terça-feira, 21 de julho de 2026

Corrida Nº 273 - Desafio APAE Tuicial Run (26abr2026) Cascavel-PR

Duas semanas após cruzar a linha de chegada da minha 45ª maratona, lá estava eu novamente diante de uma linha de largada. Dessa vez, não eram 42 quilômetros… eram “apenas” 10. Mas quem vive a corrida de verdade sabe: não existe prova fácil quando você carrega o desgaste no corpo e a vontade gigante no coração.

"Nem sempre o corpo está no melhor dia… mas quando a mente decide não se entregar, a história muda."



Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 273
Nome da prova: Desafio APAE Tuicial Run 2026
Cidade: Cascavel-PR
Data: Domingo, 26 de Abril de 2026
Distância: 10kms
Tempo: 36min49seg
Média por quilômetro: 3min40seg
Classificação geral: 1º lugar
Atletas no geral: 340 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 157 pódios
Pódios por classificação geral: 71 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 1635


Eu sabia. A preparação para provas curtas não tinha sido como deveria. A recuperação da maratona ainda estava longe do ideal. Qualquer previsão de desempenho naquele Desafio APAE Tuicial Run 2026 era, no mínimo, incerta.
Mas existe algo que não depende de planilha, de treino perfeito ou de descanso ideal.
A
 vontade de se superar.

E quando o tiro de largada soa… eu deixo de ser apenas um mero corredor qualquer. E me transformo em alguém que não aceita se entregar.

Naquele dia 26 de abril de 2026, saímos de Ubiratã ainda de madrugada. 5h da manhã. Céu fechado, carregado, anunciando chuva, muita chuva — daquelas que vêm para lavar mais do que o asfalto.
No carro, minha esposa, a Ester que nos deu carona e a Dayane, que também enfrentaria o desafio. Silêncio, atenção na estrada, expectativa e aquele frio na barriga que só quem vive isso entende.

Chegamos em Cascavel, no Centro de Eventos. Mais de 2 mil atletas inscritos. A maior corrida de rua da cidade.
Peguei meu kit, fiz um aquecimento breve, troquei algumas palavras rápidas com meu primo João e minha prima Clara… mas, por dentro, eu já estava em outro lugar. Na linha de largada.

Focado. Presente. Pronto.

Me posicionei bem na frente. Olhei ao redor. Sabia que tinha gente forte ali. Sabia também que, mesmo sem estar 100%, eu podia brigar.

E então… largamos.

Saí forte. Talvez até mais do que deveria. O relógio marcava um ritmo agressivo — 3:35 no primeiro quilômetro. Corpo ainda pesado, mas respondendo bem. Mente firme.

Segundo km: 3:41.
Terceiro: 3:37.
Quarto: 3:31.
Muito além do que eu poderia imaginar.

Quando os atletas dos 5km fizeram o retorno e seguimos apenas nós dos 10km… foi ali que a corrida realmente começou.
Eu era o terceiro geral.

E não só isso — eu estava colado. A poucos metros do segundo colocado que seguia quase lado a lado com o líder da prova.
Aquela distância que não assusta… mas provoca.

Ali começou o diálogo interno dentro de mim:
“Dá pra buscar.”
“Mas será que o corpo aguenta?”
“Não interessa… vai.” - e fui...

No km 5, fiz o movimento. Acelerei o passo. 
Ultrapassei e assumi a liderança.

Por um instante, pensei: “Pode ser momentâneo.”
Mas passo após passo… aquilo começou a se tornar real.

Até o km 7, ainda sentia a presença de um dos atletas logo atrás. O som das passadas… aquele eco constante que não deixa você relaxar.

Mas então… o som começou a desaparecer.
E ali, eu entendi: a vantagem estava crescendo.

No último ponto de hidratação, a confirmação: mais de 200 metros à frente.

Aquilo não foi apenas informação.
Foi combustível.

Mas, ao invés de aliviar… eu acelerei.
Km 9: 3:24.

Era hora de garantir. Era hora de fechar a conta.
Mas corrida nenhuma se entrega fácil.

Veio a última subida. Dura. Cruel. Daquelas que fazem o corpo cobrar tudo que você já fez até ali.
O ritmo caiu. As pernas pesaram. A respiração apertou.
Mas a mente… A mente já tinha decidido.

Não olhei pra trás.

Venci a subida. Virei à direita. Depois à esquerda. Entrei novamente no Centro de Eventos.
E ali… cruzei a linha de chegada. - Campeão Geral.

Sem nome no alto-falante. Sem aquele anúncio que muitos esperam. No meio de centenas de atletas dos 5km, a chegada foi silenciosa… quase anônima.

Mas dentro de mim?
Foi ensurdecedor.

O tempo não foi dos melhores (36:49)… mas só o fato de voltar a vencer uma prova no geral — não tem preço. Não existe tempo no relógio capaz de diminuir o valor dessa conquista.

Porque, no fundo, eu sabia exatamente o que aquela vitória representava.
Quase 50 anos de idade. Um ano difícil. Preparação longe do ideal. O corpo ainda sentindo a maratona.
E mesmo assim… vencer no geral.
E ainda por cima, na maior corrida de rua de Cascavel.
Isso é muito mais do que um grande resultado.
Uma vitória que não vinha desde 2022.

Depois de comemorar, quase anonimamente, teve o pódio — ajustado, corrigido, esperado. Dois atletas haviam cortado caminho. A classificação foi revista. E então, finalmente, subi ao lugar que a corrida já tinha me dado lá atrás: o topo.

Ali, não era só mais um troféu.
Era a soma de tudo.
Disciplina. Constância. Persistência. Amor pelo que eu faço a quase 27 anos no atletismo.

Por fim, voltamos para casa debaixo de muita chuva. Daquelas que lavam a alma.
E no silêncio da volta, uma certeza muito clara: "Nem sempre a gente está no melhor momento. Mas desistir nunca foi, e jamais será uma opção para o Tutta Maratonista."

Porque no final… a corrida sempre devolve.
E devolve para quem insiste.

E enquanto houver uma linha de largada, haverá sempre uma nova chance de provar — principalmente para si mesmo — do que você é capaz.


Segue abaixo algumas fotos:

Meu numeral.
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Antes da largada.
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Com meu primo João que sempre me dá sorte quando fazemos uma foto. rsrs
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Galera de Ubiratã presente em Cascavel:
Vitor, Leide, Tutta, Daiane, Estér e Edgar.
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A disputa pela liderança dos 10kms.
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Comemorando mais uma vitória no geral.
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Hora da consagração.
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Subir no pódio em primeiro lugar no geral é especial…
mas só eu sei o que precisei vencer para chegar até aqui.
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É sempre bom ter companheiros que valorizam as nossas conquistas.
Valeu Ivan (4º) e Gustavo (3ª).
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Atletas de Ubiratã que pegaram pódio.
Dayane, 2ª na faixa etária dos 10kms;
Vitor, 1º na faixa etária dos 10kms.
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O pódio é só uma parte da história…
o resto foi construído na base da dedicação e persistência.
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Os 15 primeiros colocados dos 10kms da prova masculina.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser acessada no site Rodrigocirilo.com.br
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A medalha e o troféu.
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Meu maior prêmio... obrigado por estar presente em minha vida e sempre me apoiar.
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Vídeo subindo no pódio.
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