A minha sexta maratona aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 8 de julho de 2012.
Eu já cheguei com uma vantagem importante: meu irmão morava lá, o que facilitou muito ter onde ficar e não precisar me preocupar com isso.
Mas o dia da prova já começou daquele jeito.
Acordamos com o tempo fechado, céu carregado, e ainda caiu uma chuva pouco antes de sair. Até aí, nada demais. O problema foi o caminho até a largada. Foram três ônibus, cada um com mais dúvida do que certeza se realmente chegaria ao Recreio dos Bandeirantes. O tempo passando, a ansiedade aumentando… até que não teve jeito: pegamos um táxi e fomos praticamente correndo contra o relógio. Chegamos quase na hora. Aquela correria que já te deixa com o coração acelerado antes mesmo da largada.
E como se não bastasse, a chuva voltou exatamente na hora da largada. E não foi embora mais.
Eu também não estava no melhor momento. Tinha vindo de uma gripe e praticamente não treinei direito nas semanas anteriores. Corri pouco, e quando corri, foi num ritmo abaixo do que eu fazia antes. Comparando com a preparação que tive pra maratona de Curitiba no ano anterior, a diferença era grande. Por isso, larguei com a cabeça no lugar. Sem inventar moda.
O objetivo era claro: tentar manter um ritmo que me levasse a menos de 3 horas, mas sem forçar demais no começo pra não quebrar depois.
Só que a largada estava congestionada. O primeiro quilômetro saiu em 4:40. O segundo já melhorou um pouco, 4:20. No km 5 eu estava perto de 21 minutos, e no km 10 passei com 41 minutos cravados. Era um tempo bom, dentro do que eu precisava, então segui controlando.
Lá pelo km 15 começaram os problemas.
Primeiro veio uma dor na virilha. Depois a coxa direita começou a incomodar. E não parou por aí. A sola do pé também entrou na conta, principalmente na parte da frente e no dedão. Teve hora que parecia que estava queimando. Literalmente.
E aí veio uma mudança curiosa. No início eu desviava de todas as poças d'água para não molhar o tênis. Depois comecei a fazer o contrário. Passava dentro delas de propósito, tentando aliviar aquela sensação de calor no pé. Era o jeito que dava pra continuar.
Na meia maratona passei com pouco menos de 1h26. Ainda estava dentro da meta, mas já lidando com desconforto em vários pontos. A partir dali, cada quilômetro virou um cálculo. Eu ficava o tempo todo fazendo conta na cabeça, tentando garantir que o sub 3 ainda era possível.
Do km 32 em diante, a briga ficou mais mental do que física. A dor na virilha até sumiu, mas o pé e a coxa continuavam ali, lembrando a cada passo que nada seria fácil.
Quando cheguei no km 39, percebi que tinha uma pequena margem de tempo. Não era grande coisa, mas era suficiente pra tomar uma decisão. Em vez de apertar mais, preferi aliviar um pouco o ritmo. Passei a correr entre 4:45 e 5:00 por quilômetro. Não valia a pena arriscar piorar tudo naquele ponto.
E então veio aquele momento que todo maratonista espera.
Eu avistei o pórtico de chegada.
Ali eu tive certeza. Não precisava mais calcular nada, não precisava mais segurar nada. Era só chegar.
Cruzei a linha de chegada com o tempo líquido oficial de 2h54min36seg, confirmando mais uma vez o sub 3.
O corpo estava cansado, sentindo cada dor que apareceu no caminho. Mas por dentro, a sensação era outra. Era felicidade pura. Aquela satisfação de saber que, mesmo sem estar no melhor preparo, mesmo com todos os problemas, eu consegui.
Sexta maratona concluída. Quinta abaixo das 3 horas.
Recebi a medalha, e o staff que me entregou ainda confirmou com um sorriso: - “É sub3.”
Eu só agradeci e segui.
Depois encontrei a galera dos Baleias, conversamos bastante, demos risada, tiramos fotos no Bar Belmonte… aquele clima que só quem corre sabe como é.
E no fim do dia, voltei pra casa do meu irmão em Jacarepaguá andando todo travado, parecendo um robocop. Mas feliz. rsrs
Porque mais uma maratona tinha entrado pra conta. Mesmo sem saber, naquele momento, que aquilo era só o começo de uma grande jornada.
📖 Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.



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