Às vezes, a linha de chegada não revela apenas um tempo — ela mostra tudo aquilo que você enfrentou para estar ali. E essa maratona, a número 45, foi exatamente isso: uma prova de resistência, não só física, mas principalmente mental.
Teve dor, teve dúvida, teve batalha interna…
Mas também teve coragem — e ela me trouxe até o pódio.
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Segue os dados gerais da prova:Corrida número: 272
Nome da prova: Maratona Velho Oeste & Univel
Cidade: Cascavel-PR
Data: Sábado, 12 de Abril de 2026
Distância: 42,2kms
Tempo: 3h00min05seg
Média por quilômetro: 4min16seg
Classificação geral: 4º lugar
Atletas no geral: 63 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 156 pódios
Pódios por classificação geral: 70 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 4022
Nem sempre a preparação é perfeita… mas existem dias em que a entrega compensa tudo. E a minha maratona número 45 foi exatamente isso: um confronto direto entre o que faltou nos treinos e o que sobrou na alma.
Até pode parecer repetitivo para quem acompanha meu blog, mas a verdade é que cada largada carrega uma história diferente. E dessa vez, de novo, eu não cheguei preparado como gostaria. O ano começou pesado… lesão, afastamento, dores… e, como se não bastasse, três semanas antes da prova, o velho incômodo no joelho esquerdo resolveu dar as caras novamente. Aquele mesmo joelho que já me testou outras vezes ao longo da caminhada.
Mas quem vive esse esporte sabe: nem sempre você está pronto… e mesmo assim, decide ir.
E foi assim que, no dia 11 de abril, segui rumo a Cascavel para encarar a minha 45ª maratona. Não fui sozinho. Levei comigo minha base, meu porto seguro — minha esposa e meu enteado. Porque correr é individual, mas chegar até ali… nunca é.
A viagem, a retirada de kit, os detalhes simples… tudo fazia parte do ritual. A ansiedade já dava sinais. A noite foi mal dormida — daquelas em que o corpo deita, mas a mente já está na largada. Cada ida ao banheiro, cada cochilo interrompido… era o coração avisando: “amanhã é dia de batalha”.
E quando o dia amanhece assim… você sente que não é só mais uma corrida.
Na largada, como de costume, poucos aquecimentos e muita concentração. Me posicionei à frente. A experiência ensina a confiar no instinto — e eu sabia que, mesmo sem a preparação ideal, ainda havia algo ali dentro capaz de me levar longe.
O tiro de largada ecoou… e junto com ele, aquela velha sensação de liberdade misturada com responsabilidade.
O plano era controlado: ritmo de 4:05/km. Mas o corpo decidiu responder diferente. Primeiro quilômetro: 3:48. E, surpreendentemente, eu estava bem. Leve. Solto. Presente.
E foi ali que a prova começou a mudar.
A cada quilômetro, a confiança crescia. O joelho, silencioso. O clima, perfeito. O percurso ajudava. E quando percebi, já estava disputando posições lá na frente.
O Anderson, de Umuarama, vinha muito próximo, praticamente no mesmo ritmo. E ali começou uma disputa silenciosa, daquelas que não precisam de muitas palavras. Corri à frente dele até próximo do km 10, sempre atento, controlando, sem deixar abrir espaço.
No primeiro retorno, ainda havia dúvida sobre posições, mas já dava para perceber que estávamos entre os 3 primeiros.
Na sequência, ele encostou. Trocamos algumas palavras rápidas — o suficiente para entender o cenário. Ele comentou que eu era o primeiro e ele o segundo. Aquilo deu ainda mais peso ao momento.
Mas, na verdade, éramos segundo e terceiro. Por conta da meia maratona ter largada simultânea aos 42kms, não vimos que havia um outro atleta na nossa frente. Mas, isso não tira o peso da responsabilidade que cada um de nós tinha ali naquele momento da prova.
Com o amigo Anderson de Umuarama.
Ele sentiu uma lesão e precisou reduzir e ainda assim completou a prova com 3h19min18seg em 11º geral e 3º em sua faixa etária.
Pouco depois desta troca de palavras, ele passou e assumiu a frente. Do km 11 ao 16, segui atrás, acompanhando de perto, sem deixar escapar. Não era desespero — era estratégia, leitura de prova, respeito ao momento.
E então, após o km 16, veio a resposta. Retomei a posição, ultrapassei novamente e reassumi o segundo lugar geral, mantendo o ritmo firme e constante.
Seguimos assim até o fechamento da primeira volta (21kms).
Passei a meia com 1h22.
Forte.
Muito acima do que qualquer previsão indicaria para alguém que vinha de poucos treinos.
Vídeo no momento em que completo a primeira volta com 1h22.
E naquele momento… eu ainda me sentia bem.
Mas maratona não perdoa. E eu sei muito bem disso.
Depois dos 25 km, ela começa a cobrar.
O cansaço chegou. Primeiro sutil… depois mais presente. O vento contra na avenida Tancredo Neves parecia testar não só as pernas, mas a mente. E ali, cada passo começou a exigir mais.
A partir dali, não era mais estratégia.
Era resistência.
Do km 30 em diante, cada quilômetro era uma conversa interna. O corpo pedia para diminuir… a mente insistia para continuar.
No km 36, o limite já era claro. A vontade de caminhar apareceu… mais de uma vez. Mas ali entra algo que não se constrói em um dia: disciplina, constância, mentalidade.
Eu sabia que não estava ali por acaso.
Mesmo com o ritmo caindo, eu seguia. Ainda entre em segundo lugar geral. Ainda lutando.
No km 40, o corpo pediu uma pausa. Caminhei. As cãibras começaram a aparecer… daquelas que travam e fazem você encarar seus próprios limites.
No km seguinte perdi uma posição. Perto do km 42 outra.
Mas não perdi a essência. Segui lutando.
Porque no fim… cair faz parte. Permanecer no chão, não.
Com incentivo de quem estava ali — staff, público, vozes que muitas vezes nem conhecemos — encontrei forças. Daquelas que não vêm do físico. Vêm de dentro.
Olhei para trás… estava sozinho.
E naquele momento, entendi: a verdadeira disputa sempre foi interna.
Ignorei a dor. Superei as cãibras. E corri. Devagar mas corri.
A verdadeira luta nunca foi contra os outros… foi contra mim mesmo — e eu não parei.
E cruzei a linha de chegada da minha 45ª maratona com o tempo de 3h00min05seg - 4º lugar geral.
E mais do que isso: a certeza de que, mesmo sem o cenário ideal, eu fui lá e fiz acontecer.
Depois da chegada, o corpo cobrou. Pressão caiu. Atendimento médico. Cãibras intensas. Mas tudo isso faz parte do preço de quem se entrega de verdade.
E no meio disso tudo… vieram os sorrisos, as conversas, o apoio da família, os amigos, o pódio e o retorno pra casa com o corpo cansado… mas com a mente em paz.
Porque cada maratona não é apenas uma prova. É parte de algo maior.
E essa reforçou algo que carrego comigo há muito tempo: "não existem condições perfeitas — existe decisão." - e eu decidi estar ali.
No final, o que realmente importa não é como você chega… é não parar no meio do caminho.
Porque quem insiste, evolui. E quem evolui… chega.
E eu cheguei...
Segue abaixo algumas fotos:
Meu numeral.
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Apesar do sofrimento, nada se compara com a felicidade de cruzar a linha de chegada de mais de maratona.
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Já recuperado e ao lado dos amigos: Riki que completou sua segunda maratona com o tempo de 3h56min12seg e Fernando que foi prestigiar a prova.
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Subir ao pódio geral é especial…
Mas, o verdadeiro mérito está em tudo que foi preciso suportar até chegar aqui.
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O troféu bem simples... a medalha show.
E 38 dias depois da prova, recebo a premiação em dinheiro para motivar ainda mais.
Foram 500 reais recebidos.
E 38 dias depois da prova, recebo a premiação em dinheiro para motivar ainda mais.
Foram 500 reais recebidos.
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Vídeo feito pelo amigo Fábio de Cascavel.
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Os 5 primeiros colocados no geral masculino dos 42kms.
Até a data da publicação deste texto a classificação completa poderia ser acessada no site da Foureventos.
Até a data da publicação deste texto a classificação completa poderia ser acessada no site da Foureventos.
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Vídeos da chegada.











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