terça-feira, 6 de outubro de 2026

Corrida Nº 275 - 2ª Maratona Internacional de Praia Grande - Praia Grande-SP (21jun2026)

Dessa vez, viajei sem avisar ninguém. Queria um momento só meu: eu e a maratona, sem alarde, sem expectativas criadas por ninguém, apenas a vontade de viver aquela experiência.
E cheguei em Praia Grande com uma expectativa, uma previsão de tempo e a esperança de fazer uma boa maratona. Mas, às vezes, a realidade consegue ser ainda melhor do que aquilo que a gente imagina. E foi exatamente isso que aconteceu nos 42 quilômetros da minha 46ª maratona.

“Cada quilômetro foi respondendo uma pergunta que eu carregava antes da largada: até onde eu conseguiria ir?”



Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 275
Nome da prova: Maratona de Praia Grande
Cidade: Praia Grande-SP
Data: Sexta-feira, 21 de Junho de 2026
Distância: 42,195kms
Tempo: 2h43min24seg
Média por quilômetro: 3min43seg
Classificação geral: 16º lugar
Atletas no geral: 1.043 concluintes
Classificação na faixa etária 40/49: 6º lugar
Atletas na faixa etária: 422 corredores
Número de pódios (fora de Ubiratã): 158 pódios
Pódios por classificação geral: 72 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 78 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 43459


O início de 2026 não foi exatamente como eu gostaria. Os treinos foram turbulentos, com dificuldades para encaixar uma sequência consistente. Mas quem corre há tantos anos aprende uma coisa: nem sempre o processo acontece no ritmo que planejamos. O importante é não parar.

A partir de maio, consegui finalmente encaixar boas rodagens, com ritmos que começaram a devolver confiança. Aos poucos, aquela sensação de que o corpo estava respondendo foi aparecendo novamente. Nas duas últimas semanas, reduzi a carga, fiz treinos mais leves e alguns pedais para complementar a preparação. Foram cerca de 50 dias construindo, passo a passo, a preparação para a segunda maratona do ano e a 46ª da carreira.

Na sexta-feira, 19 de junho, começou outra parte da história.
Depois de uma hora de atraso, embarquei no ônibus da Brasil Sul rumo a São Paulo. De lá, segui de metrô até a estação Jabaquara, onde encontrei meu amigo Douglas.
Às 8h30, pegamos o ônibus da Viação Cometa com destino a Praia Grande, cidade que seria o palco da minha 46ª maratona.
Cerca de uma hora e meia depois, estávamos em Praia Grande. O tempo estava nublado e a temperatura, excelente para correr.

Segui a pé com o Douglas e o Marlon, atleta que conheci no ônibus. Fomos primeiro até o local da entrega dos kits e, depois, novamente caminhando, seguimos até o apartamento que eu havia reservado na Vila Nova Mirim.
Depois do check-in, veio o almoço e um pouco de descanso.

Na entrega dos kits.


Às 18h, eu e Douglas saímos novamente a pé, dessa vez para conhecer o caminho até a largada e calcular o tempo de deslocamento. Era aproximadamente 1 km, algo em torno de 10 minutos de caminhada.
Antes de voltar, jantamos e compramos alguns itens para o café da manhã.
Por volta das 21h30, fomos dormir. Ou pelo menos tentar.

Às 3h45 precisava acordar. A largada seria às 5h da manhã.
Até caiu uma chuvinha depois das 20h, mas a previsão não indicava chuva durante a prova. A temperatura deveria ficar entre 15 e 23 graus.
O problema foi outro: a ansiedade.

Não sei se era a expectativa, a responsabilidade ou simplesmente aquela velha sensação que antecede uma maratona, mas praticamente não consegui dormir. Levantei três vezes durante a noite para ir ao banheiro e às 3h30, desisti de tentar dormir e levantei de vez.

Preparei-me, tomei o café da manhã e saí.
Estava friozinho. Mas era aquele frio suportável, quase perfeito para quem vai encarar 42,195 km.
Cheguei ao local da prova, procurei o guarda-volumes e, faltando aproximadamente meia hora para a largada, tirei o agasalho e deixei meus pertences com a organização. Então caminhei até o pórtico.
Era hora de esperar.

5h.
Pontualmente, a largada aconteceu.
E naquele instante tudo aquilo que havia ficado para trás — os treinos difíceis, a preparação, a viagem, a ansiedade, a noite mal dormida — ficou para trás também.

Meu objetivo era claro: terminar abaixo de 2h48. Para isso, ajustei o Garmin para um ritmo de 3min55s/km.

Talvez por isso eu tenha preferido não avisar ninguém. Queria viver aquela maratona do meu jeito, sem precisar explicar expectativas, sem criar cobranças e sem transformar a prova em algo que precisasse ser contado antes mesmo de acontecer. Era apenas eu, a estrada e aquilo que eu tinha ido buscar em Praia Grande.

Mas a adrenalina falou mais alto.
Assim que larguei, saí um pouco mais forte.
O percurso era extremamente favorável, praticamente todo plano, e o corpo respondeu bem. Na maior parte da prova, corri abaixo do ritmo planejado, mantendo geralmente entre 5 e 10 segundos de vantagem por quilômetro. Em alguns momentos, até mais.

Pouco depois do km 9, fizemos um retorno. Olhei do outro lado da avenida e contei os atletas que estavam à minha frente.
Eram 22.
Pouco depois, completei os 10 km com o tempo próximo dos 38 minutos.

O batidão continuava.
Eu estava dentro da prova. Correndo em um ritmo mais rápido que o previsto. Mas, sentia-me muito confortável.

Quando me aproximei novamente da região da largada, a vibração do público serviu como combustível. Aquele barulho, aquelas pessoas, aquela energia... tudo ajudava a manter a concentração e a passada firme.

Completei a meia maratona em aproximadamente 1h19.
Era um ritmo muito forte.
Mas eu estava bem.
A estratégia passou a ser simples: continuar daquele jeito enquanto o corpo permitisse.

Cheguei ao km 30 em 1h53.
E o mais impressionante é que ainda não havia aquele cansaço brutal que normalmente começa a aparecer nessa altura de uma maratona.
Talvez porque eu estivesse bem preparado.
Talvez porque o percurso ajudasse.
Talvez porque, depois de tantos anos correndo, eu tenha aprendido a respeitar o sofrimento sem deixar que ele tome conta da cabeça.

Mas, havia um detalhe importante: eu tinha passado por uma viagem de quase 15 horas e, no dia anterior, caminhado mais de 10 km entre rodoviária, entrega de kit e apartamento e isso poderia pesar no final.
Mas naquele momento nada disso parecia importar.
Eu estava correndo.
E estava correndo bem.

Antes do segundo e último retorno, comecei a alcançar os atletas da meia maratona, que haviam largado um pouco depois.
E aí veio uma das partes mais complicadas da prova.
Depois do retorno, o fluxo de corredores ficou intenso. Muitos atletas fechavam a passagem e eu precisei gritar várias vezes para que deixassem o lado esquerdo livre.

Alguns ouviam e abriam espaço.
Outros estavam de fones de ouvido e simplesmente não escutavam.
Era preciso encontrar brechas, mudar a linha, acelerar, desacelerar e continuar avançando.

Só que a maratona começava a cobrar.
No km 36, pela primeira vez, meu ritmo passou dos 4 minutos por quilômetro.
No quilômetro seguinte, senti uma fisgada na panturrilha.
Foi aquele momento em que o corredor precisa conversar consigo mesmo.

Forçar? 
Parar? Ou diminuir?

A vontade de continuar forte estava ali, mas eu sabia que uma câimbra poderia transformar uma excelente maratona em um problema sério.
Então fiz o que a experiência ensina: reduzi um pouco o risco.
A essa altura, eu já estava extremamente satisfeito com o que havia construído.
Não precisava provar mais nada.
Era hora de administrar.

Os últimos quilômetros já não eram mais de buscar velocidade, mas de correr com inteligência.
Cada passo precisava ser controlado.
Cada sensação precisava ser respeitada.
E então veio a chegada.

Cruzar aquela linha depois de 42,195 km nunca é apenas terminar uma prova.
É olhar para trás e perceber quantas vezes foi preciso continuar quando seria mais fácil parar.

Parei o relógio em 2h43min24s.
Meu quinto melhor tempo em maratonas.
Minha 27ª maratona abaixo das 3 horas.
E a 46ª maratona da carreira.

Foi uma chegada que me trouxe uma alegria enorme. Mais do que o tempo, fiquei satisfeito por sentir que tudo havia encaixado perfeitamente e que eu tinha conseguido entregar uma maratona da maneira que esperava.

Depois da experiência difícil da Maratona de Cascavel, em abril, quando passei mal no final, terminar dessa maneira teve um significado ainda maior. Dessa vez, o corpo respondeu, a preparação encaixou e consegui chegar inteiro.

Como comentei no início, foram cerca de 50 dias de preparação. Pouco tempo na verdade, mas foram 50 dias dedicados e que fizeram diferença.

E fica aquela sensação de que, com mais um mês de treinos, talvez fosse possível buscar algo ainda maior, quem sabe até brigar pelo recorde pessoal.

O percurso ajudou muito. Foram apenas 25 metros de elevação acumulada, tornando essa a maratona mais plana que já corri.

Faltou apenas o pódio. Mas, ele não veio.
Terminei em 16º lugar na classificação geral e 6º na categoria estendida de 40 a 49 anos
Mas, já viajei para Praia Grande sabendo que não daria pódio.
Claro que seria especial se viesse. Seria uma maneira de coroar ainda mais essa participação e tudo aquilo que venho construindo ao longo dos anos.

Mas pódio nenhum consegue medir o tamanho de uma jornada.
E essa jornada foi grande.

A medalha, por sinal, foi espetacular: uma estrela-do-mar que se abre e revela os 42,195 km da prova. Um símbolo bonito para guardar mais uma história.

Como pontos negativos, ficam apenas a falta de banheiros químicos ao longo do percurso e a ausência de premiação de cinco em cinco anos nas categorias por faixa etária já que elas foram subdivididas de 10 em 10 anos. De resto, considero a prova espetacular.

Depois da chegada, fiquei aguardando o Douglas. Seguimos para o apartamento, fizemos o check-out e, ao meio-dia, eu já estava na rodoviária pegando o ônibus de volta para São Paulo.

De São Paulo, peguei um voo rumo a Maringá.
Depois, mais um ônibus com destino final em Ubiratã.
Cheguei em casa às 3h40 da manhã.
Quase 24 horas depois de acordar para correr, a viagem finalmente terminava.
Mas a história, não.

Porque cada maratona deixa uma marca. Algumas ficam pelo tempo. Outras pelo pódio. Outras pela dificuldade. 
E algumas ficam simplesmente porque nos lembram do que somos capazes quando decidimos continuar.

A 46ª maratona foi mais um capítulo dessa construção.
Não foi apenas uma corrida de 42,195km.
Foi mais um passo rumo ao sonho maior.
Maratona 50 segue viva.

E enquanto houver estrada, haverá sempre um próximo quilômetro.
O tempo pode mudar, os desafios podem mudar, mas uma coisa continua igual: eu ainda quero seguir em frente até a maratona 50, e além ....


Segue abaixo algumas fotos:


Meu numeral.
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“Não foi apenas mais uma maratona. Foi a prova de que ainda havia muito para buscar.”
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Após a prova.
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Com o amigo Douglas.
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Certificado.



Os 16 primeiros colocados nos 42km masculino.
Até a data desta publicação os resultados completos poderiam ser acessados através do site Global Cronometragem.
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