terça-feira, 11 de agosto de 2026

A Minha 7ª Maratona

Algumas maratonas começam muito antes do dia da largada.

A minha 7ª foi em Brasília no dia 5 de maio de 2013 mas ela começou ainda no ano anterior, quando olhei a classificação geral e percebi que, com o tempo que eu costumava fazer nas maratonas, poderia terminar entre os dez primeiros colocados.
Aquilo ficou na minha cabeça.
E quando uma ideia entra na cabeça de um maratonista, ela costuma virar objetivo.

E para tentar transformar aquela possibilidade em realidade, fiz uma preparação de apenas oito semanas.
Treinava, em média, quatro dias por semana e, nesse período, percorri quase 450 quilômetros.
Não era uma preparação longa, mas era o que eu tinha e foi o suficiente para ganhar confiança.

Mas, na última semana, quase coloquei tudo a perder.
Após um simples treino na grama fiquei com a camiseta molhada de suor por mais tempo do que deveria e isso acabou me rendendo um resfriado.
A garganta inflamou. E ficou assim até o dia da maratona.
Felizmente, não chegou a atrapalhar meu desempenho.

Viajei para Brasília dois dias antes da prova e fiquei hospedado na casa dos amigos e companheiros de equipe, João e Izabel.

No domingo, acordei às 5h15.
Às 7 horas, pontualmente, foi dada a largada.

Eu tinha uma estratégia bem definida: tentar manter um ritmo próximo de 4 minutos por quilômetro até o km 30 e, depois disso, administrar até 4min30seg por quilômetro para buscar uma chegada por volta de 2h54.

Larguei cauteloso, sem sequer fazer aquecimento.
No km 1, 4min08seg. Depois encaixei o ritmo.
Quando completei o km 10, meu cronômetro marcava 38min48seg.
Eu estava abaixo da média que havia planejado. E isso era ótimo.

Já havia encaixado o ritmo e os quilômetros saíam entre 3min50seg e 4min05seg.
A corrida fluía muito bem, as pernas respondiam e, naquele momento, tudo parecia caminhar exatamente como eu havia imaginado.
Passei pela metade da prova, no km 21, com 1h22min.
O ritmo estava tranquilo.
O percurso também.
E um gel tomado pouco antes da meia maratona ajudava a manter as forças renovadas.

Mas uma maratona começa a mostrar quem realmente está preparado quando os quilômetros vão se acumulando.
E, conforme o km 30 se aproximava, o ritmo começou a diminuir.
Ainda conseguia correr próximo dos 4 minutos por quilômetro, exatamente como havia planejado.
Quando completei o km 30, o relógio marcava aproximadamente 1h58min.
Eu estava dentro da estratégia.
Só que, dali para frente, a história começou a mudar.

Até o km 32 ainda conseguia manter uma média próxima dos 4 minutos.
Depois disso, o ritmo foi caindo.
Cheguei, em determinado momento, perto dos 4min40seg por quilômetro.
Tentei outro gel.
Mas nem ele foi suficiente para devolver a energia que eu precisava para enfrentar os 10 quilômetros restantes.

E ainda havia um detalhe importante: 
o percurso começava a subir.
A cada subida, eu perdia tempo.
E quando finalmente aparecia uma descida, o corpo já não tinha forças para recuperar o que havia perdido.
Os últimos cinco quilômetros foram uma verdadeira pedreira.
E, se a memória não me trai, eram praticamente todos em subida.

Nos km 37 e 38, fui ultrapassado por dois corredores. O segundo era da minha categoria e terminou três minutos à minha frente. Tentar acompanhá-lo naquele momento poderia significar quebrar mais adiante. Então preferi administrar e garantir mais um sub-3h
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Sabia que aquela era hora de administrar e mesmo se eu corresse a 5 minutos por quilômetro naquele final de prova, eu ainda conseguiria terminar abaixo das três horas.

E foi exatamente o que eu fiz.
Continuei no meu ritmo.
Sem tentar buscar aquilo que o corpo já não tinha.
Até que, faltando aproximadamente 500 metros para a chegada, apareceu o último desafio.
Uma rampa de cerca de uns 70 a 100 metros, ao lado do Congresso Nacional.
E que rampa!
Era muito íngreme.
Subi correndo. Mas, sinceramente, eu estava mais lento correndo do que estaria se tivesse alguém caminhando ao meu lado. rsrs

Só que, depois da rampa, veio aquilo que todo maratonista espera.
O pórtico de chegada apareceu. E, quando a gente avista a linha final, parece que o corpo encontra forças de algum lugar que a gente nem sabe explicar.
Consegui acelerar um pouco e cruzei a linha de chegada em 2h54min27seg.
Um tempo que, curiosamente, já havia aparecido para mim em um sonho alguns dias antes.




Mas a história daquele dia ainda não havia terminado.
Eu tinha um objetivo além do tempo.
No ano anterior, aquele resultado teria me colocado entre os dez primeiros da classificação geral e provavelmente me daria o primeiro lugar na faixa etária. E naquele ano (2013), eu acreditava que poderia brigar pelo pódio.
Só que, quando anunciaram os três primeiros colocados da categoria de 35 a 39 anos, meu nome não estava entre eles.
Fiquei frustrado. Mas, de certa forma, aceitei.

Até que o corredor que havia me ultrapassado no km 38 percebeu que havia alguma coisa errada e foi questionar a organização.
Outros atletas também começaram a conferir os resultados. E então fomos atrás.

Depois de alguns minutos de conversa, conferências de nomes, números e tempos registrados nos próprios cronômetros dos atletas, a organização refez a verificação e
 veio a confirmação: havia um erro na classificação.
O resultado foi corrigido.
E os verdadeiros merecedores do pódio foram chamados.
Dessa vez, meu nome estava lá: 3º colocado na categoria de 35 a 39 anos.




Aquele pódio teve um sabor diferente.
Não apenas pelo resultado.

Mas porque, depois de 42 quilômetros de esforço, quando parecia que a história já estava encerrada, ainda foi preciso lutar por aquilo que eu havia conquistado dentro da pista.
E assim subi ao pódio para celebrar uma das conquistas mais importantes daquele primeiro semestre de 2013.
Uma maratona de 2h54min27seg.
Um terceiro lugar.
E uma certeza que ficaria marcada comigo: "algumas conquistas não terminam quando cruzamos a linha de chegada. Às vezes, é preciso continuar lutando até que o resultado faça justiça a tudo aquilo que você foi capaz de conquistar."


📖
Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.

















sexta-feira, 31 de julho de 2026

A Minha 6ª Maratona (Rio de Janeiro 2012)

A minha sexta maratona aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 8 de julho de 2012.
Eu já cheguei com uma vantagem importante: meu irmão morava lá, o que facilitou muito ter onde ficar e não precisar me preocupar com isso.

Mas o dia da prova já começou daquele jeito.
Acordamos com o tempo fechado, céu carregado, e ainda caiu uma chuva pouco antes de sair. Até aí, nada demais. O problema foi o caminho até a largada. Foram três ônibus, cada um com mais dúvida do que certeza se realmente chegaria ao Recreio dos Bandeirantes. O tempo passando, a ansiedade aumentando… até que não teve jeito: pegamos um táxi e fomos praticamente correndo contra o relógio. Chegamos quase na hora. Aquela correria que já te deixa com o coração acelerado antes mesmo da largada.
E como se não bastasse, a chuva voltou exatamente na hora da largada. E não foi embora mais.

Eu também não estava no melhor momento. Tinha vindo de uma gripe e praticamente não treinei direito nas semanas anteriores. Corri pouco, e quando corri, foi num ritmo abaixo do que eu fazia antes. Comparando com a preparação que tive pra maratona de Curitiba no ano anterior, a diferença era grande. Por isso, larguei com a cabeça no lugar. Sem inventar moda.

O objetivo era claro: tentar manter um ritmo que me levasse a menos de 3 horas, mas sem forçar demais no começo pra não quebrar depois.
Só que a largada estava congestionada. O primeiro quilômetro saiu em 4:40. O segundo já melhorou um pouco, 4:20. No km 5 eu estava perto de 21 minutos, e no km 10 passei com 41 minutos cravados. Era um tempo bom, dentro do que eu precisava, então segui controlando.

Lá pelo km 15 começaram os problemas.
Primeiro veio uma dor na virilha. Depois a coxa direita começou a incomodar. E não parou por aí. A sola do pé também entrou na conta, principalmente na parte da frente e no dedão. Teve hora que parecia que estava queimando. Literalmente.
 




E aí veio uma mudança curiosa. No início eu desviava de todas as poças d'água para não molhar o tênis. Depois comecei a fazer o contrário. Passava dentro delas de propósito, tentando aliviar aquela sensação de calor no pé. Era o jeito que dava pra continuar.

Na meia maratona passei com pouco menos de 1h26. Ainda estava dentro da meta, mas já lidando com desconforto em vários pontos. A partir dali, cada quilômetro virou um cálculo. Eu ficava o tempo todo fazendo conta na cabeça, tentando garantir que o sub 3 ainda era possível.

Do km 32 em diante, a briga ficou mais mental do que física. A dor na virilha até sumiu, mas o pé e a coxa continuavam ali, lembrando a cada passo que nada seria fácil.

Quando cheguei no km 39, percebi que tinha uma pequena margem de tempo. Não era grande coisa, mas era suficiente pra tomar uma decisão. Em vez de apertar mais, preferi aliviar um pouco o ritmo. Passei a correr entre 4:45 e 5:00 por quilômetro. Não valia a pena arriscar piorar tudo naquele ponto.

E então veio aquele momento que todo maratonista espera.
Eu avistei o pórtico de chegada.
Ali eu tive certeza. Não precisava mais calcular nada, não precisava mais segurar nada. Era só chegar.

Cruzei a linha de chegada com o tempo líquido oficial de
2h54min36seg, confirmando mais uma vez o sub 3.

Minha chegada.


O corpo estava cansado, sentindo cada dor que apareceu no caminho. Mas por dentro, a sensação era outra. Era felicidade pura. Aquela satisfação de saber que, mesmo sem estar no melhor preparo, mesmo com todos os problemas, eu consegui.
Sexta maratona concluída. Quinta abaixo das 3 horas.

Recebi a medalha, e o staff que me entregou ainda confirmou com um sorriso: - 
“É sub3.”
Eu só agradeci e segui.

Depois encontrei a galera dos Baleias, conversamos bastante, demos risada, tiramos fotos no Bar Belmonte… aquele clima que só quem corre sabe como é.

E no fim do dia, voltei pra casa do meu irmão em Jacarepaguá andando todo travado, parecendo um robocop. 
Mas feliz. rsrs
Porque mais uma maratona tinha entrado pra conta. Mesmo sem saber, naquele momento, que aquilo era só o começo de uma grande jornada.


📖 Continua na série: Tutta e suas 50 maratonas.









terça-feira, 28 de julho de 2026

Corrida Nº 274 - Corrida da Soja (01mai2026) Corbélia-PR

Tem dias em que o corpo não responde como a gente gostaria…
Mas ainda assim, a decisão de alinhar na largada fala mais alto.


Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 274
Nome da prova: 1ª Etapa Circuito Corbélia em Movimento - Corrida da Soja
Cidade: Corbélia-PR
Data: Sexta-feira, 1º de Maio de 2026
Distância: 10kms
Tempo: 36min42seg
Média por quilômetro: 3min40seg
Classificação geral: 2º lugar
Atletas no geral: 71 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 158 pódios
Pódios por classificação geral: 72 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 367


No dia 1º de maio foi mais ou menos assim:
Desmotivado, com pouca preparação e carregando o cansaço de dias intensos de trabalho.
Não era o cenário ideal… mas era o que tinha. E eu fui.

Larguei consciente, dentro do que dava, mas sem me entregar.
Ritmo firme, controlado… e mesmo sem estar no melhor dia, completei os primeiros 5 km na casa dos 18 minutos.

A partir da metade da prova, o corpo começou a cobrar.
Foi preciso reduzir. Não por vontade — mas por respeito ao momento e inteligência pra seguir competitivo até o fim.

Desde o km 2 na vice-liderança, mantive o foco, a constância e o controle.
Sem exagerar, sem quebrar… apenas seguindo, passo após passo, fazendo o melhor possível dentro da realidade do dia.

Já na parte final, depois do km 8, veio aquele momento que reacende tudo por dentro…
Percebi que o líder começou a cair de rendimento. A diferença, que antes era maior, começou a diminuir.

Tentei reagir. Busquei forças onde dava…
mas a distância ainda era significativa, e o corpo já bastante desgastado não permitiu uma aproximação suficiente pra brigar pela ultrapassagem.

Segui até o fim com o que tinha.
No final, os quase 10 km (faltando cerca de 30 metros) vieram com o tempo líquido de 36:42.
Bem acima do que já fiz ali naquele percurso, é verdade… mas existem marcas que o relógio não mede.

Mesmo sem estar nos melhores dias, mesmo tendo piorando o tempo de conclusão em relação ao ano anterior, cruzei o pórtico de chegada feliz… de braços abertos, comemorando não só o resultado, mas o fato de não ter desistido em nenhum momento.

E no pódio, como sempre, aquela emoção única…
a sensação boa de ouvir o nome sendo chamado e saber que, mesmo sem estar em um dia perfeito, valeu a pena.
Porque mais do que números, essa prova deixou uma certeza: coragem também é competir mesmo quando as coisas não estão a favor.

Agora é olhar pra frente.
Seguir trabalhando, ajustar o que precisa e voltar mais forte na segunda etapa, em agosto — em busca dos pontos que mantêm vivo o objetivo de chegar na final, em dezembro, com chances reais de ser campeão do circuito.

Quero deixar registrado o meu agradecimento ao amigo de Corbélia, Gilmar Carvalho pela cortesia na inscrição e também ao Hélder de Ubiratã 
pelo apoio no transporte de ida e volta.

Seguimos… porque desistir nunca foi uma opção.



Segue abaixo algumas fotos:

Meu numeral.
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Com os amigos Magaiver, Hélder e Marco.
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Disputa pela liderança no início da prova.
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Completando a prova.
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Em mais um pódio geral na carreira.
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"Não foi sorte. Foi treinamento. Foi disciplina. Foi não desistir."
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Os 15 primeiros colocados dos 10kms masculino.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser acessada no site rodrigocirilo.com.br
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Com as amigas 'gêmeas' Camila 3ª geral nos 10kms e Carla campeã geral nos 5kms.



sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Minha 5ª Maratona (Curitiba 2011)

A minha 5ª maratona não começou em Curitiba.
Ela começou no km 38 da Maratona de Assunção.
Ali, meses antes (agosto), eu precisei parar.
Lesão.
Corpo travado. A cabeça querendo ir… mas o corpo dizendo não.
E quem já passou por isso sabe o quanto aquilo pesa. Não é só abandonar uma prova. É sair com a sensação de que ficou algo em aberto.
Aquilo ficou comigo.
Mas, em vez de me derrubar, me fez ajustar.

Voltei diferente. Mais paciente, mais atento, respeitando cada fase do treino. Sem pressa, sem tentar recuperar tudo de uma vez. Apenas fazendo o que precisava ser feito, dia após dia.
E foi assim que eu cheguei em Curitiba, no dia 20 de novembro de 2011...
Confiante. E mas, mais do que isso… consciente.




Na noite anterior, quase não dormi.
A ansiedade apareceu forte. A cabeça já estava na prova, revivendo treinos, imaginando o percurso, antecipando sensações.
Mas isso faz parte.
Com o tempo, a gente entende que nem tudo precisa estar perfeito. Porque o que realmente sustenta no dia da prova é o que foi construído ao longo de meses.

Por volta das 06h20, com o frio marcando 9 graus, eu segui para a largada com os amigos da equipe Baleias.
O corpo sentia o frio.
Mas por dentro, tudo já estava em movimento.
Aquela mistura de nervosismo com vontade. Aquela energia que só quem corre uma maratona conhece.

A largada foi travada.
Muita gente, ritmo lento, quase andando.
E ali já veio o primeiro teste: segurar a ansiedade. Não adianta querer ganhar tempo nos primeiros metros. Maratona não perdoa esse tipo de erro.




Esperei.
Passei pelo tapete, encaixei o ritmo e comecei a correr de verdade.
1º km: 4min02seg.
Exatamente dentro do que eu tinha planejado.
E naquele momento eu senti algo diferente.
Não era empolgação. Era confiança.

Os quilômetros começaram a passar com naturalidade.
Algumas subidas leves apareceram, nada que quebrasse o ritmo. Pelo contrário, eu seguia constante, confortável.
10 km: 39min31seg.
15 km: 58min57seg.
E o mais importante: sem desgaste.
Até uma leve garoa apareceu nesse trecho, ajudando a manter o corpo em uma temperatura perfeita. Tudo colaborava.

Na meia maratona, 1h23min07seg.
Peguei um gel logo depois — o único da prova.
E segui.
Porque naquele dia, tudo estava encaixando.

Cheguei aos 30 km com menos de 2 horas e com uma confiança enorme de que tudo daria certo no final.
Mas maratona é assim. Ela sempre cobra.

No km 34, o ritmo já não era o mesmo.
Não foi uma quebra. Mas já não fluía como antes. O corpo começa a mandar sinais, e é aí que muita gente se perde.
Eu não.
Ali, eu respeitei.
Diminuí um pouco, ajustei o ritmo e segui firme. Sem brigar com o corpo, sem forçar além do necessário.
Experiência também é saber a hora de controlar.

No km 38, veio uma subida mais forte.
E junto com ela, uma lembrança.
Foi exatamente ali, em outra prova, que eu tive que parar.
Mas dessa vez foi diferente.
Passei por ela correndo. Sem drama. Sem hesitar.
E isso teve um peso enorme.

Km 40: 2h42min50s.
Naquele momento, eu sabia.
O sub-3h estava garantido.
E ali, pela primeira vez na prova, eu me permiti desacelerar. Não por cansaço… mas por escolha.
Quis viver aquele momento até o fim.




No km 41, avistei o pórtico de chegada.
E por dentro, a emoção veio forte.
Mas foi quando ouvi os gritos que tudo mudou.
Parte da equipe Baleias que haviam corrido as provas menores estavam lá. Vibrando, chamando, incentivando.
Aquilo não se explica. Aquilo se sente.

Cruzei a linha de chegada em 2h51min54seg pelo tempo líquido oficial da prova c
om uma sensação difícil de colocar em palavras.
Era felicidade. Era alívio. Era orgulho. Tudo junto.




Naquele momento, eu pensei em tudo que tinha feito até ali.
Mais de 250 km rodados no mês anterior.
Longões, treinos de tiro, regenerativos.
E também os dias de descanso.
Porque aprender a parar também faz parte do processo.

Completei assim minha 5ª maratona.
Completei bem.
E ainda subi ao pódio: 6º lugar na categoria.
Sem exageros. Sem euforia.
Mas com a tranquilidade de quem fez o trabalho certo.



Porque, no fim das contas, a maratona nunca é só correr 42 km.
Ela é o que constrói na gente.
Disciplina. Paciência. Resiliência.
E a certeza de que, mesmo quando algo dá errado… sempre dá pra voltar melhor.

No fundo, o que importa não é a velocidade… é a força de continuar.


📖 Continua na série:
Tutta e suas 50 maratonas


















terça-feira, 21 de julho de 2026

Corrida Nº 273 - Desafio APAE Tuicial Run (26abr2026) Cascavel-PR

Duas semanas após cruzar a linha de chegada da minha 45ª maratona, lá estava eu novamente diante de uma linha de largada. Dessa vez, não eram 42 quilômetros… eram “apenas” 10. Mas quem vive a corrida de verdade sabe: não existe prova fácil quando você carrega o desgaste no corpo e a vontade gigante no coração.

"Nem sempre o corpo está no melhor dia… mas quando a mente decide não se entregar, a história muda."



Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 273
Nome da prova: Desafio APAE Tuicial Run 2026
Cidade: Cascavel-PR
Data: Domingo, 26 de Abril de 2026
Distância: 10kms
Tempo: 36min49seg
Média por quilômetro: 3min40seg
Classificação geral: 1º lugar
Atletas no geral: 340 concluintes
Número de pódios (fora de Ubiratã): 157 pódios
Pódios por classificação geral: 71 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 1635


Eu sabia. A preparação para provas curtas não tinha sido como deveria. A recuperação da maratona ainda estava longe do ideal. Qualquer previsão de desempenho naquele Desafio APAE Tuicial Run 2026 era, no mínimo, incerta.
Mas existe algo que não depende de planilha, de treino perfeito ou de descanso ideal.
A
 vontade de se superar.

E quando o tiro de largada soa… eu deixo de ser apenas um mero corredor qualquer. E me transformo em alguém que não aceita se entregar.

Naquele dia 26 de abril de 2026, saímos de Ubiratã ainda de madrugada. 5h da manhã. Céu fechado, carregado, anunciando chuva, muita chuva — daquelas que vêm para lavar mais do que o asfalto.
No carro, minha esposa, a Ester que nos deu carona e a Dayane, que também enfrentaria o desafio. Silêncio, atenção na estrada, expectativa e aquele frio na barriga que só quem vive isso entende.

Chegamos em Cascavel, no Centro de Eventos. Mais de 2 mil atletas inscritos. A maior corrida de rua da cidade.
Peguei meu kit, fiz um aquecimento breve, troquei algumas palavras rápidas com meu primo João e minha prima Clara… mas, por dentro, eu já estava em outro lugar. Na linha de largada.

Focado. Presente. Pronto.

Me posicionei bem na frente. Olhei ao redor. Sabia que tinha gente forte ali. Sabia também que, mesmo sem estar 100%, eu podia brigar.

E então… largamos.

Saí forte. Talvez até mais do que deveria. O relógio marcava um ritmo agressivo — 3:35 no primeiro quilômetro. Corpo ainda pesado, mas respondendo bem. Mente firme.

Segundo km: 3:41.
Terceiro: 3:37.
Quarto: 3:31.
Muito além do que eu poderia imaginar.

Quando os atletas dos 5km fizeram o retorno e seguimos apenas nós dos 10km… foi ali que a corrida realmente começou.
Eu era o terceiro geral.

E não só isso — eu estava colado. A poucos metros do segundo colocado que seguia quase lado a lado com o líder da prova.
Aquela distância que não assusta… mas provoca.

Ali começou o diálogo interno dentro de mim:
“Dá pra buscar.”
“Mas será que o corpo aguenta?”
“Não interessa… vai.” - e fui...

No km 5, fiz o movimento. Acelerei o passo. 
Ultrapassei e assumi a liderança.

Por um instante, pensei: “Pode ser momentâneo.”
Mas passo após passo… aquilo começou a se tornar real.

Até o km 7, ainda sentia a presença de um dos atletas logo atrás. O som das passadas… aquele eco constante que não deixa você relaxar.

Mas então… o som começou a desaparecer.
E ali, eu entendi: a vantagem estava crescendo.

No último ponto de hidratação, a confirmação: mais de 200 metros à frente.

Aquilo não foi apenas informação.
Foi combustível.

Mas, ao invés de aliviar… eu acelerei.
Km 9: 3:24.

Era hora de garantir. Era hora de fechar a conta.
Mas corrida nenhuma se entrega fácil.

Veio a última subida. Dura. Cruel. Daquelas que fazem o corpo cobrar tudo que você já fez até ali.
O ritmo caiu. As pernas pesaram. A respiração apertou.
Mas a mente… A mente já tinha decidido.

Não olhei pra trás.

Venci a subida. Virei à direita. Depois à esquerda. Entrei novamente no Centro de Eventos.
E ali… cruzei a linha de chegada. - Campeão Geral.

Sem nome no alto-falante. Sem aquele anúncio que muitos esperam. No meio de centenas de atletas dos 5km, a chegada foi silenciosa… quase anônima.

Mas dentro de mim?
Foi ensurdecedor.

O tempo não foi dos melhores (36:49)… mas só o fato de voltar a vencer uma prova no geral — não tem preço. Não existe tempo no relógio capaz de diminuir o valor dessa conquista.

Porque, no fundo, eu sabia exatamente o que aquela vitória representava.
Quase 50 anos de idade. Um ano difícil. Preparação longe do ideal. O corpo ainda sentindo a maratona.
E mesmo assim… vencer no geral.
E ainda por cima, na maior corrida de rua de Cascavel.
Isso é muito mais do que um grande resultado.
Uma vitória que não vinha desde 2022.

Depois de comemorar, quase anonimamente, teve o pódio — ajustado, corrigido, esperado. Dois atletas haviam cortado caminho. A classificação foi revista. E então, finalmente, subi ao lugar que a corrida já tinha me dado lá atrás: o topo.

Ali, não era só mais um troféu.
Era a soma de tudo.
Disciplina. Constância. Persistência. Amor pelo que eu faço a quase 27 anos no atletismo.

Por fim, voltamos para casa debaixo de muita chuva. Daquelas que lavam a alma.
E no silêncio da volta, uma certeza muito clara: "Nem sempre a gente está no melhor momento. Mas desistir nunca foi, e jamais será uma opção para o Tutta Maratonista."

Porque no final… a corrida sempre devolve.
E devolve para quem insiste.

E enquanto houver uma linha de largada, haverá sempre uma nova chance de provar — principalmente para si mesmo — do que você é capaz.


Segue abaixo algumas fotos:

Meu numeral.
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Antes da largada.
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Com meu primo João que sempre me dá sorte quando fazemos uma foto. rsrs
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Galera de Ubiratã presente em Cascavel:
Vitor, Leide, Tutta, Daiane, Estér e Edgar.
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A disputa pela liderança dos 10kms.
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Comemorando mais uma vitória no geral.
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Hora da consagração.
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Subir no pódio em primeiro lugar no geral é especial…
mas só eu sei o que precisei vencer para chegar até aqui.
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É sempre bom ter companheiros que valorizam as nossas conquistas.
Valeu Ivan (4º) e Gustavo (3ª).
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Atletas de Ubiratã que pegaram pódio.
Dayane, 2ª na faixa etária dos 10kms;
Vitor, 1º na faixa etária dos 10kms.
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O pódio é só uma parte da história…
o resto foi construído na base da dedicação e persistência.
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Os 15 primeiros colocados dos 10kms da prova masculina.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser acessada no site Rodrigocirilo.com.br
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A medalha e o troféu.
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Meu maior prêmio... obrigado por estar presente em minha vida e sempre me apoiar.
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Vídeo subindo no pódio.
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sexta-feira, 17 de julho de 2026

A Minha 4ª Maratona (Foz do Iguaçu 2010)

No dia 26 de setembro de 2010 - um ano depois da minha terceira maratona, eu voltava a Foz do Iguaçu para correr a 4ª maratona da carreira. O cenário era o mesmo… mas eu já não era o mesmo atleta.

Assim como na edição anterior, fui sem planejamento. Cheguei, retirei meu kit, participei do tradicional jantar de massas e só depois fui procurar um lugar para dormir. A ansiedade, como sempre, não deu trégua. Dormi pouco. Quase nada. Mas, dessa vez, havia algo diferente: confiança. A preparação tinha sido melhor. O corpo estava mais pronto… e a mente, mais forte.

Eu tinha um plano.
Buscar algo próximo de 2h48. Mas, acima de tudo, havia um objetivo muito claro: terminar abaixo das 3 horas. Esse era o compromisso. Esse era o limite que eu não estava disposto a ultrapassar.

O dia amanheceu nublado, com temperatura perfeita. Um convite para sonhar alto. Mas ali estava também um velho conhecido desafio: o percurso mais duro do Brasil. E maratona não aceita excesso de confiança.




A largada veio.

Tentei sair com cautela. Mas a adrenalina falou mais alto. Quando percebi, já estava mais rápido do que o planejado. Ajustei o ritmo. Respirei. Me reencontrei dentro da prova.

Os quilômetros iniciais foram de controle e confiança. O corpo respondia bem, o ritmo encaixava, e tudo parecia sob controle. Passei pela metade praticamente dentro do planejado. Era como se a prova estivesse desenhada.

Após o km 25… tudo começou a mudar.

E ali, ela - a maratona - cobrou.

As pernas começaram a reclamar do esforço, o ritmo foi caindo aos poucos… e cada quilômetro passou a exigir mais do que preparo físico — exigia decisão.

Vieram sequências duras com subidas que pareciam intermináveis. Trechos que pediam mais da mente do que do corpo. E quando entrei no Parque Nacional… entendi que ali não vencia quem estava mais forte. Vencia quem resistisse mais.

Era subida atrás de subida.
Praticamente sem trégua alguma.

A essa altura, o objetivo de 2h48 já escapava. Mas o sub 3… ainda estava vivo. E enquanto estivesse vivo, eu também estaria.

No km 36, parei por um minuto. Água. Coca-cola. Respiração.
Não era fraqueza. Era estratégia. Era decisão de continuar.

Voltei.

E ali, no limite, encontrei mais um pouco de força. O corpo respondeu. A mente sustentou. Cada passo passou a ser uma escolha consciente de não desistir.

No km 41, o relógio apertava… mas ainda dava.
Faltava pouco.

E então… aquele momento.

As Cataratas do Iguaçu surgiram ao lado. Grandiosas. Imponentes. Como se lembrassem que aquilo tudo era maior do que dor, maior do que tempo… maior do que qualquer limite.

Ali, o cansaço virou emoção.
Vieram as últimas curvas. A última subida. E então… a descida final.

A linha de chegada.
O nome sendo anunciado.
E a confirmação de tudo aquilo que foi sustentado até ali… 2h58min36seg.

Abaixo de 3 horas.
Não foi o tempo dos sonhos.
Mas foi uma conquista gigante.

Cruzei a linha exausto, com dores… mas com a certeza de que entreguei tudo. Porque ali não estava apenas um resultado. Estava a prova de que disciplina, constância e coragem constroem algo muito maior do que números.

Cada maratona faz parte de uma história maior. E essa me ensinou algo que levo pra vida: 
não importa o quanto o caminho aperte… quem aprende a resistir sempre encontra uma forma de chegar.


Com o atleta Frank Caldeira.
Senão estou enganado, ele foi vice campeão da prova.
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