sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Corrida Nº 268 - 4ª Corrida Porto a Porto - Porto Rico-PR (21dez2025)

Algumas provas ficam marcadas pelo resultado. Outras, pelo percurso. E existem aquelas que vão além do cronômetro, deixando lembranças que misturam amizade, desafio, dor, estratégia e superação.
A Corrida Porto a Porto foi exatamente esse tipo de prova.

“Não era apenas correr, era sobreviver ao sobe e desce implacável do percurso que não permitia distrações: ou você respeitava o trajeto, ou ele te vencia.”




Segue os dados gerais da prova:

Corrida número: 268
Nome da prova: 4ª Corrida Porto a Porto
Cidade: Porto Rico-PR
Data: Domingo, 21 de Dezembro de 2025
Distância: 13kms
Tempo: 53min48seg
Média por quilômetro: 4min08seg
Classificação geral: 16º lugar
Atletas no geral: 252 atletas concluintes
Classificação na categoria por faixa etária 45/49 anos: 2º lugar
Atletas na categoria: 25 atletas
Número de pódios (fora de Ubiratã): 154 pódios
Pódios por classificação geral: 69 pódios
Pódios na categoria por faixa etária: 77 pódios
Pódios em equipes e/ou duplas: 8 pódios
Número de peito: 67


No dia
21 de dezembro, tive a oportunidade de participar, junto com grandes amigos, da 4ª edição dessa corrida que liga duas cidades, cruza paisagens incríveis às margens do Rio Paraná e coloca qualquer atleta à prova — não apenas fisicamente, mas também mentalmente.
Foi mais do que correr 13 quilômetros. Foi viver cada metro do percurso intensamente.

Saímos de
Ubiratã na tarde do dia 20 de dezembro, com o Fernando assumindo o volante e nos dando aquela força fundamental. Também vieram com a gente os amigos Lucas e Rafael, de Corbélia, além do Tite que se juntou ao grupo já lá em Goioerê.

Foram cerca de
quatro horas de viagem até chegarmos à Pousada O Porão, localizada literalmente às margens ao Rio Paraná. Uma pousada simples, mas muito bem organizada, confortável e com um custo excelente — apenas R$ 90 por pessoa e ainda tem um restaurante com a comida mais barata da região. Uma ótima escolha para quem quer passar um final de semana super agradável nas prainhas de Porto Rico.

Depois do check-in, demos uma breve caminhada pelos arredores e em seguida resolvemos ir até
Porto São José, local da chegada da prova. E foi ali que veio o primeiro susto: subidas… muitas subidas.
Mesmo sendo um atleta que treina bastante em terrenos inclinados, confesso que precisei rever o planejamento e os objetivos para a prova.
O percurso prometia cobrar caro.

Já de volta a
Porto Rico, fechamos a noite em uma pizzaria e, com sabedoria, retornamos cedo. Antes das 22h já estávamos recolhidos, porque o domingo prometia.

No domingo, dia
21, o pessoal acordou cedo. Por volta das 5h da manhã já estavam de pé. Eu acabei levantando um pouco mais tarde, quase às seis, já que a largada seria somente às 7h.

Café da manhã feito, desci e fui até o local da largada — praticamente em frente ao hotel — para um breve aquecimento. E foi ali que senti algo que me deixou em alerta:
uma dor mais forte nas costas, próxima à coluna, consequência de um probleminha no trabalho ocasionado cerca de dez dias antes e que já vinha incomodando nos treinos.

Durante o aquecimento pressionando as costas pra ver se a dor diminuía.


O aquecimento acabou sendo bem “meia boca”, feito mais na esperança de que a dor não evoluísse durante os
13 km do percurso.
A temperatura estava bem mais amena do que no dia anterior, quando os termômetros de Porto Rico chegaram aos 40°C. Ainda assim, o dia amanheceu com poucas nuvens e tudo indicava que o calor daria as caras mais tarde.

Me posicionei próximo à largada e, quando o atleta 
Vanderlei Cordeiro de Lima — padrinho, organizador e patrocinador da prova — acionou o megafone liberando a largada, partimos em disparada.
Com cerca de 100 metros de prova, já fizemos uma curva à direita e encaramos a primeira ladeira. Ela dava uma leve amenizada após uns 300 metros, apenas para se intensificar novamente logo em seguida.
Fechei o 
primeiro quilômetro em 4min10s, e contei 23 atletas à minha frente.

Na sequência, veio a primeira descida. Aproveitei para ganhar uma ou outra posição e fechei o
segundo quilômetro em 4min cravados. E, felizmente, até ali, nada das dores nas costas.
Com tantas subidas em tão pouco espaço, não havia tempo para pensar em mais nada além do sofrimento imposto pelo percurso. rsrs
E quando parecia que as descidas seriam um “respiro”, vinha o vento contra — que só piorava tudo, especialmente nas rampas seguintes. Um sobe e desce sem fim.
Ainda assim, o desempenho naquele início estava até que muito bem. Passei os 5 km em aproximadamente 21 minutos.

A partir dali, o objetivo ficou claro:
buscar o Oswaldo, de Maringá. Reconheci-o por conta da camiseta da Acorremar e sabia que ele era da minha categoria. E para ter chances mais reais de pódio, eu precisava, no mínimo, alcançá-lo e ultrapassá-lo.
Ele seguia cerca de 100 metros à frente. A “caça” estava lançada. kkkkk

Um pouco antes, entre os km
3 e 4, eu havia me juntado a um pequeno pelotão com outros três atletas. O ritmo era forte e constante, e isso ajudou bastante a manter a cadência e, aos poucos, reduzir a distância para o Oswaldo.

Até o
km 8, já havíamos ultrapassado de três a quatro corredores. Mas, aí, dois atletas do pelotão deram uma arrancada e abriram vantagem. Um outro acabou ficando para trás e eu mantive a cabeça fria e o foco total: alcançar o Oswaldo até o km 11, no máximo. Pois assim, eu teria os dois quilômetros finais para abrir vantagem.

Após o km
 9, ao iniciar mais uma subida, estava bem perto dele e a ultrapassagem veio logo na descida seguinte. Cumprimentei, trocamos algumas palavras rápidas e segui mantendo o ritmo.
Ao finalizar a descida, batemos no km 11. Era a hora de colocar a estratégia em prática. Mantive o foco ainda mais concentrado na subida e consegui abrir uma pequena vantagem.
No topo, veio a descida — e ali eu acelerei.

Passei pelo
km 12, acelerei ainda mais e ganhei mais uma colocação. Passei pelo Vanderlei, que orientava a entrada do trecho final, virei à esquerda e entrei por entre casinhas simples, mas de uma beleza incrível. Veio a última descida… e acelerei tudo o que ainda tinha.
E em uma parcial do garmin no km 12,75 passei com pace de 3min03s. É lógico que isso foi uma parcial do ritmo real no momento que foi por poucos metros, mas foi o suficiente para não dar chances ao azar. rsrs

Última curva à direita, depois à esquerda, e cruzei a linha de chegada em
Porto São José, completamente exausto, com o tempo de 53min48seg. Pace de 4min08s por km. Muito acima do que costumo manter em provas curtas. Mas, as adversidades do percurso não permitiram correr mais rápido.
Mas, ainda assim deu bom.

Quando saiu a classificação oficial, a notícia veio com sabor especial:
2º lugar na minha categoria perdendo por apenas 11 segundos para o campeão e o Oswaldo ficando em . Ou seja, minha estratégia em querer ultrapassá-lo não havia sido em vão. rsrs

A premiação foi simples — um troféu e
R$ 100,00 em dinheiro — mas extremamente significativa diante do nível e da dificuldade da prova.

No fim, pegamos o ônibus de volta para Porto Rico e retornamos para casa no final da tarde,
 levando na bagagem muito mais do que quilômetros corridos. Levamos experiências únicas de um percurso duríssimo, muitas histórias para contar, amizades fortalecidas e aquela sensação indescritível de ter vencido mais um grande desafio.”


Considerações finais sobre a Corrida Porto a Porto

✔️ Percurso extremamente difícil, com muitas subidas longas e íngremes com vento contra;
✔️ 4 pontos de hidratação durante o percurso e na chegada;
✔️ Hidratação final com água, isotônico, banana e até chopp;
✔️ Premiação em dinheiro para os 5 primeiros no geral e os 3 primeiros nas categorias (divididas de 5 em 5 anos);
✔️ Ônibus gratuito levando os atletas de volta do local da chegada até o local da largada;
Ponto negativo: ausência de guarda-volumes — algo fundamental em provas com largada e chegada em cidades diferentes.

A inscrição custou
R$ 75,00 + 1 kg de alimento, um valor muito justo pelo que a prova oferece.
Outro detalhe interessante: a cada edição, a largada muda de cidade. Em 2026, a largada será em Porto São José, com chegada em Porto Rico.

Pra finalizar, preciso mais uma vez deixar meu agradecimento especial aos Postos BCA, na pessoa do amigo José Bocalon, pelo apoio constante e fundamental. Um incentivo que faz toda a diferença para que eu siga acreditando, treinando e competindo em alto nível.


Segue abaixo algumas fotos:

Durante a caminhada em Porto Rico.
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Em Porto São José - local da chegada da prova.
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Meu numeral da prova.
Mais uma vez patrocinado pelos Postos BCA.
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Largada da prova quase em frente a pousada.
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Pouco antes da largada.
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Por volta do km 11 com o Rio Paraná ao fundo.
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Com os companheiros de viagem após a prova.
Lucas: 1h09min25seg
Rafael: 59min53se
Tutta: 53min48seg
Fernando: 55min53seg (3º na faixa etária)
Tite: 58min40seg
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Com o atleta olímpico e organizador da prova - Vanderlei Cordeiro de Lima.
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Pódio da categoria 45/49 anos.
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Os 10 primeiros colocados na categoria 45/49 anos.
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Os 20 primeiros colocados na classificação geral masculina.
Até a data desta postagem a classificação completa poderia ser visualizada no site da chiptiming.
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Com o amigo Fernando Matiussi que foi 3º colocado em sua categoria.
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O troféu e a medalha da prova.
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Parciais de cada km.
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O belíssimo pôr do sol na prainha de Porto São José.





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