100ª Corrida Internacional de São Silvestre – mais do que uma prova, um capítulo da história
Antes mesmo do primeiro passo na Avenida Paulista, a 100ª Corrida Internacional de São Silvestre já havia começado a ser vencida muito antes — ainda na luta pela inscrição.
Site lento, fila virtual que não andava, links “fura-fila”, horas perdidas em pleno dia de trabalho… um verdadeiro teste de paciência. Mas, como todo corredor experiente sabe, desistir nunca foi uma opção. Depois do caos, a vaga veio. E com ela, a certeza: eu estaria presente na edição centenária da corrida mais tradicional do Brasil.
"No meio da multidão, começava mais um capítulo da minha 19ª Corrida Internacional de São Silvestre."
Segue os dados gerais da prova:
Corrida número: 269
Nome da prova: 100ª Corrida Internacional de São Silvestre
Cidade: São Paulo-SP
Data: Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2025
Distância: 15kms
Tempo: 1h01min15seg
Média por quilômetro: 4min05seg
Classificação geral: 119º lugar (151º lugar somando a elite)
Atletas no geral: 28.472 atletas concluintes na categoria masculina
Classificação na categoria por faixa etária 45/49 anos: 16º lugar
Atletas na categoria: 4.449 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 154 pódios
Pódios por classificação geral: 69 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 77 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 3977
A viagem começou na noite de sábado, 27 de dezembro. Embarquei em Ubiratã às 19h35, no ônibus da Viação Garcia, rumo a São Paulo. Após uma madrugada inteira de estrada, cheguei à Rodoviária da Barra Funda às 8h da manhã de domingo. De lá, segui para Diadema para passar momentos preciosos com minha avó — parte do domingo e toda a segunda-feira ao lado dela, recarregando não só o corpo, mas também a alma, antes de retornar à capital paulista ao anoitecer.
Na manhã do dia 30, voltei à Barra Funda para encontrar os amigos de Corbélia, Tite e Carvalho. O ônibus deles atrasou bastante e só chegou perto das 11h. E sem perder tempo, seguimos direto ao Parque do Ibirapuera para a retirada dos kits. Resultado: quase três horas de fila. Cansativo, mas fazia parte do pacote São Silvestre.
Depois, almoço, descanso no hotel e, à noite, um jantar leve seguido de uma rápida passagem pela Avenida Paulista — aquele último contato silencioso com o palco onde, no dia seguinte, a história seria escrita por mais de 50 mil corredores e onde traçamos uma estratégia para nos encontramos após a prova.
Dia 31. Acordamos pouco antes das 5 da manhã. Café rápido, tênis nos pés e coração acelerado. Seguimos para a Paulista, já tomada por uma multidão impressionante. Era impossível não se arrepiar: mais de 50 mil pessoas reunidas para celebrar a centésima edição dessa prova lendária.
O Carvalho, estreante na São Silvestre largou no setor vermelho - o único setor disponível quando fiz a inscrição pra ele.
Já o Tite foi no pelotão Premium e eu fiquei no setor azul.
A espera foi longa. Mais de duas horas até a largada, organizada em ondas. A minha aconteceu às 8h15. Como sempre, os primeiros metros foram tensos. Muito congestionamento, pouco espaço e o cuidado redobrado — uma queda ali poderia virar um efeito dominó com consequências nada agradáveis.
Após o viaduto, finalmente surgiram alguns espaços para correr melhor. Mesmo assim, em muitos trechos era inevitável fazer zigue-zague de um lado para o outro da rua em busca de uma brecha. Mas, em certos pontos, a solução era correr pela calçada mesmo.
Passado o primeiro quilômetro (com um pace até muito bom 3min43s) imaginei que o fluxo melhoraria, mas aconteceu justamente o contrário. A prova seguia extremamente tumultuada. Acredito que a busca pela medalha histórica fez com que muitos atletas se posicionassem mais à frente, não se importando em passar pelo pórtico e ter seu tempo computado pelo chip e isso acabou intensificando ainda mais o congestionamento.
Acabei aproveitando bem as descidas que haviam após o primeiro quilômetro e fechei o km 2 mais rápido que o primeiro (3min33s). Mas, não estava sendo nada fácil.
Apesar do céu nublado, a temperatura beirava os 28 graus — sensação térmica bem maior para quem estava correndo. O suor escorria em excesso.
Cheguei ao km 5 em torno de 19min20s, aproximadamente. E com um terço da prova concluído, ficou claro que baixar de uma hora seria improvável. A partir do sexto quilômetro, começavam as subidas e o pace médio de cada km já ultrapassou os 4min — e no a partir do km 10, onde passei com o tempo total de 39min30s tive a confirmação de que o tempo final da prova deste ano seria pior do que o da minha primeira São Silvestre, disputada vinte anos atrás quando completei com 1h00min33seg.
Até que eu queria fechar esta última participação abaixo de uma hora. Mas, com todas as adversidades isso já não estava mais nos planos. rsrs
O desgaste da viagem, o calor, a redução nos treinos nas últimas semanas do ano e as intermináveis subidas antes da Brigadeiro cobraram seu preço. E quando ela finalmente apareceu — imponente, desafiadora — confesso que pensei em caminhar. Mas resisti. Não parei. Segui firme, mesmo em um ritmo bem abaixo do ideal.
“Na minha 19ª São Silvestre, a Brigadeiro surgiu como sempre: imponente, silenciosa e pronta para cobrar respeito.”
Completei os dois quilômetros da Brigadeiro no limite. E ao retornar à Paulista, já próximo de uma hora de prova, o foco passou a ser apenas manter uma passada firme e cruzar a linha de chegada.
E assim concluí minha 19ª São Silvestre em 1h01min15s. Muito longe do recorde pessoal obtido no ano anterior que foi de 55min44seg. Mas, foi o que deu pra fazer neste ano centenário. E, sinceramente? Tá de bom tamanho.
“Cruzar este pórtico pela 19ª vez não é apenas chegar ao fim de uma prova. Talvez seja uma despedida — mas uma despedida bonita, construída ao longo de anos de dedicação, renúncias e amor pela corrida.”
No pelotão geral, fui o 119º colocado e, considerando todos os mais de 28 mil concluintes da categoria masculina, posso dizer que fiquei entre os melhores da prova.
Ao final, reencontrei o Tite, que largou na Premium, e juntos fomos buscar a belíssima medalha da 100ª Corrida Internacional de São Silvestre — um símbolo que carrega muito mais que metal: carrega história.
Depois, ainda houve tempo para reencontrar outros amigos do Paraná e da minha cidade também.
E ao retornar ao hotel pude viver mais um capítulo típico dessa aventura: ir resgatar o Carvalho, que conseguiu se perder após completar a prova e foi parar a mais de 3 km da Paulista, enquanto nosso hotel ficava a apenas 300 metros.
No fim, deu tudo certo e voltamos todos em segurança para casa.
EM RELAÇÃO A PROVA:
Bagunçada como sempre.
Inscrição confusa e caríssima, retirada de kits demorada, falta de camisetas, água escassa no percurso, medalhas faltando no final e denúncias lamentáveis de staffs vendendo no metrô. Situações que entristecem, principalmente em uma edição histórica.
Talvez por tudo isso — e também pelos altos custos — é bem provável que esta tenha sido minha última São Silvestre. Com o valor gasto para correr essa prova, consigo disputar duas maratonas aqui no Paraná. E meus planos a partir de 2026 são claros: buscar minha 50ª maratona… e quem sabe, um dia, a 100ª.
Talvez eu volte apenas na edição 111. Ou antes, caso apareça um patrocinador disposto a bancar tudo para que eu possa largar no pelotão Premium. O que é difícil… mas sonhar não custa. rsrsrs
Encerrando 2025 com 18 provas disputadas, 16 pódios conquistados. Um ano simplesmente fantástico.
Para 2026, a ideia é reduzir o número de provas, controlar os gastos e focar nas maratonas — não em busca de performance extrema, mas para correr com prazer, menos sofrimento e alcançar as metas traçadas.
Porque no fim, mais importante do que o tempo no relógio, é continuar escrevendo a própria história… passo a passo, quilômetro a quilômetro.
Pra finalizar quero deixar o meu muito obrigado à empresa Brasil Sul, através do Carlos da agência de Cascavel, ao excelente corredor Ademir Ramos de Cascavel e a um amigo que prefere não ser identificado. A colaboração de cada um de vocês foi fundamental para que esse objetivo se tornasse realidade. 19 São Silvestres concluídas. Histórias, sacrifícios e orgulho que ninguém tira. 🏅
Segue abaixo mais algumas fotos:
Meu numeral.
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Faltando 1 dia para a histórica 100ª São Silvestre.
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Com os amigos de Corbélia Tite que fez sua 4ª São Silvestre (1h09min43seg) e o estreante Carvalho (1h11min17seg).
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Antes da largada.
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Depois da prova com a belíssima medalha.
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Na Avenida Paulista prestes a voltar pra casa com os amigos paranaenses.
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Todas as minhas 19 medalhas das 19 participações.
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Até a data desta postagem a classificação poderia ser conferida no site da chiptiming.














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