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terça-feira, 11 de agosto de 2026

A Minha 7ª Maratona (Brasília 2013)

Algumas maratonas começam muito antes do dia da largada.

A minha 7ª foi em Brasília no dia 5 de maio de 2013 mas ela começou ainda no ano anterior, quando olhei a classificação geral e percebi que, com o tempo que eu costumava fazer nas maratonas, poderia terminar entre os dez primeiros colocados.
Aquilo ficou na minha cabeça.
E quando uma ideia entra na cabeça de um maratonista, ela costuma virar objetivo.

E para tentar transformar aquela possibilidade em realidade, fiz uma preparação de apenas oito semanas.
Treinava, em média, quatro dias por semana e, nesse período, percorri quase 450 quilômetros.
Não era uma preparação longa, mas era o que eu tinha e foi o suficiente para ganhar confiança.

Mas, na última semana, quase coloquei tudo a perder.
Após um simples treino na grama fiquei com a camiseta molhada de suor por mais tempo do que deveria e isso acabou me rendendo um resfriado.
A garganta inflamou. E ficou assim até o dia da maratona.
Felizmente, não chegou a atrapalhar meu desempenho.

Viajei para Brasília dois dias antes da prova e fiquei hospedado na casa dos amigos e companheiros de equipe, João e Izabel.

No domingo, acordei às 5h15.
Às 7 horas, pontualmente, foi dada a largada.

Eu tinha uma estratégia bem definida: tentar manter um ritmo próximo de 4 minutos por quilômetro até o km 30 e, depois disso, administrar até 4min30seg por quilômetro para buscar uma chegada por volta de 2h54.

Larguei cauteloso, sem sequer fazer aquecimento.
No km 1, 4min08seg. Depois encaixei o ritmo.
Quando completei o km 10, meu cronômetro marcava 38min48seg.
Eu estava abaixo da média que havia planejado. E isso era ótimo.

Já havia encaixado o ritmo e os quilômetros saíam entre 3min50seg e 4min05seg.
A corrida fluía muito bem, as pernas respondiam e, naquele momento, tudo parecia caminhar exatamente como eu havia imaginado.
Passei pela metade da prova, no km 21, com 1h22min.
O ritmo estava tranquilo.
O percurso também.
E um gel tomado pouco antes da meia maratona ajudava a manter as forças renovadas.

Mas uma maratona começa a mostrar quem realmente está preparado quando os quilômetros vão se acumulando.
E, conforme o km 30 se aproximava, o ritmo começou a diminuir.
Ainda conseguia correr próximo dos 4 minutos por quilômetro, exatamente como havia planejado.
Quando completei o km 30, o relógio marcava aproximadamente 1h58min.
Eu estava dentro da estratégia.
Só que, dali para frente, a história começou a mudar.

Até o km 32 ainda conseguia manter uma média próxima dos 4 minutos.
Depois disso, o ritmo foi caindo.
Cheguei, em determinado momento, perto dos 4min40seg por quilômetro.
Tentei outro gel.
Mas nem ele foi suficiente para devolver a energia que eu precisava para enfrentar os 10 quilômetros restantes.

E ainda havia um detalhe importante: 
o percurso começava a subir.
A cada subida, eu perdia tempo.
E quando finalmente aparecia uma descida, o corpo já não tinha forças para recuperar o que havia perdido.
Os últimos cinco quilômetros foram uma verdadeira pedreira.
E, se a memória não me trai, eram praticamente todos em subida.

Nos km 37 e 38, fui ultrapassado por dois corredores. O segundo era da minha categoria e terminou três minutos à minha frente. Tentar acompanhá-lo naquele momento poderia significar quebrar mais adiante. Então preferi administrar e garantir mais um sub-3h
.
Sabia que aquela era hora de administrar e mesmo se eu corresse a 5 minutos por quilômetro naquele final de prova, eu ainda conseguiria terminar abaixo das três horas.

E foi exatamente o que eu fiz.
Continuei no meu ritmo.
Sem tentar buscar aquilo que o corpo já não tinha.
Até que, faltando aproximadamente 500 metros para a chegada, apareceu o último desafio.
Uma rampa de cerca de uns 70 a 100 metros, ao lado do Congresso Nacional.
E que rampa!
Era muito íngreme.
Subi correndo. Mas, sinceramente, eu estava mais lento correndo do que estaria se tivesse alguém caminhando ao meu lado. rsrs

Só que, depois da rampa, veio aquilo que todo maratonista espera.
O pórtico de chegada apareceu. E, quando a gente avista a linha final, parece que o corpo encontra forças de algum lugar que a gente nem sabe explicar.
Consegui acelerar um pouco e cruzei a linha de chegada em 2h54min27seg.
Um tempo que, curiosamente, já havia aparecido para mim em um sonho alguns dias antes.




Mas a história daquele dia ainda não havia terminado.
Eu tinha um objetivo além do tempo.
No ano anterior, aquele resultado teria me colocado entre os dez primeiros da classificação geral e provavelmente me daria o primeiro lugar na faixa etária. E naquele ano (2013), eu acreditava que poderia brigar pelo pódio.
Só que, quando anunciaram os três primeiros colocados da categoria de 35 a 39 anos, meu nome não estava entre eles.
Fiquei frustrado. Mas, de certa forma, aceitei.

Até que o corredor que havia me ultrapassado no km 38 percebeu que havia alguma coisa errada e foi questionar a organização.
Outros atletas também começaram a conferir os resultados. E então fomos atrás.

Depois de alguns minutos de conversa, conferências de nomes, números e tempos registrados nos próprios cronômetros dos atletas, a organização refez a verificação e
 veio a confirmação: havia um erro na classificação.
O resultado foi corrigido.
E os verdadeiros merecedores do pódio foram chamados.
Dessa vez, meu nome estava lá: 3º colocado na categoria de 35 a 39 anos.




Aquele pódio teve um sabor diferente.
Não apenas pelo resultado.

Mas porque, depois de 42 quilômetros de esforço, quando parecia que a história já estava encerrada, ainda foi preciso lutar por aquilo que eu havia conquistado dentro da pista.
E assim subi ao pódio para celebrar uma das conquistas mais importantes daquele primeiro semestre de 2013.
Uma maratona de 2h54min27seg.
Um terceiro lugar.
E uma certeza que ficaria marcada comigo: "algumas conquistas não terminam quando cruzamos a linha de chegada. Às vezes, é preciso continuar lutando até que o resultado faça justiça a tudo aquilo que você foi capaz de conquistar."


📖
Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.


















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- A Maratona 1




sexta-feira, 31 de julho de 2026

A Minha 6ª Maratona (Rio de Janeiro 2012)

A minha sexta maratona aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 8 de julho de 2012.
Eu já cheguei com uma vantagem importante: meu irmão morava lá, o que facilitou muito ter onde ficar e não precisar me preocupar com isso.

Mas o dia da prova já começou daquele jeito.
Acordamos com o tempo fechado, céu carregado, e ainda caiu uma chuva pouco antes de sair. Até aí, nada demais. O problema foi o caminho até a largada. Foram três ônibus, cada um com mais dúvida do que certeza se realmente chegaria ao Recreio dos Bandeirantes. O tempo passando, a ansiedade aumentando… até que não teve jeito: pegamos um táxi e fomos praticamente correndo contra o relógio. Chegamos quase na hora. Aquela correria que já te deixa com o coração acelerado antes mesmo da largada.
E como se não bastasse, a chuva voltou exatamente na hora da largada. E não foi embora mais.

Eu também não estava no melhor momento. Tinha vindo de uma gripe e praticamente não treinei direito nas semanas anteriores. Corri pouco, e quando corri, foi num ritmo abaixo do que eu fazia antes. Comparando com a preparação que tive pra maratona de Curitiba no ano anterior, a diferença era grande. Por isso, larguei com a cabeça no lugar. Sem inventar moda.

O objetivo era claro: tentar manter um ritmo que me levasse a menos de 3 horas, mas sem forçar demais no começo pra não quebrar depois.
Só que a largada estava congestionada. O primeiro quilômetro saiu em 4:40. O segundo já melhorou um pouco, 4:20. No km 5 eu estava perto de 21 minutos, e no km 10 passei com 41 minutos cravados. Era um tempo bom, dentro do que eu precisava, então segui controlando.

Lá pelo km 15 começaram os problemas.
Primeiro veio uma dor na virilha. Depois a coxa direita começou a incomodar. E não parou por aí. A sola do pé também entrou na conta, principalmente na parte da frente e no dedão. Teve hora que parecia que estava queimando. Literalmente.
 




E aí veio uma mudança curiosa. No início eu desviava de todas as poças d'água para não molhar o tênis. Depois comecei a fazer o contrário. Passava dentro delas de propósito, tentando aliviar aquela sensação de calor no pé. Era o jeito que dava pra continuar.

Na meia maratona passei com pouco menos de 1h26. Ainda estava dentro da meta, mas já lidando com desconforto em vários pontos. A partir dali, cada quilômetro virou um cálculo. Eu ficava o tempo todo fazendo conta na cabeça, tentando garantir que o sub 3 ainda era possível.

Do km 32 em diante, a briga ficou mais mental do que física. A dor na virilha até sumiu, mas o pé e a coxa continuavam ali, lembrando a cada passo que nada seria fácil.

Quando cheguei no km 39, percebi que tinha uma pequena margem de tempo. Não era grande coisa, mas era suficiente pra tomar uma decisão. Em vez de apertar mais, preferi aliviar um pouco o ritmo. Passei a correr entre 4:45 e 5:00 por quilômetro. Não valia a pena arriscar piorar tudo naquele ponto.

E então veio aquele momento que todo maratonista espera.
Eu avistei o pórtico de chegada.
Ali eu tive certeza. Não precisava mais calcular nada, não precisava mais segurar nada. Era só chegar.

Cruzei a linha de chegada com o tempo líquido oficial de
2h54min36seg, confirmando mais uma vez o sub 3.

Minha chegada.


O corpo estava cansado, sentindo cada dor que apareceu no caminho. Mas por dentro, a sensação era outra. Era felicidade pura. Aquela satisfação de saber que, mesmo sem estar no melhor preparo, mesmo com todos os problemas, eu consegui.
Sexta maratona concluída. Quinta abaixo das 3 horas.

Recebi a medalha, e o staff que me entregou ainda confirmou com um sorriso: - 
“É sub3.”
Eu só agradeci e segui.

Depois encontrei a galera dos Baleias, conversamos bastante, demos risada, tiramos fotos no Bar Belmonte… aquele clima que só quem corre sabe como é.

E no fim do dia, voltei pra casa do meu irmão em Jacarepaguá andando todo travado, parecendo um robocop. 
Mas feliz. rsrs
Porque mais uma maratona tinha entrado pra conta. Mesmo sem saber, naquele momento, que aquilo era só o começo de uma grande jornada.


📖 Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.











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- A Maratona 1


sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Minha 5ª Maratona (Curitiba 2011)

A minha 5ª maratona não começou em Curitiba.
Ela começou no km 38 da Maratona de Assunção.
Ali, meses antes (agosto), eu precisei parar.
Lesão.
Corpo travado. A cabeça querendo ir… mas o corpo dizendo não.
E quem já passou por isso sabe o quanto aquilo pesa. Não é só abandonar uma prova. É sair com a sensação de que ficou algo em aberto.
Aquilo ficou comigo.
Mas, em vez de me derrubar, me fez ajustar.

Voltei diferente. Mais paciente, mais atento, respeitando cada fase do treino. Sem pressa, sem tentar recuperar tudo de uma vez. Apenas fazendo o que precisava ser feito, dia após dia.
E foi assim que eu cheguei em Curitiba, no dia 20 de novembro de 2011...
Confiante. E mas, mais do que isso… consciente.




Na noite anterior, quase não dormi.
A ansiedade apareceu forte. A cabeça já estava na prova, revivendo treinos, imaginando o percurso, antecipando sensações.
Mas isso faz parte.
Com o tempo, a gente entende que nem tudo precisa estar perfeito. Porque o que realmente sustenta no dia da prova é o que foi construído ao longo de meses.

Por volta das 06h20, com o frio marcando 9 graus, eu segui para a largada com os amigos da equipe Baleias.
O corpo sentia o frio.
Mas por dentro, tudo já estava em movimento.
Aquela mistura de nervosismo com vontade. Aquela energia que só quem corre uma maratona conhece.

A largada foi travada.
Muita gente, ritmo lento, quase andando.
E ali já veio o primeiro teste: segurar a ansiedade. Não adianta querer ganhar tempo nos primeiros metros. Maratona não perdoa esse tipo de erro.




Esperei.
Passei pelo tapete, encaixei o ritmo e comecei a correr de verdade.
1º km: 4min02seg.
Exatamente dentro do que eu tinha planejado.
E naquele momento eu senti algo diferente.
Não era empolgação. Era confiança.

Os quilômetros começaram a passar com naturalidade.
Algumas subidas leves apareceram, nada que quebrasse o ritmo. Pelo contrário, eu seguia constante, confortável.
10 km: 39min31seg.
15 km: 58min57seg.
E o mais importante: sem desgaste.
Até uma leve garoa apareceu nesse trecho, ajudando a manter o corpo em uma temperatura perfeita. Tudo colaborava.

Na meia maratona, 1h23min07seg.
Peguei um gel logo depois — o único da prova.
E segui.
Porque naquele dia, tudo estava encaixando.

Cheguei aos 30 km com menos de 2 horas e com uma confiança enorme de que tudo daria certo no final.
Mas maratona é assim. Ela sempre cobra.

No km 34, o ritmo já não era o mesmo.
Não foi uma quebra. Mas já não fluía como antes. O corpo começa a mandar sinais, e é aí que muita gente se perde.
Eu não.
Ali, eu respeitei.
Diminuí um pouco, ajustei o ritmo e segui firme. Sem brigar com o corpo, sem forçar além do necessário.
Experiência também é saber a hora de controlar.

No km 38, veio uma subida mais forte.
E junto com ela, uma lembrança.
Foi exatamente ali, em outra prova, que eu tive que parar.
Mas dessa vez foi diferente.
Passei por ela correndo. Sem drama. Sem hesitar.
E isso teve um peso enorme.

Km 40: 2h42min50s.
Naquele momento, eu sabia.
O sub-3h estava garantido.
E ali, pela primeira vez na prova, eu me permiti desacelerar. Não por cansaço… mas por escolha.
Quis viver aquele momento até o fim.




No km 41, avistei o pórtico de chegada.
E por dentro, a emoção veio forte.
Mas foi quando ouvi os gritos que tudo mudou.
Parte da equipe Baleias que haviam corrido as provas menores estavam lá. Vibrando, chamando, incentivando.
Aquilo não se explica. Aquilo se sente.

Cruzei a linha de chegada em 2h51min54seg pelo tempo líquido oficial da prova c
om uma sensação difícil de colocar em palavras.
Era felicidade. Era alívio. Era orgulho. Tudo junto.




Naquele momento, eu pensei em tudo que tinha feito até ali.
Mais de 250 km rodados no mês anterior.
Longões, treinos de tiro, regenerativos.
E também os dias de descanso.
Porque aprender a parar também faz parte do processo.

Completei assim minha 5ª maratona.
Completei bem.
E ainda subi ao pódio: 6º lugar na categoria.
Sem exageros. Sem euforia.
Mas com a tranquilidade de quem fez o trabalho certo.



Porque, no fim das contas, a maratona nunca é só correr 42 km.
Ela é o que constrói na gente.
Disciplina. Paciência. Resiliência.
E a certeza de que, mesmo quando algo dá errado… sempre dá pra voltar melhor.

No fundo, o que importa não é a velocidade… é a força de continuar.


📖 Continua na série:
Tutta e suas 50 maratonas

















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- A Maratona 1



sexta-feira, 17 de julho de 2026

A Minha 4ª Maratona (Foz do Iguaçu 2010)

No dia 26 de setembro de 2010 - um ano depois da minha terceira maratona, eu voltava a Foz do Iguaçu para correr a 4ª maratona da carreira. O cenário era o mesmo… mas eu já não era o mesmo atleta.

Assim como na edição anterior, fui sem planejamento. Cheguei, retirei meu kit, participei do tradicional jantar de massas e só depois fui procurar um lugar para dormir. A ansiedade, como sempre, não deu trégua. Dormi pouco. Quase nada. Mas, dessa vez, havia algo diferente: confiança. A preparação tinha sido melhor. O corpo estava mais pronto… e a mente, mais forte.

Eu tinha um plano.
Buscar algo próximo de 2h48. Mas, acima de tudo, havia um objetivo muito claro: terminar abaixo das 3 horas. Esse era o compromisso. Esse era o limite que eu não estava disposto a ultrapassar.

O dia amanheceu nublado, com temperatura perfeita. Um convite para sonhar alto. Mas ali estava também um velho conhecido desafio: o percurso mais duro do Brasil. E maratona não aceita excesso de confiança.




A largada veio.

Tentei sair com cautela. Mas a adrenalina falou mais alto. Quando percebi, já estava mais rápido do que o planejado. Ajustei o ritmo. Respirei. Me reencontrei dentro da prova.

Os quilômetros iniciais foram de controle e confiança. O corpo respondia bem, o ritmo encaixava, e tudo parecia sob controle. Passei pela metade praticamente dentro do planejado. Era como se a prova estivesse desenhada.

Após o km 25… tudo começou a mudar.

E ali, ela - a maratona - cobrou.

As pernas começaram a reclamar do esforço, o ritmo foi caindo aos poucos… e cada quilômetro passou a exigir mais do que preparo físico — exigia decisão.

Vieram sequências duras com subidas que pareciam intermináveis. Trechos que pediam mais da mente do que do corpo. E quando entrei no Parque Nacional… entendi que ali não vencia quem estava mais forte. Vencia quem resistisse mais.

Era subida atrás de subida.
Praticamente sem trégua alguma.

A essa altura, o objetivo de 2h48 já escapava. Mas o sub 3… ainda estava vivo. E enquanto estivesse vivo, eu também estaria.

No km 36, parei por um minuto. Água. Coca-cola. Respiração.
Não era fraqueza. Era estratégia. Era decisão de continuar.

Voltei.

E ali, no limite, encontrei mais um pouco de força. O corpo respondeu. A mente sustentou. Cada passo passou a ser uma escolha consciente de não desistir.

No km 41, o relógio apertava… mas ainda dava.
Faltava pouco.

E então… aquele momento.

As Cataratas do Iguaçu surgiram ao lado. Grandiosas. Imponentes. Como se lembrassem que aquilo tudo era maior do que dor, maior do que tempo… maior do que qualquer limite.

Ali, o cansaço virou emoção.
Vieram as últimas curvas. A última subida. E então… a descida final.

A linha de chegada.
O nome sendo anunciado.
E a confirmação de tudo aquilo que foi sustentado até ali… 2h58min36seg.

Abaixo de 3 horas.
Não foi o tempo dos sonhos.
Mas foi uma conquista gigante.

Cruzei a linha exausto, com dores… mas com a certeza de que entreguei tudo. Porque ali não estava apenas um resultado. Estava a prova de que disciplina, constância e coragem constroem algo muito maior do que números.

Cada maratona faz parte de uma história maior. E essa me ensinou algo que levo pra vida: 
não importa o quanto o caminho aperte… quem aprende a resistir sempre encontra uma forma de chegar.


Com o atleta Frank Caldeira.
Senão estou enganado, ele foi vice campeão da prova.
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- A Minha 2ª Maratona
- A Minha 3ª Maratona

sábado, 11 de julho de 2026

A Minha 3ª Maratona (Foz do Iguaçu 2009)

Eu estava a caminho da minha terceira maratona.

Foz do Iguaçu mais uma vez no destino… o mesmo cenário onde, um ano antes, eu havia concluído a minha segunda prova de 42kms. Mas dessa vez, tudo era diferente. A preparação não tinha sido a ideal, já não contava com a orientação do treinador. Vinha em um acúmulo de três lesões no joelho esquerdo no período e, lá no fundo, eu sabia que aquela prova exigiria mais de mim do que qualquer planilha poderia prever.

Cheguei na cidade sem roteiro, sem planejamento. Retirei o kit já no fim da tarde e, enquanto a noite caía, ainda procurava um lugar para dormir. Aquela madrugada foi longa… não pelo descanso, mas pela falta dele. A ansiedade tomou conta. A mente não desacelerava. O corpo até tentava, mas o coração já estava na largada.

Pouco depois das quatro da manhã, eu já estava de pé, seguindo rumo à Usina Hidrelétrica. O céu ainda escuro contrastava com o turbilhão que eu carregava por dentro.



Às 7 horas, a largada foi dada. Um pouco tarde para uma maratona. O sol já brilhava forte no céu.

Saí tentando encaixar o ritmo planejado. Mas logo nos primeiros quilômetros, percebi que estava um pouco mais rápido.
Km 2, relativamente forte. Km 3, ainda mais forte. E o mais curioso: parecia fácil. Mesmo com a noite mal dormida, o corpo respondia bem… bom demais para ser verdade.

Mas como toda maratona ensina, o preço sempre chega.

Após o km 4 vieram as primeiras subidas — e com elas, o primeiro choque de realidade. No km 5, senti o peso do dia. O calor, o desgaste acumulado, a preparação abaixo do ideal… tudo começou a cobrar seu espaço. Pela primeira vez, pensei em desistir. Sim, já início pensei em abandonar.

Mas seguir em frente sempre foi maior do que qualquer dúvida. Então segui.

Passei os 10 km em 39 minutos. Até rápido, apesar das circunstâncias.
Mas, sabia que precisava justar o ritmo para não quebrar mais pra frente.
Busquei constância, tentei administrar.
No km 15, cheguei com 59 minutos e 20 segundos. O corpo já dava sinais claros, mas a mente ainda sustentava.

No km 16, algo especial aconteceu.
As arquibancadas cheias, provas infantis acontecendo, o locutor chamando os atletas… e, de repente, ouvi o meu nome. Aquela energia atravessou o cansaço. Por alguns instantes, parecia que tudo tinha sido renovado. Foi um daqueles momentos que só quem vive entende.

Mas a maratona não permite ilusões por muito tempo.

No km 19, mais uma subida, mais desgaste… e dessa vez precisei caminhar. Poucos metros, mas necessários. Logo voltei a correr, porque ali, cada atitude fazia diferença.

A meia maratona veio em 1h26min. Peguei melancia, banana, água… e enquanto caminhava, tentava reorganizar o corpo e a mente. Dali em diante, o desafio mudou de forma. Já não se tratava mais de manter ritmo, mas de continuar avançando, da forma que fosse possível.

Corrida e caminhada começaram a se alternar. Cada quilômetro exigia mais. A subida antes da entrada do Parque Nacional foi pesada, desgastante, daquelas que testam tudo. Ali eu entendi mais do que nunca, que aquele dia não seria de desempenho, mas de resistência.

Entrei no parque com mais de 2h15 de prova e ainda restavam mais de 11 quilômetros. O corpo sentia. E muito.

No km 37, surgiu um novo sinal de alerta: uma dor no lado esquerdo do peito. Mesmo com os exames médicos tudo em dia, aquilo exigia respeito. Reduzi o ritmo, caminhei, tentei trotar leve. Segui com cautela.

Naquele momento, não havia mais espaço para provar nada a ninguém. O foco era respeitar meus limites e valorizar cada quilômetro que já tinha sido conquistado.

E então, ao longe, avistei o pórtico de chegada.

Não era apenas o fim da prova. Era o resultado de cada escolha feita até ali. De cada erro, de cada insistência, de cada momento em que eu decidi continuar.

Mesmo em ritmo lento, fiz questão de correr. Cruzei a linha com 3h39min20seg. Quase uma hora acima do ano anterior.

Mas, naquele dia, o relógio era apenas um detalhe.

Porque aquela foi, até então, a maratona mais difícil da minha vida. Talvez pela falta de preparação ideal. Talvez pela ausência de orientação. Talvez pelo calor. Ou talvez porque eu precisava passar por tudo aquilo para evoluir.

A maratona não revela só o quanto você treinou. Ela mostra o quanto você é capaz de suportar, adaptar e seguir em frente quando as coisas saem do controle.

E foi ali que eu entendi: cada prova faz parte de algo muito maior. Cada dificuldade fortalece. Cada chegada transforma.

Essa não foi apenas a minha terceira maratona.
Foi um divisor de águas.

Porque, no fim das contas, não são os 42 quilômetros que te definem… mas sim, a forma como você decide percorrê-los.

E enquanto houver uma linha de largada, haverá também uma nova oportunidade de ser mais forte do que ontem.






sábado, 4 de julho de 2026

A Minha 2ª Maratona (Foz do Iguaçu 2008)

Depois de concluir minha primeira maratona em São Paulo, veio a certeza de que eu queria enfrentar novamente os 42 quilômetros. E foi assim que surgiu o desafio da minha segunda maratona: a tradicional Maratona Internacional de Foz do Iguaçu que foi realizada no dia 21 de setembro de 2008.




Como já faz muitos anos, algumas lembranças ficaram pelo caminho. Mas há coisas que o tempo não apaga. Lembro da excelente preparação sob a orientação do professor Luiz Carlos Smanhoto, dos treinos realizados com dedicação e, principalmente, da confiança que eu carregava comigo rumo à largada.

Naquela época, a Maratona de Foz do Iguaçu era considerada por muitos a mais difícil do Brasil. O percurso exigia coragem. A largada acontecia em frente a barragem na Usina Hidrelétrica de Itaipu, passava por várias ruas do centro da cidade e terminava dentro do Parque Nacional do Iguaçu, próximo às Cataratas. Um trajeto repleto de subidas e desafios que colocavam à prova a resistência física e mental dos corredores.

Mas eu não estava ali para ter medo.

Desde os primeiros quilômetros procurei manter meu ritmo e encarar cada obstáculo com determinação. As subidas pareciam intermináveis, mas eu as enfrentava uma a uma, sempre acreditando que podia ir além. Aos poucos fui ganhando posições, ultrapassando corredores muito mais experientes e percebendo que aquele dia poderia ser especial.

O momento mais difícil veio na última subida. Um topo bem íngreme antes da descida final. Ali o corpo finalmente começou a cobrar o preço de todo o esforço acumulado ao longo da prova. As pernas pesavam, a respiração já não era a mesma e, por alguns instantes, caminhar pareceu uma alternativa tentadora.

Mas resisti.
Não caminhei um único minuto durante toda a maratona.

Quando finalmente alcancei o topo, senti que a vitória já era minha. Restava apenas poucos metros a frente. Então veio a descida final, e como um mergulho em direção ao sonho que estava prestes a se concretizar - eu me lancei sem medo até cruzar 
a linha de chegada em um extraordinário tempo de 2h39min43s, conquistando o 17º lugar na classificação geral de uma das maratonas mais difíceis do país e estabelecendo um recorde pessoal que perduraria anos até ser quebrado.




E o melhor ainda estava por vir.
Além do excelente resultado geral, subi ao pódio com o 3º lugar na fortíssima categoria de 30 a 34 anos e ainda recebi R$ 400,00 em premiação. Quase um salário mínimo na época. 
Até quis dividir o valor com o treinador, mas ele recusou receber, alegando que eu mereci aquele prêmio por todo esforço e dedicação que eu tinha nos treinos.




E aquela prova me ensinou algo que levaria para toda a vida: os maiores desafios não existem para nos parar, mas para revelar a força que ainda não sabemos que temos.

Minha segunda maratona não foi apenas mais uma corrida. Foi a confirmação de que eu podia sonhar mais alto.


Smanhoto, Tutta e Magaiver
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A Minha 1ª Maratona




domingo, 28 de junho de 2026

A Minha 1ª Maratona (São Paulo 2008)

Toda grande história tem um começo. A minha começou em 1994, quando tive meu primeiro contato com o atletismo. Naquela época eu não imaginava onde aqueles primeiros passos poderiam me levar. Os anos passaram e somente no ano 2.000 é que comecei a treinar depois de incentivado por um amigo.
Em 2004 veio a primeira participação na São Silvestre. Em 2007, comecei a me dedicar de forma mais dedicada e veio o primeiro pódio. E em 2008 nasceu um sonho ainda maior: correr uma maratona.



A prova foi escolhida a dedo. Não poderia ser qualquer uma. Seria a Maratona Internacional de São Paulo, disputada no dia 1º de junho, justamente no dia do meu aniversário. Que presente poderia ser maior do que desafiar os lendários 42.195 metros?




Naquele período eu treinava sob a orientação do professor Luiz Carlos Smanhoto. Porém, inicialmente, não contei a ele sobre meu desejo de encarar a maratona. Ele me passava os treinos normalmente, e eu, ao final de cada sessão, acrescentava alguns quilômetros extras. Era a minha forma silenciosa de construir a resistência necessária para enfrentar o maior desafio da minha vida esportiva até aquele momento.




Quando ele descobriu meus planos, cerca de 45 dias antes da prova, passou a direcionar minha preparação com treinos específicos. A evolução foi rápida. Vieram longões, sessões exigentes e muita confiança. A cada semana eu acreditava um pouco mais que aquele sonho seria possível.

Chegou então o momento de viajar para São Paulo.

Para um atleta do interior, tudo era novidade. A cidade enorme, o movimento intenso, os lugares famosos que eu só conhecia pela televisão. E naquele momento tive um apoio fundamental da minha tia Maria, hoje em memória. Foi ela quem me ajudou na logística da prova, levando-me até a Ponte Estaiada, em frente à Rede Globo, local da largada. Depois, seguiu para o Parque Ibirapuera para me esperar na chegada. Um apoio fundamental.
Talvez ela nem imaginasse que estava participando de um dos capítulos mais importantes da minha história.




Acessei minha baia de largada e aguardei o sinal de partida. Naquele instante, sem perceber, eu estava iniciando uma jornada que transformaria minha vida para sempre.

Confesso que não me lembro de muitos detalhes da prova. Afinal, já se passaram muitos anos. Mas algumas lembranças permanecem vivas.

Lembro que não caminhei um único metro sequer.
Lembro também que, em determinado momento, eu e mais três atletas erramos o percurso por conta de uma falha de sinalização. Felizmente foram poucos metros. Conseguimos nos localizar rapidamente e retornar ao trajeto oficial sem maiores prejuízos.

Mas existe uma recordação que guardo com carinho até hoje - o
s túneis.

Muitos corredores reclamavam do calor, do ambiente abafado e da dificuldade de correr por eles. Eu pensava exatamente o contrário. Garoto do interior, acostumado a uma realidade completamente diferente, achava aquilo extraordinário.
Passar correndo por dentro daqueles enormes túneis era algo fascinante. Eu me sentia vivendo uma experiência única.

Os quilômetros foram passando. 
A empolgação do início deu lugar ao cansaço. O cansaço deu lugar à dor. E a dor começou a testar tudo aquilo que eu havia construído durante meses de preparação.

Os quilômetros finais foram extremamente difíceis. 
Mas eu resisti.
Resisti com honra.
Resisti porque o sonho era maior do que qualquer sofrimento.

E então veio o momento que todo maratonista jamais esquece: a linha de chegada.
Abri os braços e cruzei aquele portal após 42.195 metros em impressionantes 2h47min53s. Um tempo fantástico para uma estreia e que confirmou que todo o esforço havia valido a pena.




Naquele dia eu me tornei maratonista.
Curiosamente, logo após a prova, fiz uma promessa que não durou muito tempo.
Disse que nunca mais correria uma maratona.




As dores dos quilômetros finais haviam sido tão intensas que parecia impossível querer repetir aquela experiência.
Mas bastou voltar para Ubiratã.
Bastou conversar com meu treinador.

Quando ele comentou que em Foz do Iguaçu haveria uma maratona com premiação em dinheiro e que eu teria chances de conquistar um grande resultado, toda aquela conversa de "nunca mais" desapareceu rapidamente.

Não pensei duas vezes.

Poucos dias depois eu já estava treinando novamente.

E foi assim que começou uma história que atravessaria décadas, levaria o nome de Ubiratã para inúmeras cidades, estados e grandes competições, e transformaria aquele garoto sonhador no atleta que muitos hoje conhecem como Tutta Maratonista.

Mas essa é uma história para o próximo capítulo.

Até lá...





Tia Maria ...

quarta-feira, 17 de junho de 2026

CAPÍTULO 6 – O LEGADO CONTINUA

Ao longo da carreira participei de 19 edições da Corrida Internacional de São Silvestre, uma das provas mais tradicionais do continente. Também vivi momentos inesquecíveis, como liderar a Maratona de Curitiba por quase três quilômetros diante de atletas de alto rendimento. Recentemente, em abril de 2026, conquistei a vitória geral no Desafio APAE Tuicial Run, em Cascavel, mostrando que sigo competitivo e motivado. Hoje estou muito próximo de alcançar a marca de 50 maratonas concluídas, faltando apenas cinco para atingir esse objetivo. Mais do que números, tempos e pódios, minha história foi construída com persistência, disciplina e amor pelo esporte. Agradeço a todos os amigos, familiares, treinadores, apoiadores e empresas que fizeram parte dessa caminhada. E podem ter certeza: sigo firme na ativa, porque essa história ainda está longe de chegar ao fim. 🏃‍♂️ Tutta Maratonista