos o roteiro na Vinícola Bertolette, que literalmente abre suas portas no dia da corrida, permitindo que a prova passe por dentro da fábrica, entre os grandes tonéis de vinho. Uma experiência única.

Só então fomos ao hotel, fizemos o check-in, jantamos e, por volta das 22h, já estávamos tentando descansar. Mesmo com a troca de distância, a preocupação com as condições físicas ainda era grande. Subir os degraus do ônibus provocava fisgadas no nervo ciático, aumentando o drama.
Antes de dormir, mais um medicamento. Ao acordar, outro. Tudo para tentar alinhar o corpo para o momento decisivo.

Apesar de tudo, dormi como uma pedra. Acordei às 6h15, um pouco atrasado, mas tranquilo. A largada seria praticamente em frente ao hotel. Café da manhã leve — afinal, eram “apenas” 5 km, e nem sabia se conseguiria correr o tempo todo.

Troquei de roupa, desci para um breve aquecimento… e nenhuma dor apareceu. Um ótimo sinal. Me posicionei mais à frente possível e, às 7h05, larguei. Forte, mas consciente. Qualquer sinal mais intenso de dor significaria reduzir ou até abandonar. Mas as dores simplesmente não vieram.

O primeiro quilômetro passou em 3min28s. No segundo, já com uma leve subida, o ritmo ficou próximo de 3min50s. Em seguida, entramos na Vinícola Bertolette e logo depois no famoso parreiral. Ali veio o maior receio: correr cerca de 300 metros abaixado, com medo de esticar o nervo ciático e tudo desandar. Fui cuidadoso, ajustei a postura e passei ileso. Apenas perdi algumas posições — provavelmente para atletas dos 16 km, já que a largada foi simultânea.

Passando por dentro da Vinícola Bertoletti.
“Ali dentro, onde o tempo transforma uvas em vinho, eu seguia transformando esforço em superação.”
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“Assim como o vinho é construído com o tempo, cada passo ali foi moldado na dor, na disciplina e na vontade de não desistir.”


Depois do parreiral, uma trilha em descida no meio da mata. A partir dali, o ciático deixou de ser preocupação. O foco passou a ser o terreno escorregadio e a manutenção do ritmo. Ao chegar no asfalto, os atletas dos 5 km viraram à esquerda… e encararam o “Monte Everest” de Bituruna.
Exagero? Talvez. Mas a subida era realmente dura.

Por ali, fechamos os 3 km.
A falta de treino começou a pesar, e foi nesse momento que o Marciano, de Corbélia, me alcançou e tentou a ultrapassagem. Não deixei. Subimos juntos, completamos os 4 km com um ritmo respeitável de 4min16s, mesmo com a subida intensa.

Na sequência, uma subida mais leve. Marciano seguiu à frente, mas nos reencontramos no Garrafão — monumento símbolo do vinho em Bituruna. Ali puxei o ritmo, ele veio junto. Acelerei mais um pouco e percebi que ele começou a ficar para trás. Eu já estava extremamente ofegante, mas a experiência falou mais alto. Precisava chegar à frente. Não sabia ao certo a categoria dele — e isso fazia toda a diferença.

Lado a lado com o atleta Marciano de Corbélia.
A partir dali, forcei o ritmo e comecei a abrir vantagem dele.


Segui forte. Já nem lembrava mais do ciático. Nos metros finais, ainda consegui acelerar e fechei o último quilômetro em 3min37s. Cruzei a linha de chegada em
20min22s, rompendo a faixa final com uma satisfação difícil de descrever.

“Ali, de braços abertos, não celebrei apenas a chegada… celebrei cada batalha vencida no caminho até ela. Para mim, não era apenas completar mais uma corrida… era o encontro entre quem eu fui, quem eu me tornei e tudo o que ainda quero ser. Essa foi mais uma prova vencida contra tudo aquilo que tentou me parar.”


Peguei a medalha e logo ouvi do Sidney, de Cascavel: “Você foi sétimo geral”. Nem acreditei. Achei que tinha chegado bem mais atrás. Quando saiu a classificação oficial, a confirmação de um resultado espetacular:
9º lugar na classificação geral e vice-campeão da categoria 40–49 anos.
E sim, o Marciano era da minha categoria. Ele ficou em terceiro. Ainda bem que resisti firme. rsrs

Diante de tantos contratempos no início do ano, essa conquista teve um sabor ainda mais especial. O pódio veio para coroar um fim de semana vivido intensamente em Bituruna. Depois, muita conversa boa, risadas e planos para voltar — agora, em 2017, para encarar os 16 km. Será? rsrs

Depois de tudo já encerrado, saímos do hotel às 13h, almoçamos e, às 14h30, deixamos Bituruna com o coração cheio de boas energias, mais uma conquista para a carreira e a certeza de que nem sempre o maior prêmio vem em forma de troféu. A viagem com esse grupo fantástico do Força Runners, especialmente com a presença da minha esposa, foi o verdadeiro ouro desse fim de semana. A presença dela valorizou ainda mais cada passo dado.

A nossa viagem foi tranquila e chegamos em Cascavel às 21h40 e imediatamente já seguimos viagem para Ubiratã onde chegamos próximo das 23:00hs para finalizar em definitivo mais esta aventura.

Agora é tratar bem do ciático… porque
2026 só está começando. 😄🏃‍♂️


Agradecimentos especiais
ao Carlos, pela cortesia na inscrição; ao Fernando Matiussi, pela carona de ida e volta entre Ubiratã e Cascavel; e, principalmente, à minha esposa, por estar presente. Sua presença faz toda a diferença.


Segue abaixo mais algumas fotos:

Meu numeral já fixado na camiseta da Força Runners para representar o grupo do amigo Carlos.
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Com minha esposa durante o passeio nas vinícolas no sábado.
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Debaixo dos parreirais de Bituruna.
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Antes da largada.
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Com o amigo Carlos e sua esposa Vângela antes da prova.
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Com Gilmar Carvalho de Corbélia e o Sidney de Cascavel.
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“Logo nos primeiros quilômetros, a mente já assume o comando…
porque é ali que a prova realmente começa.”
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“Ali, sob os parreirais de Bituruna, não era apenas uma corrida… era a vida me testando — e eu, mais uma vez, escolhendo não parar.”
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“Braços abertos, sorriso leve…
porque no final, mais importante que o tempo, é a história que a gente constrói no caminho.”
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“Mais uma concluída… porque, mesmo nas dificuldades, eu escolhi seguir em frente.”
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Com o amigo Fernando que correu os 16kms e completou a prova em 1h14min24s e conquistou o 4º lugar na sua categoria.
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Pódio da categoria 40/49 anos nos 5kms.
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Mais um pódio em Bituruna.
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Os 5 primeiros colocados da categoria 40/49 anos nos 5kms.
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Os 10 primeiros colocados no geral masculino - 5kms.
A classificação geral até a data desta postagem poderia ser acessada no site da ChipTiming.
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Com a Vângela, o Carlos e a minha esposa.
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“Não era o meu melhor momento… mas foi na superação que encontrei força pra competir e voltar pra casa com mais um troféu que vale muito mais do que qualquer tempo no cronômetro.”
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“Mais do que qualquer troféu, o que realmente tem valor é ter ao meu lado quem faz cada conquista valer a pena.”
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sábado, 31 de janeiro de 2026

Corrida Nº 269 - 100ª Corrida Internacional de São Silvestre - São Paulo-SP (31dez2025)

 100ª Corrida Internacional de São Silvestre – mais do que uma prova, um capítulo da história


Antes mesmo do primeiro passo na Avenida Paulista, a 100ª Corrida Internacional de São Silvestre já havia começado a ser vencida muito antes — ainda na luta pela inscrição.
Site lento, fila virtual que não andava, links “fura-fila”, horas perdidas em pleno dia de trabalho… um verdadeiro teste de paciência. Mas, como todo corredor experiente sabe, desistir nunca foi uma opção. Depois do caos, a vaga veio. E com ela, a certeza: eu estaria presente na edição centenária da corrida mais tradicional do Brasil.

"No meio da multidão, começava mais um capítulo da minha 19ª Corrida Internacional de São Silvestre."



Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 269
Nome da prova: 100ª Corrida Internacional de São Silvestre
Cidade: São Paulo-SP
Data: Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2025
Distância: 15kms
Tempo: 1h01min15seg
Média por quilômetro: 4min05seg
Classificação geral: 119º lugar (151º lugar somando a elite)
Atletas no geral: 28.472 atletas concluintes na categoria masculina
Classificação na categoria por faixa etária 45/49 anos: 16º lugar
Atletas na categoria: 4.449 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 154 pódios
Pódios por classificação geral: 69 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 77 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 3977


A viagem começou na noite de sábado, 27 de dezembro. Embarquei em Ubiratã às 19h35, no ônibus da Viação Garcia, rumo a São Paulo. Após uma madrugada inteira de estrada, cheguei à Rodoviária da Barra Funda às 8h da manhã de domingo. De lá, segui para Diadema para passar momentos preciosos com minha avó — parte do domingo e toda a segunda-feira ao lado dela, recarregando não só o corpo, mas também a alma, antes de retornar à capital paulista ao anoitecer.

Na manhã do dia 30, voltei à Barra Funda para encontrar os amigos de Corbélia, Tite e Carvalho. O ônibus deles atrasou bastante e só chegou perto das 11h. E sem perder tempo, seguimos direto ao Parque do Ibirapuera para a retirada dos kits. Resultado: quase três horas de fila. Cansativo, mas fazia parte do pacote São Silvestre.

Depois, almoço, descanso no hotel e, à noite, um jantar leve seguido de uma rápida passagem pela Avenida Paulista — aquele último contato silencioso com o palco onde, no dia seguinte, a história seria escrita por mais de 50 mil corredores e onde traçamos uma estratégia para nos encontramos após a prova.

Dia 31. Acordamos pouco antes das 5 da manhã. Café rápido, tênis nos pés e coração acelerado. Seguimos para a Paulista, já tomada por uma multidão impressionante. Era impossível não se arrepiar: mais de 50 mil pessoas reunidas para celebrar a centésima edição dessa prova lendária.

O Carvalho, estreante na São Silvestre largou no setor vermelho - o único setor disponível quando fiz a inscrição pra ele.
Já o Tite foi no pelotão Premium e eu fiquei no setor azul.

A espera foi longa. Mais de duas horas até a largada, organizada em ondas. A minha aconteceu às 8h15. Como sempre, os primeiros metros foram tensos. Muito congestionamento, pouco espaço e o cuidado redobrado — uma queda ali poderia virar um efeito dominó com consequências nada agradáveis.

Após o viaduto, finalmente surgiram alguns espaços para correr melhor. Mesmo assim, em muitos trechos era inevitável fazer zigue-zague de um lado para o outro da rua em busca de uma brecha. Mas, em certos pontos, a solução era correr pela calçada mesmo.

Passado o primeiro quilômetro (com um pace até muito bom 3min43s) imaginei que o fluxo melhoraria, mas aconteceu justamente o contrário. A prova seguia extremamente tumultuada. Acredito que a busca pela medalha histórica fez com que muitos atletas se posicionassem mais à frente, não se importando em passar pelo pórtico e ter seu tempo computado pelo chip e isso acabou intensificando ainda mais o congestionamento.

Acabei aproveitando bem as descidas que haviam após o primeiro quilômetro e fechei o km 2  mais rápido que o primeiro (3min33s). Mas, não estava sendo nada fácil.
Apesar do céu nublado, a temperatura beirava os 28 graus — sensação térmica bem maior para quem estava correndo. O suor escorria em excesso.

Cheguei ao km 5 em torno de 19min20s, aproximadamente. E com um terço da prova concluído, ficou claro que baixar de uma hora seria improvável. A partir do sexto quilômetro, começavam as subidas e o pace médio de cada km já ultrapassou os 4min — e no a partir do km 10, onde passei com o tempo total de 39min30s tive a confirmação de que o tempo final da prova deste ano seria pior do que o da minha primeira São Silvestre, disputada vinte anos atrás quando completei com 1h00min33seg.

Até que eu queria fechar esta última participação abaixo de uma hora. Mas, com todas as adversidades isso já não estava mais nos planos. rsrs

O desgaste da viagem, o calor, a redução nos treinos nas últimas semanas do ano e as intermináveis subidas antes da Brigadeiro cobraram seu preço. E quando ela finalmente apareceu — imponente, desafiadora — confesso que pensei em caminhar. Mas resisti. Não parei. Segui firme, mesmo em um ritmo bem abaixo do ideal.

“Na minha 19ª São Silvestre, a Brigadeiro surgiu como sempre: imponente, silenciosa e pronta para cobrar respeito.”


Completei os dois quilômetros da Brigadeiro no limite. E ao retornar à Paulista, já próximo de uma hora de prova, o foco passou a ser apenas manter uma passada firme e cruzar a linha de chegada.
E assim concluí minha 19ª São Silvestre em 1h01min15s. Muito longe do recorde pessoal obtido no ano anterior que foi de 55min44seg. Mas, foi o que deu pra fazer neste ano centenário. E, sinceramente? Tá de bom tamanho.

“Cruzar este pórtico pela 19ª vez não é apenas chegar ao fim de uma prova. Talvez seja uma despedida — mas uma despedida bonita, construída ao longo de anos de dedicação, renúncias e amor pela corrida.”


No pelotão geral, fui o 119º colocado e, considerando todos os mais de 28 mil concluintes da categoria masculina, posso dizer que fiquei entre os melhores da prova.

Ao final, reencontrei o Tite, que largou na Premium, e juntos fomos buscar a belíssima medalha da
100ª Corrida Internacional de São Silvestre — um símbolo que carrega muito mais que metal: carrega história.

Depois, ainda houve tempo para reencontrar outros amigos do Paraná e da minha cidade também.
E ao retornar ao hotel pude viver mais um capítulo típico dessa aventura: ir resgatar o Carvalho, que conseguiu se perder após completar a prova e foi parar a mais de 3 km da Paulista, enquanto nosso hotel ficava a apenas 300 metros.
No fim, deu tudo certo e voltamos todos em segurança para casa.

EM RELAÇÃO A PROVA:
Bagunçada como sempre.
Inscrição confusa e caríssima, retirada de kits demorada, falta de camisetas, água escassa no percurso, medalhas faltando no final e denúncias lamentáveis de staffs vendendo no metrô. Situações que entristecem, principalmente em uma edição histórica.

Talvez por tudo isso — e também pelos altos custos — é bem provável que esta tenha sido minha última São Silvestre. Com o valor gasto para correr essa prova, consigo disputar duas maratonas aqui no Paraná. E meus planos a partir de 2026 são claros: buscar minha
50ª maratona… e quem sabe, um dia, a 100ª.
Talvez eu volte apenas na edição 111. Ou antes, caso apareça um patrocinador disposto a bancar tudo para que eu possa largar no pelotão Premium. O que é difícil… mas sonhar não custa. rsrsrs

Encerrando 2025 com 
18 provas disputadas, 16 pódios conquistados. Um ano simplesmente fantástico.

Para 2026, a ideia é reduzir o número de provas, controlar os gastos e focar nas maratonas — não em busca de performance extrema, mas para correr com prazer, menos sofrimento e alcançar as metas traçadas.
Porque no fim, mais importante do que o tempo no relógio, é continuar escrevendo a própria história… passo a passo, quilômetro a quilômetro.

Pra finalizar quero deixar o meu muito obrigado à empresa Brasil Sul, através do Carlos da agência de Cascavel, ao excelente corredor Ademir Ramos de Cascavel e a um amigo que prefere não ser identificado. A colaboração de cada um de vocês foi fundamental para que esse objetivo se tornasse realidade. 
19 São Silvestres concluídas. Histórias, sacrifícios e orgulho que ninguém tira. 🏅


Segue abaixo mais algumas fotos:
 
Meu numeral.
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Na retirada dos kits.
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Faltando 1 dia para a histórica 100ª São Silvestre.
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Com os amigos de Corbélia Tite que fez sua 4ª São Silvestre (1h09min43seg) e o estreante Carvalho (1h11min17seg).
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Antes da largada.
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Depois da prova com a belíssima medalha.
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Com a 'Chiquinha' e o 'Chapolin Colorado'. rsrs
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Na Avenida Paulista prestes a voltar pra casa com os amigos paranaenses.
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A bela medalha da prova.
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Todas as minhas 19 medalhas das 19 participações.
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Meu resultado.
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Até a data desta postagem a classificação poderia ser conferida no site da chiptiming.



sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Corrida Nº 268 - 4ª Corrida Porto a Porto - Porto Rico-PR (21dez2025)

Algumas provas ficam marcadas pelo resultado. Outras, pelo percurso. E existem aquelas que vão além do cronômetro, deixando lembranças que misturam amizade, desafio, dor, estratégia e superação.
A Corrida Porto a Porto foi exatamente esse tipo de prova.

“Não era apenas correr, era sobreviver ao sobe e desce implacável do percurso que não permitia distrações: ou você respeitava o trajeto, ou ele te vencia.”




Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 268
Nome da prova: 4ª Corrida Porto a Porto
Cidade: Porto Rico-PR
Data: Domingo, 21 de Dezembro de 2025
Distância: 13kms
Tempo: 53min48seg
Média por quilômetro: 4min08seg
Classificação geral: 16º lugar
Atletas no geral: 252 atletas concluintes
Classificação na categoria por faixa etária 45/49 anos: 2º lugar
Atletas na categoria: 25 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 154 pódios
Pódios por classificação geral: 69 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 77 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 67


No dia
21 de dezembro, tive a oportunidade de participar, junto com grandes amigos, da 4ª edição dessa corrida que liga duas cidades, cruza paisagens incríveis às margens do Rio Paraná e coloca qualquer atleta à prova — não apenas fisicamente, mas também mentalmente.
Foi mais do que correr 13 quilômetros. Foi viver cada metro do percurso intensamente.

Saímos de
Ubiratã na tarde do dia 20 de dezembro, com o Fernando assumindo o volante e nos dando aquela força fundamental. Também vieram com a gente os amigos Lucas e Rafael, de Corbélia, além do Tite que se juntou ao grupo já lá em Goioerê.

Foram cerca de
quatro horas de viagem até chegarmos à Pousada O Porão, localizada literalmente às margens ao Rio Paraná. Uma pousada simples, mas muito bem organizada, confortável e com um custo excelente — apenas R$ 90 por pessoa e ainda tem um restaurante com a comida mais barata da região. Uma ótima escolha para quem quer passar um final de semana super agradável nas prainhas de Porto Rico.

Depois do check-in, demos uma breve caminhada pelos arredores e em seguida resolvemos ir até
Porto São José, local da chegada da prova. E foi ali que veio o primeiro susto: subidas… muitas subidas.
Mesmo sendo um atleta que treina bastante em terrenos inclinados, confesso que precisei rever o planejamento e os objetivos para a prova.
O percurso prometia cobrar caro.

Já de volta a
Porto Rico, fechamos a noite em uma pizzaria e, com sabedoria, retornamos cedo. Antes das 22h já estávamos recolhidos, porque o domingo prometia.

No domingo, dia
21, o pessoal acordou cedo. Por volta das 5h da manhã já estavam de pé. Eu acabei levantando um pouco mais tarde, quase às seis, já que a largada seria somente às 7h.

Café da manhã feito, desci e fui até o local da largada — praticamente em frente ao hotel — para um breve aquecimento. E foi ali que senti algo que me deixou em alerta:
uma dor mais forte nas costas, próxima à coluna, consequência de um probleminha no trabalho ocasionado cerca de dez dias antes e que já vinha incomodando nos treinos.

Durante o aquecimento pressionando as costas pra ver se a dor diminuía.


O aquecimento acabou sendo bem “meia boca”, feito mais na esperança de que a dor não evoluísse durante os
13 km do percurso.
A temperatura estava bem mais amena do que no dia anterior, quando os termômetros de Porto Rico chegaram aos 40°C. Ainda assim, o dia amanheceu com poucas nuvens e tudo indicava que o calor daria as caras mais tarde.

Me posicionei próximo à largada e, quando o atleta 
Vanderlei Cordeiro de Lima — padrinho, organizador e patrocinador da prova — acionou o megafone liberando a largada, partimos em disparada.
Com cerca de 100 metros de prova, já fizemos uma curva à direita e encaramos a primeira ladeira. Ela dava uma leve amenizada após uns 300 metros, apenas para se intensificar novamente logo em seguida.
Fechei o 
primeiro quilômetro em 4min10s, e contei 23 atletas à minha frente.

Na sequência, veio a primeira descida. Aproveitei para ganhar uma ou outra posição e fechei o
segundo quilômetro em 4min cravados. E, felizmente, até ali, nada das dores nas costas.
Com tantas subidas em tão pouco espaço, não havia tempo para pensar em mais nada além do sofrimento imposto pelo percurso. rsrs
E quando parecia que as descidas seriam um “respiro”, vinha o vento contra — que só piorava tudo, especialmente nas rampas seguintes. Um sobe e desce sem fim.
Ainda assim, o desempenho naquele início estava até que muito bem. Passei os 5 km em aproximadamente 21 minutos.

A partir dali, o objetivo ficou claro:
buscar o Oswaldo, de Maringá. Reconheci-o por conta da camiseta da Acorremar e sabia que ele era da minha categoria. E para ter chances mais reais de pódio, eu precisava, no mínimo, alcançá-lo e ultrapassá-lo.
Ele seguia cerca de 100 metros à frente. A “caça” estava lançada. kkkkk

Um pouco antes, entre os km
3 e 4, eu havia me juntado a um pequeno pelotão com outros três atletas. O ritmo era forte e constante, e isso ajudou bastante a manter a cadência e, aos poucos, reduzir a distância para o Oswaldo.

Até o
km 8, já havíamos ultrapassado de três a quatro corredores. Mas, aí, dois atletas do pelotão deram uma arrancada e abriram vantagem. Um outro acabou ficando para trás e eu mantive a cabeça fria e o foco total: alcançar o Oswaldo até o km 11, no máximo. Pois assim, eu teria os dois quilômetros finais para abrir vantagem.

Após o km
 9, ao iniciar mais uma subida, estava bem perto dele e a ultrapassagem veio logo na descida seguinte. Cumprimentei, trocamos algumas palavras rápidas e segui mantendo o ritmo.
Ao finalizar a descida, batemos no km 11. Era a hora de colocar a estratégia em prática. Mantive o foco ainda mais concentrado na subida e consegui abrir uma pequena vantagem.
No topo, veio a descida — e ali eu acelerei.

Passei pelo
km 12, acelerei ainda mais e ganhei mais uma colocação. Passei pelo Vanderlei, que orientava a entrada do trecho final, virei à esquerda e entrei por entre casinhas simples, mas de uma beleza incrível. Veio a última descida… e acelerei tudo o que ainda tinha.
E em uma parcial do garmin no km 12,75 passei com pace de 3min03s. É lógico que isso foi uma parcial do ritmo real no momento que foi por poucos metros, mas foi o suficiente para não dar chances ao azar. rsrs

Última curva à direita, depois à esquerda, e cruzei a linha de chegada em
Porto São José, completamente exausto, com o tempo de 53min48seg. Pace de 4min08s por km. Muito acima do que costumo manter em provas curtas. Mas, as adversidades do percurso não permitiram correr mais rápido.
Mas, ainda assim deu bom.

Quando saiu a classificação oficial, a notícia veio com sabor especial:
2º lugar na minha categoria perdendo por apenas 11 segundos para o campeão e o Oswaldo ficando em . Ou seja, minha estratégia em querer ultrapassá-lo não havia sido em vão. rsrs

A premiação foi simples — um troféu e
R$ 100,00 em dinheiro — mas extremamente significativa diante do nível e da dificuldade da prova.

No fim, pegamos o ônibus de volta para Porto Rico e retornamos para casa no final da tarde,
 levando na bagagem muito mais do que quilômetros corridos. Levamos experiências únicas de um percurso duríssimo, muitas histórias para contar, amizades fortalecidas e aquela sensação indescritível de ter vencido mais um grande desafio.”


Considerações finais sobre a Corrida Porto a Porto

✔️ Percurso extremamente difícil, com muitas subidas longas e íngremes com vento contra;
✔️ 4 pontos de hidratação durante o percurso e na chegada;
✔️ Hidratação final com água, isotônico, banana e até chopp;
✔️ Premiação em dinheiro para os 5 primeiros no geral e os 3 primeiros nas categorias (divididas de 5 em 5 anos);
✔️ Ônibus gratuito levando os atletas de volta do local da chegada até o local da largada;
Ponto negativo: ausência de guarda-volumes — algo fundamental em provas com largada e chegada em cidades diferentes.

A inscrição custou
R$ 75,00 + 1 kg de alimento, um valor muito justo pelo que a prova oferece.
Outro detalhe interessante: a cada edição, a largada muda de cidade. Em 2026, a largada será em Porto São José, com chegada em Porto Rico.

Pra finalizar, preciso mais uma vez deixar meu agradecimento especial aos Postos BCA, na pessoa do amigo José Bocalon, pelo apoio constante e fundamental. Um incentivo que faz toda a diferença para que eu siga acreditando, treinando e competindo em alto nível.


Segue abaixo algumas fotos:

Durante a caminhada em Porto Rico.
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Em Porto São José - local da chegada da prova.
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Meu numeral da prova.
Mais uma vez patrocinado pelos Postos BCA.
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Largada da prova quase em frente a pousada.
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Pouco antes da largada.
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Por volta do km 11 com o Rio Paraná ao fundo.
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Com os companheiros de viagem após a prova.
Lucas: 1h09min25seg
Rafael: 59min53se
Tutta: 53min48seg
Fernando: 55min53seg (3º na faixa etária)
Tite: 58min40seg
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Com o atleta olímpico e organizador da prova - Vanderlei Cordeiro de Lima.
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Pódio da categoria 45/49 anos.
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Os 10 primeiros colocados na categoria 45/49 anos.
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Os 20 primeiros colocados na classificação geral masculina.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser visualizada no site da chiptiming.
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Com o amigo Fernando Matiussi que foi 3º colocado em sua categoria.
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O troféu e a medalha da prova.
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Parciais de cada km.
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O belíssimo pôr do sol na prainha de Porto São José.